Confira nossa versão impressa

Rosário: Uma coroa de rosas oferecida a Nossa Senhora

O jornal O SÃO PAULO dá continuidade à série de reflexões sobre os sinais da fé cristã

Rosário: Uma coroa de rosas oferecida a Nossa Senhora
La Virgen del Rosario (hacia 1720) – Domingos Martinez (Sevilla 1688 – 1949)

“A oração do Terço é a oração dos humildes e dos santos que, nos seus mistérios, com Maria contemplam a vida de Jesus, rosto misericordioso do Pai. E quanta necessidade todos temos de ser realmente consolados, de nos sentir envolvidos por sua presença de amor!”, disse Francisco no início do mês mariano.

O Rosário nasceu como oração “popular” no século XIII, em ambiente dominicano, para que todos pudessem rezar, mesmo os analfabetos. A origem do Terço remonta aos monges cristãos eremitas que usavam pedrinhas para contar suas orações vocais. Em 1328, segundo a tradição, Nossa Senhora apareceu a São Domingos, recomendando-lhe a reza do Rosário para a salvação do mundo.

O jornal O SÃO PAULO dá continuidade à série de reflexões sobre os sinais da fé cristã, a qual tem como referência o livro “Sinais de Vida – Quarenta Costumes Católicos e suas raízes bíblicas”, do teólogo Scott Hahn, da editora Quadrante. Neste artigo, vamos vivenciar a devoção do Rosário, cuja palavra significa “coroa de rosas” oferecidas a Nossa Senhora.

PREENCHA NOSSOS SENTIDOS

O Terço consiste na recitação de 50 Ave-Marias, intercaladas por cinco Pai-Nossos, assim mantidos desde o pontificado do Papa São Pio V (1566-1572), que deu a forma atual ao Terço. Cada Rosário era originalmente composto de três terços (150 Ave-Marias), até que, em 2002, São João Paulo II acrescentou mais um mistério, os Luminosos, com mais 50 orações, elevando esse número para um total de 200 Ave-Marias. Scott Hahn recorda em sua obra que no âmbito humano, o Rosário mobiliza a pessoa em sua totalidade.

Rosário: Uma coroa de rosas oferecida a Nossa Senhora
Luciney Martins/O SÃO PAULO

“Ele envolve nossa fala e nossa audição; ocupa nossa mente e nos inspira emoções; prescreve que façamos uso dos nosso dedos, os órgãos sensíveis do tato. Se rezamos diante de uma imagem sacra, alimentamos nossa meditação por meio de mais um sentido corpóreo. É assim que o Senhor ressuscitou confirma a fé dos seus discípulos: ‘Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede’ (Lc, 24,39). Não basta apenas ouvir sua voz, e menos ainda ler suas palavras. Queremos que ele preencha nossos sentidos.”

BEM-AVENTURADA

Segundo Scott Hahn, sempre que rezamos o Terço, cumprimos, pelo menos cinquenta vezes, a profecia feita pela Virgem Maria: “Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações” (Lc 1, 48).

“Chamamos a Virgem Maria de bendita, usando as palavras inspiradas da Sagrada Escritura. Dirigimo-nos a ela com a saudação do Anjo Gabriel: ‘Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco’ (Lc 1,28). Proclamamos seus privilégios, usando as palavras de sua parente Isabel: ‘Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre’ (Lc 1,42). É delicioso repetir essas palavras, pois elas são ricas de significado e vêm amplificadas pelas cenas do Evangelhos, que são o foco da nossa meditação”.

OS MISTÉRIOS

Rosário: Uma coroa de rosas oferecida a Nossa Senhora
Luciney Martins/O SÃO PAULO –

O Rosário é uma forma que permite variações, como o Terço das Sete Dores ou o Terço da Misericórdia, por exemplo. A Igreja oficialmente reconhece 20 acontecimentos (mistérios) apropriados que são divididos em cinco meditações:

Os Gozosos (a Anunciação [da Encarnação], a Visitação, a Natividade, a Apresentação e o Encontro no Templo); os Luminosos (o Batismo de Nosso Senhor, as Bodas de Caná, o Anúncio do Reino, a Transfiguração e a Instituição da Eucarístia na Santa Ceia); os Dolorosos (a Agonia no Jardim das Oliveiras, a Flagelação, a Coroação de Espinhos, a Condução da Cruz e a Crucificação); e os Gloriosos (a Ressurreição, a Ascensão, a Descida do Espírito Santo, a Assunção e a Coração de Nossa Senhora).

