O Concílio Vaticano II recuperou o sentido teológico da missão. A Igreja é missão porque Deus é missão (Ad Gentes AG, 2). A fonte suprema da evangelização está no amor eterno da Santíssima Trindade. Tem sua origem no dinamismo do amor trinitário que se irradia e se difunde em todo o universo. Somos inseridos, pelo Batismo, nessa dinâmica de amor pelo encontro pessoal com Jesus.
A palavra “missão” significa envio. A primeira missão é a do Filho de Deus, enviado pelo Pai para se tornar homem e, assim, nos salvar (Fl 2,6-8). O Catecismo da Igreja Católica cita as palavras do Credo niceno-constantinopolitano: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (CIC 457). O objetivo da missão de envio do Filho é a nossa salvação.
A segunda missão é a do Espírito Santo, um envio inseparável do envio do Filho. Jesus ressuscitado derrama o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre a Igreja. No dia de Pentecostes, o Espírito foi enviado para permanecer com os discípulos para sempre; a Igreja foi publicamente manifestada diante da multidão; pela pregação teve início a difusão do Evangelho entre os povos e, enfim, foi prefigurada a união dos povos na catolicidade da fé mediante a Igreja da Nova Aliança (AG, 14).
A origem da evangelização – o amor trinitário de Deus – também indica a sua finalidade: fazer com que todos vivam em comunhão com Cristo e assim alcancem a plenitude da participação na vida de Deus. Pregando o Evangelho, a Igreja atrai ouvintes à fé e à confissão da fé, dispõe-nos ao batismo e nos incorpora a Cristo, para que pela caridade cresçamos n´Ele até a plenitude (Lumen gentium LG,17).
A Igreja recebeu dos Apóstolos o mandato missionário de Cristo, que os enviou em missão (Mt 28,19-20). O Senhor ressuscitado encontra os seus discípulos e os envia por todo o mundo. Eles devem fazer discípulos em todas as nações, batizando-os e ensinando-os a seguir tudo o que o Pai ordenou. Ciente desta missão, a Igreja anuncia o Evangelho e é enviada em missão como exigência interna de sua própria natureza. Por sua própria identidade, difunde o que recebeu de Cristo: o Evangelho da Salvação.
A missão é a atividade primeira da Igreja e constitui sua identidade mais profunda. Não se trata de uma dimensão acessória: a Igreja existe para evangelizar. Tudo o que ela realiza – estruturas e ministérios – deve estar orientado para o anúncio do Evangelho. Isso significa que toda ação eclesial deve ser compreendida como um prolongamento da missão de Cristo, que veio para que todos tenham vida em abundância (Jo 10,10).
A missão não é apenas uma tarefa funcional; é antes de tudo, um encontro transformador com Jesus Cristo que marca a vida e quem O encontra e torna impossível permanecer em silêncio. O Papa Francisco, na Evangelii gaudium EG, 36, recorda que o núcleo desse anúncio é o querigma: a beleza do amor salvífico de Deus revelado em Cristo. Esse anúncio não é mera informação religiosa, mas potência transformadora que toca a integralidade da pessoa. O anúncio de Cristo vivo é a maior alegria que a Igreja possui e o melhor presente que pode oferecer ao mundo. Reter esse dom seria contrariar o amor de Deus e o mandato missionário de Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).




