A Vinha do Senhor

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM 4 DE OUTUBRO DE 2020

Cristo propõe aos chefes dos sacerdotes e anciãos outra parábola sobre a “Vinha”. Citando a profecia de Isaías (Is 5,1-7), compara o povo de Deus a uma vinha pacientemente plantada, cultivada, protegida e vigiada pelo Senhor. Nela são estabelecidos vinhateiros – líderes religiosos –, encarregados de recolher os frutos até a chegada do Dono.

No momento de entregar os resultados do cultivo, contudo, esses arrendatários espancaram, apedrejaram e mataram os muitos “empregados” – os profetas – que o Senhor lhes enviara. Por fim, o Senhor mandou à Vinha seu próprio filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Vendo-O, os vinhateiros disseram as palavras dos irmãos de José do Egito: “Vinde, vamos matá-lo!” (Gn 37,20). Com inveja semelhante à dos filhos de Jacó, pensavam: “Este é o herdeiro. Vamos tomar posse da sua herança!” (Mt 21,38).

Agarraram o filho, jogaram-no para fora da Vinha – além dos muros de Jerusalém, no Calvário – e o mataram. Jesus previa, desse modo, a morte a que seria submetido, motivada pelas intrigas dos seus interlocutores. E lhes perguntou: “Quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”. Os chefes dos sacerdotes e anciãos, sem ainda perceber que era a eles que a parábola se referia, deram uma resposta profética: “Com certeza, mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo” (Mt 21,41).

A conclusão do Senhor é aterradora: “O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos” (Mt 21,43). Um “povo” – éthnos – significa “um povo de gentios”, pessoas que não pertencem a Israel. Como sabemos, o cultivo da Vinha do Senhor seria entregue a Pedro, aos demais apóstolos e a seus sucessores, e incluiria pessoas de todos os povos, raças e origens. Com a Igreja de Cristo – Novo Israel –, a Vinha divina se estenderia fecunda não apenas do Mediterrâneo ao Jordão, mas por todos os continentes da Terra.

Essa comparação revela que a Igreja é como um organismo vivo a ser cuidadosamente cultivado. Como uma planta, Ela cresce, floresce, atravessa diferentes estágios e estações, mas permanece sempre a mesma. Possui regras vitais de desenvolvimento que devem ser respeitadas e protegidas. Para a Igreja, categorias como “revolução”, “reformulação” e “renovação radical” não funcionam. O seu crescimento é lento e natural, como o de uma plantação ou jardim. Precisa ser podada, regada, protegida… Mantém sempre, todavia, a mesma identidade. Os movimentos e cortes bruscos levam seus ramos infalivelmente à secura, à esterilidade e à morte.

A nós cumpre pedir ao Senhor que proteja a Sua Vinha! Que Ele a guarde cercada com o cinturão verde dos Santos Padres e Doutores. Que os seus vigias – os bispos – avisem, do alto, quando o mal se aproximar. Que o seu lagar permaneça sempre incontaminado. Que não falte a chuva fecunda das graças e bênçãos do Céu. E que todos nós produzamos uvas boas de amor, fé, conversão e obras santas.

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