São João Paulo II sugeriu que que cada grupo de mistérios fosse associado a certos dias da semana: os mistérios Gozosos às segundas-feiras e sábados; os Luminosos, às quintas-feiras; os Dolorosos, às terças e sextas-feiras; e os Gloriosos às quartas-feiras e domingos.

FAMÍLIA QUE REZA UNIDA…

 “Ao rezar o Terço, ‘o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do Seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.” (São João Paulo II, carta apostólica Rosarium Virginis Mariae)

O Rosário também tem seu caráter missionário quando é rezado em grupo, nas famílias, nas comunidades, nas escolas e faculdades, no ambiente de trabalho, pois a familiaridade com o mistério de Cristo é facilitada pela oração do Rosário.

“O melhor lugar para rezar o Rosário é com a família. Quando o Padre Patrick Peyton disse: ‘Família que reza unida permanece unida’, falava do Rosário. O Papa João Paulo II foi um pregador incansável dessa devoção em família, chegando até a cunhar um termo para a Santa Virgem – Rainha das familias – que acabou por ser acrescentado ao fim da popular ladainha mariana”, concluiu Hahn.

O ROSÁRIO E OS PAPAS

Rosário: Uma coroa de rosas oferecida a Nossa Senhora
Vatican Media

Desde o século XIII, os Papas, em sua grande maioria, foram unânimes em pronunciar-se a favor do Rosário de Nossa Senhora. Desde o Papa Urbano IV (1261-1264) até o Papa Francisco, quase todos os sumos pontífices dirigiram loas ao Santo Rosário e o incentivaram vigorosamente.

O Pontífice que mais escreveu sobre o Rosário foi Leão XIII, e que, por isso foi, chamado de “Papa do Rosário”. Ao todo, o Santo Padre escreveu 44 documentos: “12 encíclicas, 18 cartas apostólicas, três decretos, uma constituição apostólica, uma audiência pública e, por fim, nove decretos de congregações romanas”.

“Queira Deus — é este um ardente desejo nosso — que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência”  (Papa Leão XIII, Carta Apostólica Iucunda Semper Expectatione).

Oração a Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário, intercedei em favor de todos os filhos de Deus, para que, pela oração do Santo Rosário, meditando os santos mistérios do nascimento, da vida, morte e ressurreição de Jesus, com a recitação das Ave-Marias, possamos, como discípulos de teu Filho, proclamar a Boa Nova do Reino do Pai; vencer todos os males e todos os pecados, e chegar, um dia, pela Paixão e cruz de Cristo, à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

(Com informações de A12 e Canção Nova)

Notícias relacionadas

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe!

Últimas Notícias

SP fecha último hospital de campanha para tratamento de covid-19

Os equipamentos utilizados serão doados para instituições assistenciais e unidades de saúde pública Com...

Arquidiocese terá paróquia em honra a Santa Dulce dos Pobres

No próximo sábado, 26, às 18h, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidirá...

Papa: cultura do descarte é um atentado contra a humanidade. ONU seja oficina de paz

Coronavírus, desigualdade, perseguição religiosa, armas, Amazônia e família: estes são alguns dos temas tratados pelo Papa Francisco...

Bíblia: alimento para a peregrinação dos filhos de Deus

Muitas pessoas afirmam ter dificuldade em ler e compreender as Escrituras, por não entender sua linguagem, símbolos e contextos. É por isso...

‘Economia de Francisco’: jovens dialogam com o Cardeal Scherer

Arcebispo de São Paulo participou de reunião virtual com três brasileiros integrantes ADCE que participam do evento internacional

Newsletter