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O lugar das cidades depois da COVID-19

O lugar das cidades depois da COVID-19
Arte: Sergio Ricciuto Conte

As cidades e, sobretudo, as megalópoles serão afetadas com a pandemia do coronavírus? No momento, nossas atenções estão voltadas, fundamentalmente, para as questões sanitárias e epidemiológicas. Estamos observando o desordenamento no campo econômico? Estamos analisando o desmantelamento na economia, que vem gerando perdas gigantescas em todos os setores e afetando milhões de pessoas? Com o distanciamento e o isolamento social, muitas empresas aderiram ao home office. Muitas delas e escritórios tendem a permanecer com essa modalidade de trabalho. As universidades e demais áreas do saber, do Maternal ao Ensino Médio, assumiram a educação remota e a aprendizagem on-line. As unidades educacionais pensam na volta às aulas, chamada híbrida, mas quanto de presencial e quanto de educação a distância?

Estamos nos referenciando ao home office dos escritórios e das aulas remotas nas instituições educacionais. Pensando nessas atividades escritórios/escolas, quantos empregos foram eliminados? Quantos outros postos de trabalho desaparecerão, confirmando as tendências dos variados setores das indústrias, empresas e universidades e escolas, com a manutenção dos trabalhos, em home office e do ensino on-line?

Até meados dos anos 1950, a grande maioria dos habitantes morava no campo ou nas pequenas cidades. Somente com a industrialização, as cidades aumentaram, e, sem planejamento, as urbes incharam em população e incontáveis problemas. As pessoas procuravam trabalho e melhoria de vida, e a indústria precisava de mão de obra, para os inúmeros ofícios que se multiplicavam nos grandes centros urbanos. As cidades despertavam o fascínio por novos tempos.

Por um lado, desde muito, o campo não apresenta mais espaço de trabalho porque a tecnologia entrou maciçamente nas lavouras. Os braços de muitos foram substituídos pela máquina. Verdade é que uma colheitadeira substitui muitas famílias. Por outro lado, nas últimas décadas, os grandes centros urbanos perderam as indústrias. Houve diminuição de postos de trabalho nas indústrias, e essa escassez foi absorvida pelos escritórios e pelo comércio generalizado, que garantiram a sobrevida de muitos dos operários, que se aperfeiçoaram nos novos ambientes.

Como associar a mecanização do campo e o home office das empresas e escolas? Uma associação perversa e desastrosa para a sustentação de pos tos de trabalho. Haverá benefícios para uns poucos mais bem preparados e malefícios para a grande parcela da população.

Com a mecanização do campo, houve um êxodo rural para os centros urbanos. Com a manutenção do home office nas empresas e escritórios, com o assegurar das aulas remotas oferecidas pelas escolas e universidades nas plataformas on-line, com o comércio enfraquecido nas cidades, muitos perderão seus empregos. Assistiremos a um êxodo urbano e a diminuição de muitas cidades? Onde a massa mais empobrecida e pouco preparada para os novos tempos encontrará trabalho? Nem o campo nem mesmo as cidades serão atrativos para uma vida nova? Onde, então, buscar uma nova vida e novas oportunidades?

Lembremo-nos de que Jesus Cristo morreu e ressuscitou em Jerusalém, cidade cosmopolita do seu tempo. O Cristianismo primitivo desenvolveuse nas cidades. As cartas escritas e contidas no Novo Testamento, na Igreja primeva, foram direcionadas para os habitantes das cidades. Como cristãos, precisamos juntos, agora e sempre, encontrar soluções para o hoje da História e para responder assertivamente aos homens e mulheres do nosso tempo.

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