Vivendo o Advento

O tempo litúrgico em que estamos prestes a entrar toma seu nome da palavra latina que significa “chegada”. Nesse sentido, aliás, é que falamos do advento do século XXI, ou do advento de uma nova tecnologia… E nós, então, quando a cada semana acendemos uma nova vela da Coroa do Advento, a qual chegada nos referimos?

Em primeiro lugar, à chegada do Messias que deu cumprimento à Antiga Aliança de Deus com o povo de Israel. As profecias referiam-se a Ele: quando, por exemplo, Abraão, interrogado pelo jovem Isaac, que via o fogo e a lenha, mas não a vítima, respondia-lhe que “Deus providenciará ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho” (Gn 22,7-8), ou ainda quando Isaías anunciava: “Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamareis seu nome Emanuel, Deus-conosco” (Is 7,14). O próprio Deus o prometera a Davi: “Suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. Será ele que construirá uma casa para o meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho” (2Sm 7,12-14).

Para nós cristãos, no entanto, o Advento nos recorda não apenas a primeira vinda de Jesus ao mundo, em sua Encarnação e nascimento na Judeia – um evento ocorrido há 2 mil anos. Antes, somos chamados também a nos prepararmos para a sua vinda futura, no fim dos tempos.

É interessante observarmos que, quando Jesus falava de sua volta, em vez de dar uma descrição minuciosa sobre o momento e a forma com que aconteceria, Ele costumava aludir a algum evento do Antigo Testamento: “Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem” (Mt 24,37-39).

Isso nos revela que, para estarmos preparados para esta segunda vinda, o importante não é saber em detalhes como ou quando ela acontecerá. Na verdade, o essencial neste futuro Advento é que levemos uma vida alicerçada no encontro com Jesus, na Palavra (cf. Jo 1,14) e no Caminho (cf. Jo 14,6), que Se revelou a Si próprio vindo ao mundo. 

De forma mais concreta, porém, como podemos viver bem este tempo do Advento? Por um lado, é preciso que abandonemos todo uso desordenado das paixões da carne: “Nada de glutonerias e bebedeiras, nada de orgias e obscenidades, nem de discórdias e ciúmes” (Rm 13,13). Convém mesmo que escolhamos algum pequeno prazer para nos abster durante essas semanas antes do Natal, em devoção e penitência: chocolate, açúcar na bebida, sal na comida, ou algo nessa linha. Também, como Nosso Senhor nos manda vigiar (cf. Mt 25,13), podemos oferecer alguma obra relacionada ao sono: deitar-se ou levantar em horário estabelecido (sem a “soneca” do celular), por exemplo. E, se faz tempo que não nos aproximamos do sacramento da Confissão, é agora a hora de voltarmos à reconciliação com o bom Deus.

Por outro lado, enfim, tenhamos sempre diante dos olhos a Encarnação, especialmente em meio às dificuldades e abatimentos de nossa vida. Se passamos pelo sofrimento de alguma doença ou dificuldade econômica, também o próprio Cristo, “semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado” (cf. Hb 4,15), sentiu frio e fome. Se sentimos angústia e solidão nestes tempos de pandemia, também Cristo se sentiu só e abandonado, no Horto das Oliveiras e no Calvário.

E assim nos preparando, cantemos a Jesus: Veni, veni, Emmanuel! Captivum solve Israel! – “Vinde, vinde, ó Emanuel! Libertai Israel prisioneiro!”

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