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Para onde vai a Igreja no Brasil?

A 62ª. Assembleia Geral anual da CNBB, realizada em Aparecida, dos dias 15 a 24 de abril, reuniu mais de 340 bispos de todas as circunscrições eclesiásticas do Brasil. Somos o país com o maior número de dioceses e de bispos no mundo. Ao todo são, atualmente, 282 dioceses ou equivalentes, 497 bispos, dos quais, 153 eméritos, que já deixaram suas responsabilidades diante das dioceses, por idade, enfermidade ou outro motivo. 

Foram dez dias de muito trabalho, oração, reflexões, informações, decisões e convivência entre os bispos, que se encontram, todos juntos, uma vez por ano. Tivemos também um dia e meio de retiro espiritual, logo no início dos trabalhos, pregado por Dom Armando Bucciol, bispo emérito de Livramento de Nossa Senhora (BA) e, atualmente, diretor espiritual do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. A Assembleia Geral da Conferência Episcopal favorece a colegialidade e a corresponsabilidade dos bispos pela Igreja inteira no Brasil e, em união com o Papa, também pela Igreja no mundo.

O tema central desta Assembleia foram as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos. Já é de longa tradição que os bispos do Brasil, juntos, estabeleçam orientações para a ação da Igreja durante um período determinado, de acordo com as necessidades e circunstâncias do tempo. As Diretrizes Gerais valem, em primeiro lugar, para a própria Conferência Episcopal e seus órgãos e organismos, como Secretariado Geral, o Conselho Episcopal Pastoral e suas 12 Comissões Episcopais Pastorais estáveis e outras tantas Comissões Especiais, os 19 Regionais da CNBB e tantas organizações pastorais e organismos eclesiais de âmbito nacional e regional. Todo esse conjunto de organizações relacionadas com a Conferência Episcopal encontra nas Diretrizes Gerais as indicações e rumos para seus planejamentos e iniciativas nos próximos anos.

Também as dioceses de todo o Brasil encontram nas Diretrizes Gerais da CNBB as indicações para a elaboração dos seus planejamentos pastorais nas Igrejas particulares e realidades eclesiais locais. Assim, as Diretrizes Gerais são um instrumento de comunhão e unidade na promoção da ação eclesial em todo o Brasil. A Igreja Católica, de fato, é una e tem a mesma missão: respeitadas as diferentes realidades locais, ela procura viver a comunhão de esforços para a realização de sua missão e metas pastorais.

As novas Diretrizes Gerais são expressão do propósito e do esforço da Igreja no Brasil para acolher o Documento Final da Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade de Igreja (2024). A Assembleia sinodal, realizada em duas etapas no Vaticano, em 2022 e 2023, teve como tema: “Igreja sinodal – comunhão, participação e missão”. As reflexões da assembleia focaram a natureza mesma da Igreja de Cristo, que se expressa no mundo nessas três dimensões. A Igreja não deixa de ser una, santa, católica e apostólica romana. A isso, porém, acrescenta-se que ela é “comunhão” em Cristo, nos bens da fé, esperança e caridade, devendo, por isso mesmo, cultivar essa comunhão em Cristo, sem se deixar levar a divisões, que ferem o corpo único de Cristo e lhe tiram vitalidade e capacidade de testemunho do Evangelho no mundo.

A Igreja também é “participação” de todos os membros nos seus bens, graças ao Batismo e aos dons do Espírito Santo: participação nos bens da fé, da misericórdia e perdão de Deus, do Evangelho de Cristo, da vida nova do Reino de Deus, dos dons do Espírito Santo, da “herança dos Santos” e das promessas de Deus. A participação na Igreja, antes de ser nossa ação, é graça recebida. E a Igreja também é “missão”, como comunidade de discípulos de Jesus Cristo enviados ao mundo para anunciar o Evangelho e testemunhar a vida nova do Reino de Deus, que já se faz presente no mundo. Todos os batizados são chamados a participar, de diversos modos, da grande e importante missão confiada por Jesus à Igreja.

As Diretrizes Gerais chamam todos a tomarem parte da Igreja, tenda de Deus no mundo, a partir do Mistério da Encarnação do Filho de Deus, que “veio habitar no meio de nós” (cf. Jo 1,14) e continua na sua Igreja: “Eu estarei sempre convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (cf. Mt 28,29). Por isso, as Diretrizes pedem a atenção aos sinais dessa presença e ação de Deus no mundo; e são um chamado ao discernimento e à conversão pessoal e pastoral, para vivermos, efetivamente, a comunhão, a participação e a missão. As Diretrizes Gerais indicam também os compromissos sinodais que deveriam ser assumidos em todas as comunidades e expressões da vida eclesial. Com as Diretrizes Gerais, a CNBB conclama o Povo de Deus inteiro do Brasil a viver a sinodalidade da Igreja, em comunhão e participação, e indica os caminhos da missão mais necessários no tempo presente.

Também a arquidiocese de São Paulo está em processo de elaboração de seu Plano Arquidiocesano de Pastoral, à luz das diretrizes e propostas do 1º sínodo arquidiocesano (2017-2023) e das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB.

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