Maio Amarelo: um trânsito mais seguro é possível com a prática de boas virtudes

Iniciativa busca conscientizar para o alto índice de mortes e feridos no trânsito. Prudência, respeito e paciência são atitudes que não devem ser esquecidas ao volante

Maio Amarelo: um trânsito mais seguro é possível com a prática de boas virtudes, Jornal O São Paulo
Maio Amarelo 2021

Com o tema “Juntos salvamos vidas”, a campanha Maio Amarelo 2022 tem por objetivo conscientizar a população sobre a necessidade de se reduzir acidentes de trânsito e evitar mortes. 

O Movimento Maio Amarelo é mundial e acontece desde 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. 

A cor amarela é uma referência ao sinal do semáforo, que simboliza a atenção para a causa. A iniciativa tem a participação de órgãos governamentais e diversas organizações. Também é ocasião oportuna para se ressaltar os aspectos do documento “Diretrizes para o cuidado para a Pastoral da Estrada”, lançado em 2007 pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, cuja íntegra pode ser lida neste link

Ao longo deste mês, estão sendo realizadas ações de fiscalização e educativas para conscientizar pedestres, motoristas e passageiros de transportes coletivos em rodovias e vias municipais sobre o trânsito seguro. 

MORTES EM ESTRADAS 

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, em 2020, foram registrados 63.578 acidentes nas rodovias federais, resultando em 71.511 pessoas feridas e 5.293 mortas. Em 2021, foram 64.518 acidentes, com 71.804 pessoas feridas e 5.393 mortas. 

Somente no primeiro trimestre de 2022 ocorreram 14.976 acidentes nas rodovias federais do Brasil, o que corresponde a 23% do total do ano anterior. Esses acidentes resultaram em 17.115 pessoas feridas e 1.283 mortas. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, lançou o Plano Global para a Década de Ação para Segurança Viária 2021-2030, com o objetivo de reduzir em até 50% o total de mortes e sequelas no trânsito nos próximos dez anos, em âmbito mundial. 

A expectativa é de que a campanha Maio Amarelo contribua para a redução do índice de vítimas no trânsito. 

AÇÕES CONCRETAS 

Em âmbito nacional, a Polícia Rodoviária Federal iniciou ações com campanhas educativas nas redes sociais, com foco na educação para o trânsito e ações relacionadas durante as fiscalizações nas rodovias federais de todo o Brasil. 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também aderiu à campanha junto com os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito, pautando o tema da segurança viária. 

O mês de ações concretas visa a mobilizar ações coordenadas entre o poder público e a sociedade civil. Propõe discutir o tema, nas mais diferentes esferas, além de engajar ações e propagar conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige. 

PROPORÇÕES 

Rafael Alexandro, 32, no início deste ano, ao retornar do trabalho, foi vítima da imprudência de um condutor embriagado. 

“Fui surpreendido por um carro que, em alta velocidade, não conseguiu desviar da minha moto. Foram dias de internação para a recuperação”, afirmou o jovem. “Parece óbvio, mas quero reafirmar: se beber, não dirija”, destacou. 

July Belchior, psicóloga, especialista em abordagem comportamental, enfatizou que o tema do Maio Amarelo procura levar a sociedade à reflexão sobre seu papel no trânsito: “É um mês dedicado à conscientização e a discussão não só do trânsito, mas sobre a responsabilidade em fazer um trânsito menos violento e mais seguro”, explicou. 

Ainda conforme a especialista, a ideia é mostrar que a soma dos esforços poderá ser compensadora. “Nossas ações cotidianas fazem a diferença. Todos podemos salvar vidas no trânsito se fizermos o que é correto, seguindo as regras com prudência e temperança”, afirmou. 

A psicóloga destacou que a alta nas ocorrências no trânsito, muitas vezes, é resultado da pressa, falta de atenção e, ainda, uso indevido de celular entre outras situações, e que, diante disso, é fundamental a psicoeducação: “É preciso uma consciência educativa, aliando a educação comportamental e psicológica, pois unindo as duas é possível conscientizar, salvar vidas e diminuir acidentes”, sublinhou. 

