
Nos meses de julho e agosto, quatro diáconos seminaristas da Arquidiocese de São Paulo estiveram em missão na Amazônia: Leonardo de Oliveira Leopoldo e Vinícius Pinheiro Nunes, na Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM); e Victor Silva Natali e Fabiano Henrique da Silva, na Diocese de Marabá (PA).
De volta a São Paulo, eles partilharam as experiências missionárias com os seminaristas das três casas formativas do Seminário Arquidiocesano – Propedêutico, Filosofia (Discipulado) e Teologia (Configuração) – em um encontro na quinta-feira, 10, no Seminário de Teologia Bom Pastor.
Na homilia da missa de abertura, o Cardeal Odilo Pedro Scherer falou especialmente sobre a Bíblia, que comunica a Palavra de Deus por meio de linguagens, conceitos e contextos culturais humanos. Assim, compreendê-la exige atenção às circunstâncias históricas dos textos e àquilo que Deus quis neles comunicar. Dom Odilo também destacou que a Palavra permanece atual, pois o Espírito Santo que inspirou os autores sagrados também auxilia os fiéis a acolhê-la e a respondê-la com a obediência da fé.
AS EXPERIÊNCIAS MISSIONÁRIAS

Após a missa e um jantar, os quatro diáconos seminaristas partilharam, por meio de relatos e fotografias, o que vivenciaram nas missões, durante as quais encontraram um povo empenhado em viver a fé e os sacramentos, mesmo diante dos desafios à ação pastoral, em razão das grandes distâncias entre as comunidades e as dificuldades geográficas para acessá-las.
Durante a partilha, Dom Odilo abordou aspectos concretos da vida missionária, como os cuidados com a hidratação, a alimentação e a higiene. Também falou sobre os desafios da formação e da presença sacerdotal nas regiões visitadas, como a necessidade de deslocamentos para os estudos e a busca de parcerias para o atendimento das comunidades.
O Arcebispo observou que, embora na Arquidiocese de São Paulo haja mais de mil padres – entre diocesanos e os de congregações –, menos da metade atua em paróquias, pois estão em funções de formação, ensino e direção, e muitos outros já se encontram em idade avançada, situações que dificultam o envio de sacerdotes para missões em outras dioceses.
APRENDIZADOS PARA OS FUTUROS SACERDOTES

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Padre José Adeildo Pereira Machado, Reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor, avaliou que a missão em dioceses na Amazônia contribui para que os futuros padres desenvolvam sensibilidade missionária, “a fim de que, nas respectivas paróquias assumidas no futuro, tenham essa perspectiva viva”; sintam-se parte da Igreja na sua totalidade, “compreendendo que a missão eclesial transcende a paróquia e os organismos da Arquidiocese”; e vivam a comunhão e partilha missionária, “com o bispo diocesano, os demais padres, religiosos e leigos, onde quer que a Igreja os envie, pois como dizia o Papa Francisco: ‘Sou apenas um passo nessa missão’. Em suma, a missão nos ajuda a respirar o ar puro do Evangelho”.
Ainda segundo o Padre José Adeildo, a partir dos relatos dos diáconos seminaristas foi possível perceber que o povo tem sede de Deus, “logo, os padres devem ser bem preparados nos seminários e no estágio pastoral, a fim de que tenham os mesmos ‘sentimentos de Cristo’, capazes de acolher a todos, sempre com a porta aberta”; também devem ter consciência de pertença ao povo de Deus, “gastando a sua vida por aqueles que Cristo lhes confiar”; precisam desenvolver um grande amor por Cristo e sua Igreja; e estar em comunhão com a vida missionária no Brasil, “principalmente por meio das iniciativas organizadas e incentivadas pela CNBB com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, visando a uma pastoral de conjunto, seja na Arquidiocese, seja em âmbito nacional, sem deixar de considerar a universalidade da Igreja”.
(Colaborou: seminarista Rafael Manente/Edição de texto: Daniel Gomes)




