Em junho, a Igreja celebra, com muita alegria, o mês do Sagrado Coração de Jesus. A devoção, que teve início com as aparições a Santa Margarida Maria Alacoque no século XVII, teve sua festa estendida para toda a Igreja em 1856 no pontificado do Papa Pio IX e culminou na consagração do mundo ao Sagrado Coração em 1899 pelo Papa Leão XIII. Hoje em dia, durante este mês, nas paróquias são celebradas diversas novenas, missas e consagrações individuais e coletivas para comemorar esta grande festa.
Nesta época do ano, é sempre útil recordar como as aparições se deram e o que foi pedido por Cristo a Santa Margarida. Por mais que ela tenha tido, ao longo de sua vida, muitas aparições, três são consideradas as maiores e mais importantes: em 1673, na festa de São João Evangelista; outra em 1674; e, por fim, a aparição de 1675, na oitava de Corpus Christi. Elas são consideradas as principais por justamente resumirem o núcleo da mensagem que Jesus quis deixar: a revelação do amor de seu coração, o pedido de reparação pelas ingratidões e a instituição de práticas devocionais como a das Primeiras Sextas, a Hora Santa e a Festa.
Esta celebração, no entanto, não é para ser entendida como se o coração fosse algo à parte de Jesus. Pelo contrário, como lembra o Papa Francisco, “o que contemplamos e adoramos é a Jesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado em uma imagem sua em que se destaca o seu coração. Neste caso, o coração de carne é entendido como imagem ou sinal privilegiado do centro mais íntimo do Filho encarnado e do seu amor ao mesmo tempo divino e humano, porque, mais do que qualquer outro membro do seu corpo, é o índice natural ou o símbolo da sua imensa caridade” (Dilexit nos, 48).
Ter essa devoção tem como fim, portanto, deixar-se ser transformado pela caridade do Sagrado Coração de Jesus e fazer com que o nosso coração se assemelhe ao Dele. A grande questão que surge então é: como saber se, de fato, está ocorrendo uma configuração ao amor de Cristo? Quais são as características que indicam uma intimidade genuína, fazendo-me agir no mundo de forma similar à de Nosso Senhor?
Ora, se o Coração de Jesus revela de modo perfeito o amor de Deus, as Bem-Aventuranças mostram como esse amor se traduz concretamente na vida daqueles que desejam segui-Lo. Quanto a isso, uma das passagens do Evangelho que mais explicitam o amor de Deus é a das Bem-Aventuranças. Nela, Jesus cita uma série de posturas que seus discípulos devem ter e como cada uma delas será devidamente recompensada no céu. O que se vê ali é, mais que tudo, uma descrição do coração de Nosso Senhor, a qual devemos nos esforçar para alcançar.
Assim, pelo Sermão da Montanha, podemos reconhecer um coração configurado ao de Cristo quan-do é pobre de espírito, manso e capaz de compadecer-se do próximo. É aquele coração que possui fome e sede de justiça, que é misericordioso, puro, pacífico. Todas essas características indicam alguém transformado pela caridade, movido pelo amor de Deus em prol dos próximos e do bem comum.
Portanto, que neste mês, por meio das práticas devocionais e de orações que nos propõe a Igreja, apliquemo-nos de forma especial a crescer em santidade e moldar o nosso coração ao de Cristo. Sem dúvida, essa é uma tarefa que deve ser realizada em todos os meses do ano e não apenas em junho. Todavia, que neste momento oportuno em que todos voltam seus olhos e corações ao coração divino, tomemos essa ocasião para crescermos em intimidade e inflamarmo-nos pelo ardente amor que Deus possui por cada um de nós. Que possamos dizer e realmente signifiquemos as palavras: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!”