VIRTUDES DO MOTORISTA 

O documento “Diretrizes para o cuidado para a Pastoral da Estrada” apresenta as virtudes que jamais devem ser esquecidas pelo motorista no trânsito, como a prudência, que envolve não se distrair ao volante com o celular ou a tevê portátil, nem andar em velocidade excessiva ou desviar a atenção com conversas (cf. parágrafos 52 e 53); a paciência, sendo preciso “dominar uma impaciência muitas vezes bastante natural, sacrificando por vezes um pouco do seu sentido de honra para fazer triunfar a gentileza, que é um sinal de verdadeira caridade” (parágrafo 8); e a justiça, o que requer ter um conhecimento completo exato do código de trânsito, estar em boas condições físicas e psicológicas para dirigir, jamais sentar-se ao volante embriagado e reparar eventuais prejuízos que possa causar ao próximo (cf. parágrafos 54 e 55). 

O documento também destaca o fenômeno da mobilidade humana: “A estrada e a ferrovia devem estar a serviço da pessoa humana como instrumentos para facilitar a vida e o desenvolvimento integral da sociedade. O deslocamento une as pessoas, facilita o diálogo, dá lugar a processos de socialização e enriquecimento pessoal” (parágrafo 2). 

O ato de dirigir ou conduzir um veículo exige do condutor algumas qualidades concretas e específicas, entre as quais: controle de si, a prudência, a cortesia, um adequado espírito de serviço e o conhecimento das normas do código de trânsito. 

A esperança é, também, elemento fundamental, uma vez que quem parte tem a esperança de chegar bem ao destino. “Para os fiéis, a razão de tal esperança está na certeza de que, na viagem em direção à meta, Deus caminha com o homem e o preserva dos perigos”, cita o documento, no parágrafo 57. 

Entre os mandamentos, evidencia-se: não matarás ao volante, ajudarás o próximo, principalmente se for vítima de um acidente, convencerás os jovens sem licença a não dirigir, e que o automóvel não seja um lugar de dominação nem lugar de pecado. 

Transito e

PASTORAL DA ESTRADA 

Com o referido documento, a Igreja quer suscitar uma renovada tomada de consciência das obrigações inerentes à Pastoral da Estrada e da responsabilidade moral sobre as transgressões no trânsito a fim de prevenir as fatalidades. 

As Diretrizes ressaltam, ainda, a importância da obrigatoriedade das normas de trânsito e acrescenta que “a maior parte dos acidentes é provocada precisamente pela imprudência”. 

“Os automobilistas [aqui no sentido de motoristas] não podem contar somente com sua própria vigilância e habilidade para evitar os acidentes, mas devem manter uma justa margem de segurança, se quiserem eles mesmos libertar-se dos imprudentes e remediar as dificuldades imprevisíveis”, ressalta o parágrafo 43 do documento. 

Há, ainda, um chamado a se criar uma “Cultura da Estrada”, na qual todos se comprometam a cumprir o código de trânsito, compreendendo os direitos e deveres de cada um e tendo, a partir destes, um comportamento coerente.

DECÁLOGO DO BOM MOTORISTA
O Documento “Diretrizes para o cuidado para a Pastoral da Estrada” apresenta também um "decálogo" em analogia aos Dez Mandamentos. Leia a seguir:
 

1) Não matar. O veículo é instrumento a serviço da vida e do progresso. Ao usá-lo se deve respeitar as leis do trânsito para que isto aconteça.

2) A estrada e a rua devem ser para você instrumentos de ligação e comunhão entre as pessoas e não local de risco de vida. As estradas são construídas para aproximar as pessoas. Não de morte.

3) Cortesia, correção e prudência para te ajudar a superar os imprevistos. No trânsito, é preciso manter o clima de respeito e amor ao próximo.

4) Ajudar o próximo, principalmente se for vítima de um acidente. Amor e justiça são princípios indispensáveis para a convivência humana.

5) Que o automóvel não seja um lugar de dominação e nem lugar de pecado. O bom uso do carro depende das boas intenções do motorista: o que se passa no coração se expressa nas relações.

6) Convencer os jovens sem licença a não dirigir. Se beber bebida alcoólica, não dirija! O bom senso nos ensina a reconhecer nossos limites.

7) Dar apoio às famílias que tenham parentes vítimas em acidentes.

8) Reúna-se com a vítima com o motorista agressor em um momento oportuno para que possa viver a experiência libertadora do perdão.

9) Na estrada e na rua proteja a vida dos mais vulneráveis. 

10) Você é o responsável pelos outros.

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