Em encontro com associações caritativas em Barcelona, Leão XIV usou metáforas futebolísticas e recordou a abertura amanhã da Copa do Mundo: “O futebol lembra-nos algo que não devemos esquecer: a vida não é uma corrida para nos destacarmos sozinhos, mas um caminho que aprendemos a percorrer juntos. Quem não sabe passar a bola, mesmo que tenha talento, não compreendeu o jogo. E quem não sabe viver com os outros e para os outros, ainda não compreendeu a vida”.

“O senhor gosta de futebol? Quando pequeno queria ser Papa? Por que algumas pessoas sofrem mais que outras? Por que há tantos avós solitários se eles são tão importantes? É preciso perdoar sempre?”
Estas são as perguntas que Renzo, um menino de 6 anos, dirigiu ao Pontífice e às quais Leão XIV respondeu durante o encontro com as realidades caritativas e de assistência da arquidiosece de Barcelona. O evento foi realizado na tarde desta quarta-feira, 10 de junho, na Igreja de Santo Agostinho (San Augustì). Houve testemunhos de responsáveis por três obras sociais, a projeção de um breve documentário e, por fim, a carta de Renzo a partir das situações que o preocupam ao observar a condição de seus pais.

Os sonhos do “menino Prevost”
Quanto à pergunta se o menino Prevost queria ser Papa quando era criança, Leão XIV respondeu de forma espontânea: “Acho que não. Nunca pensei nisso, mas quando o Senhor chama, é preciso dizer ‘sim'”. Em seguida, revelou que, com o passar do tempo, foi descobrindo que Jesus o chamava a segui-Lo como sacerdote e que esse caminho passava pela Ordem de Santo Agostinho. No entanto, ressaltou que essa experiência não se aplica apenas a ele, pois toda criança é um sonho de Deus. “Você também é”, disse o Pontífice a Renzo:
“Mais importante do que nos perguntarmos se seremos sacerdotes, médicos, professores, pais de família ou qualquer outra coisa, é importante perguntarmo-nos se queremos ser amigos de Jesus. Porque a amizade com Jesus nos dá alegria, torna-nos livres e ajuda-nos a ver, pouco a pouco, a vocação e o caminho que Deus pensou para cada um.”

O futebol e a importância de jogar em equipe
Questionado sobre o futebol, Leão XIV arrancou sorrisos dos presentes ao recordar sua paixão pelo esporte. Contou que, quando jovem, praticava tanto futebol quanto futebol americano e revelou que costumava atuar na defesa. Mais tarde, já no seminário, continuou jogando e chegou a atuar também no ataque. Mas a resposta logo se transformou em uma reflexão. O Papa observou que o esporte ajuda a manter o equilíbrio entre corpo, mente e alma, além de ensinar valores fundamentais para a vida, como a importância do trabalho em equipe. Utilizando uma imagem esportiva, advertiu que ninguém vence sozinho:
“O futebol também nos ajuda a recordar algo muito importante: é um jogo de equipe e é preciso aprender a viver dessa forma. Quem pensa que pode ser uma estrela, mas nunca passa a bola, deixando os outros fora do jogo, provavelmente vai perder. Por isso, também para nós, é importante pensar que estamos em uma equipe. Quero reconhecer e felicitar todos pelo trabalho que realizam aqui.”

O significado do perdão
O sofrimento e a solidão também foram abordados pelo Papa, que recordou que Deus nunca abandona seus filhos, muito menos os idosos. O amor que recebemos deve ser retribuído com o mesmo amor, cuidando e acompanhando os nossos avós na velhice. “Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos. Isso é muito triste”, afirmou.
O último tema foi o perdão, que Leão XIV assim explicou: “Perdoar não significa dizer que o mal esteve certo nem deixar que alguém continue a fazer o mal. Não significa esquecer à força, como se nada tivesse acontecido. Perdoar significa não deixar que o ódio se torne o dono do nosso coração. Jesus pede-nos que perdoemos porque é a única maneira de experimentar a paz de Deus e de curar feridas espirituais. Quando perdoamos, imitamos o exemplo de Jesus, que perdoou aos que o crucificavam. A nossa disposição para perdoar é condição para o perdão que recebemos de Deus”.

As características do cristão
O Santo Padre prosseguiu o discurso ressaltando um traço específico do cristão, que é precisamente a caridade: “O cristão, além de bondoso e amável, há de ser compassivo, amar desinteressadamente e procurar o bem dos outros, sabendo que em cada irmão e irmã que sofre é o próprio Senhor quem pede e recebe, quem é acolhido ou rejeitado, amado ou desprezado”.
Por isso, cada comunidade eclesial diocesana é chamada a aproximar-se das feridas e necessidades dos pequenos e vulneráveis, para aliviar os seus sofrimentos e remediar a sua pobreza, “sobretudo nos tempos que vivemos, em que parece ter-se perdido o sentido da dignidade sagrada do ser humano”. Dignidade esta “que não depende das capacidades que possui, das riquezas que acumula ou do papel que desempenha”.
O Papa concluiu encorajando o trabalho caritativo das associações, para “mostrar ao mundo a beleza da vida cristã”, confiando-as a Nossa Senhora do Bom Conselho.
Fonte: Vatican News



