
Dom Anthony Fisher, OP, Arcebispo de Sydney, defendeu o direito dos católicos de se oporem publicamente a produções artísticas que consideram ridicularizar sua fé, emitindo uma declaração contundente em meio à contínua controvérsia em torno do Divine Playhouse, um espaço artístico temporário que funciona em um antigo prédio de Igreja Católica no centro de Sydney.
Em sua declaração, o Arcebispo enfatizou que a liberdade de expressão vai além da criação artística e inclui o direito de indivíduos e comunidades de se oporem quando acreditam que algo ultrapassa os limites.
“A liberdade de expressão inclui não apenas o direito de falar, agir e criar, mas também o direito, e às vezes a responsabilidade, de dizer claramente quando algo é inapropriado, ofensivo ou errado”, escreveu ele.
O local atraiu críticas generalizadas de católicos devido ao conteúdo promocional e às apresentações que incorporavam imagens e temas católicos reconhecíveis. O Divine Playhouse recebeu uma subvenção de 100 mil dólares australianos da agência governamental do estado de Nova Gales do Sul, Create NSW, fato que intensificou as objeções dos críticos que questionaram o uso de recursos públicos.
Entre os eventos anunciados estavam produções intituladas “Bagunça de Domingo” e “Confissões Profanas”. As imagens promocionais também incluíam representações de batatas fritas de fast-food apresentadas de uma maneira que lembrava a Eucaristia, um dos elementos mais sagrados da liturgia católica.
Dom Anthony estabeleceu uma distinção entre sátira, crítica e comentário artístico, que ele reconheceu como formas legítimas de expressão, e o que descreveu como um uso indevido e intencional de símbolos religiosos.
Ele caracterizou as produções como “uma apropriação deliberada, sexualização e denegrição de símbolos e rituais específicos e sagrados da fé católica”, argumentando que as garantias dos organizadores de que os católicos não estavam sendo ridicularizados careciam de credibilidade.
O Epíscopo enfatizou que as objeções católicas decorrem do significado sagrado dos símbolos envolvidos, e não da oposição à expressão artística em si.

“Para os católicos, a Eucaristia não é um tema cultural passível de paródia. É o sacramento central da nossa adoração: a presença do próprio Cristo, real e verdadeiramente concedida”, afirmou.
Ele também criticou o uso de vestimentas religiosas como material humorístico ou promocional, argumentando que os hábitos religiosos representam vidas dedicadas a Deus e ao serviço ao próximo, e não fantasias destinadas ao entretenimento.
O Arcebispo argumentou que uma sociedade democrática saudável deve salvaguardar simultaneamente a liberdade artística, a liberdade religiosa e o direito ao protesto pacífico, em vez de tratar esses princípios como mutuamente exclusivos.
A controvérsia também suscitou uma discussão mais ampla sobre as atitudes em relação à religião na vida pública. O Epíscopo assinalou que o sentimento anticatólico é frequentemente tratado de forma diferente do preconceito dirigido a outras comunidades religiosas.
“Por muito tempo, o preconceito anticatólico foi tratado como uma forma de intolerância relativamente aceitável”, concluiu ele.
Suas observações enquadram a disputa não apenas como uma discordância sobre um local artístico específico, mas também como parte de um debate mais amplo sobre respeito religioso, financiamento público e os limites entre expressão artística e ofensa.
Fontes: InfoCatólica e Gaudium Press




