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Vetos do presidente da Polônia a projetos de lei sobre união civil bloqueiam o reconhecimento e a ampliação dos direitos de casais não casados

Vetos do presidente da Polônia a projetos de lei sobre união civil bloqueiam o reconhecimento e a ampliação dos direitos de casais não casados - Jornal O São Paulo
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O presidente polonês, Karol Nawro­cki, vetou dois projetos de lei que con­cederiam reconhecimento legal a casais não casados, incluindo parceiros do mesmo sexo. A decisão bloqueia uma legislação que, segundo seus defenso­res, proporcionaria proteção legal prá­tica para milhares de casais, enquanto seus oponentes a viam como uma ten­tativa de introduzir uniões civis que poderiam enfraquecer o status consti­tucional do casamento.

“Como guardião da Constituição, não posso aceitar uma solução que leve à perda do estatuto especial do casamento, definido no Artigo 18º da Constituição como a união entre um homem e uma mulher, sob a proteção e o cuidado da República da Polônia”, afirmou.

Nawrocki argumentou que aprovar a legislação contornaria, na prática, as intenções dos cidadãos que adota­ram a Constituição. Ele afirmou que não queria criar estruturas jurídicas alternativas que, em sua opinião, re­plicariam o casamento sob um nome diferente, citando exemplos de outros países, incluindo a Espanha. Ele sem­pre se opôs a qualquer acordo que, em sua avaliação, simulasse um casamen­to, e considera que os acordos propos­tos corriam o risco de diminuir seu status jurídico e constitucional único.

Segundo a legislação, uma nova categoria jurídica, conhecida como “pessoa mais próxima”, seria criada por meio de acordos assinados pe­rante um notário e registrados no re­gistro civil. O objetivo do arcabouço legal era proporcionar segurança ju­rídica a pessoas que vivem juntas sem serem casadas.

Os arranjos propostos concede­riam aos participantes uma série de direitos atualmente associados aos cônjuges, o que incluía a possibili­dade de possuir bens em conjunto, apresentar declarações de impostos conjuntas, ter acesso aos registros médicos do parceiro, beneficiar-se de isenções de impostos sobre herança e doações, e tomar decisões relativas aos arranjos funerários em caso de fa­lecimento do parceiro.

Os defensores dos projetos de lei enfatizaram que os acordos não se destinavam exclusivamente a casais com vínculos amorosos. Para ampliar o apoio político, especialmente em os membros mais conservadores da coalizão, a legislação também permi­tiu que tais contratos fossem celebra­dos entre parentes, amigos, vizinhos ou outros indivíduos com relações pessoais próximas.

O veto dá continuidade a um pa­drão no uso dos poderes presidenciais por Nawrocki em questões familiares. Em abril, ele bloqueou uma reforma que permitiria divórcios extrajudiciais perante os cartórios de registro civil. Na ocasião, argumentou que o casa­mento não deveria ser reduzido a um simples procedimento administrativo e afirmou que o papel do Estado era apoiar a estabilidade familiar, e não fa­cilitar o divórcio.

O veto mantém a posição da Polô­nia entre os poucos Estados-membros da União Europeia que não reconhe­cem legalmente nem as uniões civis nem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Juntamente com a Bul­gária, a Romênia e a Eslováquia, conti­nua a manter um quadro legal no qual os casais do mesmo sexo não têm aces­so ao reconhecimento formal da união estável.

Fontes: Euronews e Gaudium Press

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