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Leão XIV na Sagrada Família: não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra

Na Basílica da Sagrada Família, “uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz”, o Papa enfatizou que “não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria”. “Recordemos nesta tarde que a Cruz de Cristo que coroa esta basílica”, afirmou o Pontífice, “é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros, dos pecadores que se tornam santos, dos mortos que ressuscitarão”.

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Vatican Media

O Papa Leão XIV presidiu a missa na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, na tarde desta quarta-feira, 10 de junho, onde inaugurou a Torre de Jesus Cristo. A celebração eucarística assinalou também o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.

A construção da Basílica da Sagrada Família começou em 1882, a partir do projeto do arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar (1828-1901), mas foi Gaudí quem, a partir de 1883, lhe traçou um novo destino. É um dos símbolos distintivos da identidade de Barcelona, ​​reconhecida mundialmente e visitada por milhões de pessoas.

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A vida cristã é sempre um caminho

«Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!» Com este versículo do Salmo 8 o Santo Padre iniciou sua homilia na Basílica da Sagrada Família que “acolhe-nos nesta bela cidade”, convidando-nos “a escutar a Palavra de Deus, que nos constitui numa família amada pelo Senhor, alimentada pela sua própria vida na Eucaristia”.

“Esta igreja é um edifício único, constituído por muitas pedras. Uma casa que cresce continuamente ao longo dos anos, seguindo um mesmo projeto. Todos nós somos as pedras vivas desta obra, que tem Cristo como fundamento e ápice, princípio e fim. Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus.”

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“Não habitamos, portanto, uma obra inacabada, mas um templo ainda em construção. A sua imperfeição não é um defeito, pois testemunha um desejo; não significa uma falta, mas expressa uma promessa que queremos honrar com coerência. A nossa gratidão transforma-se, assim, em compromisso, ao mesmo tempo que cooperamos no projeto de Deus, ou seja, na edificação para a qual Ele mesmo nos chama. Uma vez que somos templo do Espírito Santo, esta obra coincide com a nossa vida, que Deus concebe como uma obra-prima que devemos realizar juntos e para a qual nos chama a colaborar com Ele”, disse ainda o Papa.

O Santo Padre disse que a Sagrada Escritura nos ensina que a vontade do Pai “cumpre-se através de Jesus”. Cristo “deseja para nós o bem definitivo, eterno”.

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Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre

“Perante a ameaça do mal, o Senhor está sempre conosco, sempre a nosso favor. “Eu sou”: este é o Santíssimo Nome que Deus revelou a Moisés na sarça ardente, revelando a sua fidelidade inabalável”, frisou o Papa Leão, acrescentando:

“Feito homem, Ele torna-se para nós o Emanuel, fonte de graça, perdão, salvação e vida nova. Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria. Por isso, recordemos nesta tarde que a Cruz de Cristo que coroa esta basílica, é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros, dos pecadores que se tornam santos, dos mortos que ressuscitarão.”

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“Ao admirar a torre de Jesus Cristo, elevamos o olhar para Ele, para Aquele que nos revela apenas a verdade de Deus e a verdade de nós mesmos. Olhando para Cristo, podemos ver o mundo com olhos renovados: a torre da cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança. Na cruz de Jesus, a nossa fé atinge o seu ápice. Esta cruz brilha de dia, refletindo a luz do sol, e brilha de noite, iluminando a cidade como um farol aberto para o Mediterrâneo”, frisou o Papa.

Antoni Gaudí, arquiteto ardente de fé

Segundo Leão XIV, “a fé dá forma às pedras e sentido ao edifício que habitamos juntos. Na nossa oração, portanto, descobrimos o vínculo originário das coisas com Deus, criador do céu e da terra: Ele é o artista que imprimiu o seu esplendor no cosmos. Criado à sua imagem, o homem responde à obra de Deus com a sua própria criatividade: é assim que o artista converte o talento em louvor e a criatividade em testemunho do próprio Criador”.

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“Como arquiteto ardente de fé, o venerável Antoni Gaudí concebeu estes espaços com o desejo de narrar os mistérios da vida do Senhor: assim, propôs uma peregrinação espiritual, que conduz ao encontro com Cristo nascido, morto e ressuscitado por nós. Esta tarde, com Gaudí, de quem recordamos o centenário da morte, lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz.”

Aprender com o Senhor a arte de viver o seu Evangelho

“Na sua sabedoria”, disse ainda o Papa, “a Igreja renova assim a Biblia pauperum das antigas catedrais, que são, em si mesmas, mensagens de evangelização de grande riqueza. Nesta era da imagem, é ainda mais evidente como a arte e a beleza são canais eminentes de evangelização”.

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De acordo com Leão XIV, a beleza da Basílica da Sagrada Família “anima-nos a aprender cada vez mais com o nosso Mestre e Senhor a arte de viver segundo o seu Evangelho. Enquanto levantamos o olhar para Ele, o Crucificado Ressuscitado, comprometamo-nos a erguer o rosto daqueles que jazem no pó”.

O Papa concluiu, convidando a demonstrar “que a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo”.

Fonte: Vatican News

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