Presente de Natal

Sergio Ricciuto Conte

Amanheci pensando no presente de Natal. De imediato, vislumbrei as luzes que enfeitam as ruas e lojas. De pronto, voltei aos tempos da infância. Encontrar a árvore para ser enfeitada com bolas coloridas e cintilantes e a montagem do presépio. As festividades de fim de ano, de fato, nos remontam aos momentos felizes e ao encontro em família. Natal e Ano Novo são tempos oportunos e gratificantes.

Diante dos devaneios dos enfeites natalinos e da preocupação com os presentes, eu me fiz algumas perguntas: Como vamos celebrar o Natal este ano? Como podemos felicitar nossos amigos num ano marcadamente diferente? Como tornar presente a alegria do encontro em um período em que houve tantos desencontros?

Terminamos 2019 com tantos sonhos em meio ao colorido das luzes e do frenesi dos transeuntes. Iniciamos 2020 com foco nas melhores realizações. Projetamos esperanças e mergulhamos de cabeça, para que o novo ano trouxesse melhores dias. Os primeiros meses foram sequenciados de um porvir. Entramos em março com a decretação da pandemia da COVID-19, e tudo se modificou. Os planos foram se diluindo frente ao caos epidemiológico, acompanhado de uma crise financeira avassaladora.

Estamos presentes no mundo e não podemos fugir da realidade. Os meses que se seguiram de março aos nossos dias se tornaram angustiantes e tenebrosos. Alguns dos nossos compromissos foram mantidos, e muitos precisaram ser adaptados. A era digital chegou fortemente, possibilitando a alguns o home office e o estudo remoto, enquanto uma parcela enorme da população perdeu seus postos de trabalho ou tiveram sua renda diminuída. Muitos estudantes, os mais vulneráveis, não conseguiram bons resultados educacionais, por falta das ferramentas essenciais.

Diante da realidade pela qual todos nós estamos passando, como pensar o presente e o futuro da nossa geração. Devemos ver os acontecimentos com as mãos cruzadas? Devemos permanecer imóveis? Muitas ações humanitárias aos mais necessitados foram realizadas ao redor do mundo. A caridade cristã mostrou-se atuante nas nossas cidades e, principalmente, nas paróquias e associações católicas. Precisamos continuar nossas atividades humano-cristãs.

Temos ouvido que a COVID-19 vai permanecer conosco por um longo tempo. Vamos ter de conviver com esse vírus mortal e projetar um futuro de prevenção e cautela, para permanecermos vivos e ajudar os mais necessitados a se protegerem e garantirem a sobrevivência.  

Mas, de fato, eu amanheci pensando no presente de Natal. Qual a lembrança que devemos trocar com os nossos amigos neste Natal de 2020? O melhor para todos nós é nos voltarmos ao real motivo da festividade: o verdadeiro significado do Natal é lembrarmos e celebrarmos o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há exatos 2020 anos o Salvador da humanidade nasceu numa manjedoura, para nos salvar. Aos poucos, fomos substituindo Jesus Cristo pelas árvores e ruas reluzentes e as trocas de presentes.

Podemos sim manter nossas alegrias do tempo da infância e assegurar os sonhos das crianças de hoje. Devemos arrumar as árvores coloridas e montar o presépio em família. Verdadeiramente, o melhor presente para o Natal de 2020 é celebrar o nascimento do Redentor: “Eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: nasceu-vos hoje o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).

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