Na última semana, duas determinações referente à educação das crianças – uma do Supremo Tribunal Federal (STF), outra do Ministério da Justiça e Segurança Pública – colocaram em pauta o assunto que abordamos em nosso último artigo sobre a importância de formar moralmente os filhos.
Vivemos tempos realmente confusos e, somente sobreviverão aqueles que olharem com critérios claros para o que está acontecendo – os pais estão sendo, aos poucos, destituídos de sua missão fundamental de serem os “primeiros e principais educadores dos filhos”. Essa missão sempre foi direito e dever dos pais.
A Igreja, em diferentes documentos, aponta para essa missão. Na declaração Gravissimum Educationis, promulgada por São Paulo VI, lê-se: “Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores”. E na exortação apostólica Familiaris Consortio, São João Paulo II reforça esse direito-dever educativo dos pais, dizendo que ele é essencial, original, primário e insubstituível. No entanto, o que estamos vendo são pais que terceirizam essa missão a outras pessoas ou à escola, e acabam colhendo frutos bastante amargos ao final do processo: percebem que os filhos se tornaram pessoas que não compartilham de valores e princípios morais que são tão caros à família de origem.
É importante que os pais estejam muito conscientes de seus valores e do que querem para seus filhos, antes de embarcar em qualquer discurso que a grande mídia e o governo insistem em ‘empurrar goela abaixo’. Eles identificam o que é violência ou preconceito, o que é certo ou errado, o que deve formar o imaginário dos seus filhos e tiram de vocês, pais, o direito de fazer isso segundo suas crenças e princípios.
As duas determinações da última semana impactam fortemente a formação moral de nossas crianças: serão obrigadas a aprender sobre ideologia de gênero nas escolas e terão acesso censurado a desenhos bíblicos.
A primeira determinação, do STF, veio justificada pela impossibilidade de negar às crianças a realidade de que existem pessoas trans. Vejam bem, não se trata de negar nenhuma realidade, afinal, a realidade está aí para ser apreendida e transformada em conhecimento. No entanto, ideologias estão longe de serem realidades: estão a serviço da naturalização de algumas ideias que beneficiam o objetivo de um determinado grupo. Pais católicos, realmente conscientes de seu papel no mundo e na formação dos filhos, ensinarão o respeito e caridade para com todas as pessoas em suas diferentes circunstâncias, e isso, por si só, combate os preconceitos a qualquer pessoa. Não é absolutamente necessário que a criança, para isso, aprenda que sexo não nasce determinado, mas se escolhe, algo que não condiz com a sua natureza.
A segunda decisão, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, considera violentos e preconceituosos desenhos bíblicos veiculados por uma emissora evangélica. Ou seja, desenhos que estão absolutamente ancorados em uma tradição milenar, que rege a vida de centenas de milhares de pessoas no mundo, se tornam proibidos para crianças, que estão em fase de formação do imaginário, enquanto conteúdos que contrariam princípios cristãos são empurrados para as crianças sem que os pais possam se posicionar.
Pais, não se deixem levar por essa ditadura que pretende (de) formar seus filhos. Assumam para si sua missão, custe o que custar. Afinal, dela são responsáveis.



