Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

A centralidade da Eucaristia na vida da Igreja 

A Eucaristia é o centro da vida da Igreja. É o Memorial da Paixão e Morte do Senhor. As palavras da instituição o dizem claramente: “Isto é meu Corpo, dado por vós” e “Este é o cálice do meu sangue… derramado por vós” (…). “Fazei isto em memória de mim” (cf. Mt 26,26-29; Mc 14,22-24; Lc 22,19- 20; 1Cor 11,23-25). 

Jesus instituiu a Eucaristia, entregando à Igreja a responsabilidade de celebrá-la em memória de sua Paixão, Morte e Ressurreição, até que Ele venha. A Eucaristia, celebrada em nossas comunidades todos os dias, torna presente para nós a ação redentora de Cristo pela qual Ele nos envolve sempre de novo, e cada vez mais intensamente, no amor do Pai, para o louvor de Sua glória e salvação de toda a humanidade. A Eucaristia atualiza para nós o sacrifício redentor de Jesus, não como sofrimento, mas como oferecimento, ou seja: o ato de amor com que Jesus assumiu seu morrer, está presente em cada celebração eucarística de que participamos. 

Por sua natureza, a Eucaristia é Ceia e Cruz, Mesa e Altar. O Catecismo da Igreja Católica recorda-nos, quando diz: “A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrifical em que se perpetuam o sacrifício da Cruz e o banquete sagrado da Comunhão, no Corpo e Sangue do Senhor” (CIC 1382). A Eucaristia é o que de mais precioso a Igreja pode ter no seu caminho como peregrina no tempo e na história. Ela é o manancial de todas as graças concedidas por Deus porque nela “está contido todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa”. 

Eis o Mysterium fidei, que a comunidade eclesial é chamada a viver cada vez mais consciente de que ele é o maior tesouro da Igreja, porque nele possui tudo: o sacrifício redentor de Cristo, a sua Ressurreição, o dom do Espírito; porque nele, sob a forma das humildes espécies eucarísticas, é o próprio Cristo que caminha com a sua Esposa, a Igreja, ainda peregrina sobre a terra, iluminando-a e tornando-a testemunha de esperança inabalável para os seus filhos e para o mundo inteiro; porque ele é o penhor da meta à qual humanidade aspira, mesmo de maneira inconsciente (cf. Ecclesia de Eucharistia, 59 e 62). 

A festa de Corpus Christi nos faz recordar aquela Quinta-feira Santa em que Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e deu graças, deu a seus discípulos; e fez o mesmo com o cálice com o vinho e disse: “Isto é meu corpo… este é o cálice do meu sangue”. A Eucaristia significa o ato de doação, de entrega que o Filho de Deus, feito homem, faz de Sua vida. O Seu Corpo é entregue como alimento, o Seu Sangue é derramado por todos. Na festa de Corpus Christi, a Igreja tem mais uma oportunidade de agradecer a Jesus por Ele ser o Redentor, o que resgata a nossa vida do pecado e da morte. Ação de graças: esse é o nome da Eucaristia. 

“Na Eucaristia, contemplamos e adoramos o Deus do amor. É o Senhor que não divide ninguém, mas divide-Se a Si mesmo. É o Senhor que não exige sacrifícios, mas sacrifica-Se a Si mesmo. É o Senhor que não pede nada, mas dá tudo. Para celebrar e viver a Eucaristia, também nós somos chamados a viver este amor. Porque não podes partir o Pão do domingo, se o teu coração estiver fechado aos irmãos. Não podes comer este Pão, se não deres o pão aos famintos. Não podes partilhar deste Pão, se não partilhas os sofrimentos de quem passa necessidade. No fim de tudo, inclusive das nossas solenes liturgias eucarísticas, restará apenas o amor. E, já desde agora, as nossas Eucaristias transformam o mundo, na medida em que nós mesmos nos deixamos transformar, tornando-nos pão partido para os outros” (Papa Francisco. Homilia da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, 6 de junho de 2021). 

Comentários

  1. Sem Eucaristia não existe igreja. Sem Eucaristia não existe salvação. Parabéns Dom Celso pelo excelente texto. Texto que nos provoca, nos faz meditar nas verdades eternas.
    Abreços
    Pedro Dantas Tavares
    Ourinhos SP

    Reply

Deixe um comentário