Existe uma pergunta que acompanha a Ciência Econômica desde seus primórdios: por que algumas nações enriquecem enquanto outras permanecem presas ao baixo crescimento, à pobreza e às desigualdades?
Há um ponto sobre o qual praticamente todos os economistas concordam: nenhuma sociedade prospera sem criar riqueza.
Criar riqueza não significa apenas movimentar dinheiro. Significa transformar trabalho, conhecimento, tecnologia, investimento e inovação em produtividade. É essa transformação que amplia a renda e eleva a qualidade de vida da população. Nenhuma nação encontrou prosperidade na sorte. Todas compreenderam que riqueza se constrói. Não se sorteia.
É sob essa perspectiva que merece reflexão o crescimento extraordinário das apostas esportivas no Brasil. Não se trata de condenar uma atividade legal nem de questionar a liberdade individual. O problema surge quando uma parcela crescente da renda das famílias deixa de financiar atividades capazes de ampliar a capacidade produtiva do País e passa a alimentar um mercado cuja principal característica é redistribuir recursos, e não criar riqueza.
Quando uma empresa investe em uma nova fábrica, quando um agricultor incorpora tecnologia ou quando uma indústria desenvolve uma inovação, toda a sociedade se beneficia. Nas apostas, o mecanismo é diferente. O dinheiro muda de mãos, mas a capacidade produtiva da economia permanece praticamente inalterada. Há intensa movimentação financeira, porém pouca criação de riqueza.
Segundo dados apresentados pelo Banco Central à CPI das Apostas, esse mercado movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês. Cada real destinado às apostas deixa de financiar a educação dos filhos, a formação de poupança e investimentos capazes de ampliar a produção nacional.
Na Economia, isso é conhecido como custo de oportunidade. O problema não é apenas o dinheiro que entra nas plataformas de apostas. É o investimento que deixa de existir.
A preocupação torna-se ainda maior quando estudos do Banco Central indicam que parcela significativa desses recursos provém das famílias de menor renda. Quando famílias com orçamento limitado comprometem parte da renda em busca de um ganho improvável, reduzem sua capacidade de poupança.
Nunca a publicidade das apostas esteve tão presente no cotidiano dos brasileiros. Quase nunca mostra que, estatisticamente, a imensa maioria perde.
A Economia Comportamental demonstra que as pessoas tendem a superestimar acontecimentos raros quando estes despertam forte apelo emocional.
Não se trata, portanto, de defender a proibição das apostas. Mercados clandestinos costumam produzir efeitos ainda mais nocivos. O verdadeiro desafio consiste em regulamentar o setor, proteger menores de idade e ampliar a educação financeira da população.
Ao final, permanece uma pergunta inevitável: que modelo de desenvolvimento desejamos para o Brasil? Uma economia que estimule investimento, inovação, produtividade e formação de capital ou uma sociedade que transfere parcela crescente da renda das famílias para atividades incapazes de ampliar sua capacidade produtiva?
A história econômica não deixa dúvidas. Nenhuma nação construiu sua prosperidade apostando. O Brasil encontra-se diante da mesma escolha. A riqueza nunca foi fruto do acaso, sempre foi consequência do trabalho e da capacidade humana de criar valor.



