Chefe de Direitos Humanos da ONU chega ao Haiti para reuniões com governo e sociedade civil

Volker Turk visita país que sofre com crise econômica, ondas de violência, fome e cólera; gangues de rua dificultam chegada de ajuda humanitária e violam direitos humanos; agências pedem US$ 715 milhões para atender haitianos.

Pessoas protestando nas ruas de Port-au-Prince no Haiti – UNICEF/Roger LeMoyne and U.S. CDC

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, chega ao Haiti nesta quarta-feira para uma viagem oficial de dois dias no Haiti.

A convite do governo, ele se reúne com altos funcionários das áreas de justiça e segurança além de representantes do Judiciário.

Capital do Haiti, Porto Príncipe
Capital do Haiti, Porto Príncipe – UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez

Agenda no Haiti

O chefe dos Direitos Humanos também deve se encontrar com membros de organizações da sociedade civil e vítimas de violações de direitos humanos na capital Porto Príncipe.

Turk visitará Ouanaminthe, no nordeste do Haiti, onde encontrará autoridades locais e integrantes da sociedade civil.

No final de sua missão, nesta sexta-feira, ele falará a jornalistas, em Porto Príncipe, para fazer um balanço da viagem e responder perguntas.

Gangues de rua e violência

A visita de Volker Turk acontece em meio a uma crise no Haiti, com ondas de violência e o aumento nos casos de cólera.

Na segunda-feira, em seu discurso anual na Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral António Guterres destacou que as gangues de rua “mantêm todo o país como refém”.

De acordo com a chefe da missão da ONU no Haiti, Helen la Lime, a instabilidade está revertendo avanços cruciais de segurança e desenvolvimento feitos desde 2010, quando o país sofreu um terremoto arrasador.

Segundo ela, gangues criminosas usam da violência como uma estratégia para oprimir a população. Somente no ano passado, houve mais de 1,3 mil sequestros no Haiti e 2,1 mil pessoas foram assassinadas.

No mês passado, La Lime falou ao Conselho de Segurança e destacou os níveis crescentes de violência das gangues e as dificuldades das forças policiais no enfrentamento.

Com a escalada de violência, o Conselho aprovou a prolongação do mandato do Escritório Integrado da ONU no Haiti, Binuh, por um ano, até 15 de julho de 2023.

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk
Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk – World Economic Forum/Sandra Blaser

O que está acontecendo no Haiti?

A crise no Haiti vem se agravando desde 2021, após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho e um terremoto de 7.2 graus de magnitude atingiu o país.

A ilha caribenha sofre com inflação crescente e o terceiro ano consecutivo de recessão econômica.

O país iniciou os processos para realizar eleições até fevereiro de 2024. Atualmente, o primeiro-ministro Ariel Henry ainda lida com a questão migratória, já que muitos haitianos estão fugindo da violência.

Em setembro, na Assembleia Geral da ONU, ele declarou que seu governo acontece em um momento de “insegurança intolerável” que também foi marcado pelo declínio das instituições públicas.

Na plenária, ele refirmou que seu grande objetivo é encontrar justiça para o assassinato de Jovenel Moïse.

Crise humanitária

Segundo o Escritório para Assuntos Humanitários da ONU, Ocha, as necessidades humanitárias no Haiti cresceram em 2022 e a tendência é que aumentem ainda mais em 2023.

Quase 5 milhões de haitianos passam fome e, pela primeira vez na história, o Ocha afirma que gangues armadas controlam vias de acesso estratégicas no país e na capital, Porto Príncipe.

Eles também estão cometendo abusos graves, incluindo violência sexual e de gênero em larga escala, forçando comunidades inteiras a fugir.

A estimativa da ONU é que enquanto essa crise complexa perdurar, o número de pessoas que precisarão de assistência humanitária deve chegar a 5,2 milhões, acima dos 4,9 milhões de pessoas em 2021. As agências humanitárias estão pedindo US$ 715 milhões para responder.

Fonte: ONU

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