‘Consolai o meu povo, consolai-o!’

“Consolai o meu povo, consolai-o!” (Is 40,1), diz o Senhor. Mas o que pode consolar os filhos de Deus? Quem enxugará suas lágrimas, desfará injustiças e os salvará, quando se padece “uma ferida incurável” (Jr 14,17)? Diante da morte, do mal e do pecado, somente Deus pode curar e consolar. Quando “desde a planta dos pés até a cabeça não há lugar são” (Is 1,6), só Ele pode salvar. Por isso, “como um pastor, Ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; Ele mesmo tange as ovelhas-mães” (Is 40,11).

Essas palavras se cumpriram com a primeira vinda de Cristo, que veio como “o Bom Pastor” (Jo 10,11), para curar as feridas físicas e espirituais dos homens e nos dar a vida eterna. A maior consolação de Deus ao gênero humano foi fazer-Se homem, assumindo inclusive o aspecto de um simples Menino. Manso e humilde, “com vínculos humanos, eu os atraía, com laços de amor, eu era para eles como os que levantam uma criancinha diante do seu rosto” (Os 11,4).

Na Sua segunda vinda, contudo, Ele virá repleto de glória. Serão realizadas de um modo visível as palavras de Isaías: “Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com Ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória” (Is 40,10). Veio uma vez para morrer por nós, reunir-nos no redil da Igreja, instruir-nos com os Evangelhos e abrir-nos à salvação pelos sacramentos. Virá uma segunda vez para pôr fim à morte, julgar os vivos e os mortos, destruir Seus inimigos e estabelecer o Reino definitivo. 

Deus fez e fará a Sua parte! No Natal, atualizaremos liturgicamente a chegada amorosa de Cristo em Belém e pediremos que o Menino habite também nossas almas. Ele não recusa Se unir aos que creem, amam e confessam os pecados, pois, “se alguém me ama, guardará a minha palavra e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23). Para quem vive unido a Jesus já neste mundo, também a Sua segunda vinda não será motivo de terror, mas de salvação e consolação.

Cumpre, portanto, a nós fazer a nossa parte: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” (Mc 1,3)! “Nivelem-se todos os vales”, isto é, corrijam-se a inconstância e a hesitação na prática do bem. “Rebaixem-se todos os montes e colinas” do orgulho, da soberba e da vaidade. “Endireite-se o que é torto”, quer dizer, tornem-se justas as condutas que se desviam dos mandamentos. “Alisem-se as asperezas” (cf. Is 40,4) do nosso caráter – ou falta de caráter –, para que a glória e o Rosto de Cristo se manifestem em nós. 

Vale a pena nos voltarmos com todo o coração a Deus. Não podemos ter uma visão imediatista da vida, focados apenas nos problemas e preocupações momentâneos. Quando Ele vier, veremos tudo com outros olhos, pois, “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2Pd 3,8). Ele é a medida de todas as coisas; Ele é quem realmente importa. E “o Senhor não tarda a cumprir sua promessa” (2Pd 3,9).

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