Aliança de Misericórdia recebe aprovação definitiva na Arquidiocese

Padres Leandro Rasera e Rodrigo Custódio, da Aliança de Misericórdia, com o Cardeal Scherer e o Padre Everton, Chanceler da Cúria Metropolitana (Foto: Divulgação/Aliança de Misericórdia)

Os missionários da Aliança de Misericórdia estão em festa. No dia 14, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, aprovou as constituições e o estatuto definitivo dessa associação privada de fiéis que tem a missão de propagar o amor misericordioso de Deus, sobretudo aos mais pobres.

Fundado no ano 2000, o movimento eclesial nasceu da inspiração dos missionários italianos Padre Antonello Cadeddu, Padre João Henrique Porcu e a Irmã Maria Paola do Cordeiro Imolado. Após terem contato com a realidade das pessoas em situação de rua de São Paulo, reuniram alguns leigos para realizar um trabalho com o objetivo de restaurar a dignidade dessas pessoas.  

A Aliança de Misericórdia recebeu sua primeira aprovação temporária, em 2005, do então Arcebispo Metropolitano, o Cardeal Cláudio Hummes. Houve renovações em períodos seguintes até que este ano, após passar por revisões, recebeu a aprovação definitiva do Cardeal Scherer como uma associação privada de fiéis de direito diocesano e no âmbito civil como organização religiosa (leia o decreto nesta página).

Carisma

Em síntese, o carisma da Aliança de Misericórdia é testemunhar a misericórdia de Deus, que transforma os pecadores em santos e anunciadores da sua misericórdia. “Nós anunciamos a misericórdia a todas as pessoas, de forma especial aos mais pobres, desejando que essas pessoas, tocadas por esse carisma sejam transformadas e também se tornem anunciadores dessa misericórdia. Nós vamos às ruas, às favelas e bairros mais pobres ao encontro das pessoas que vivem uma situação de miséria para ajudá-las a resgatar a sua dignidade humana, para se tornarem homens e mulheres que também colaborem na missão da Igreja e na construção de uma sociedade melhor”, explicou o Padre Rodrigo Custódio Andrade Ramos, atual presidente da Associação.

(Foto: Divulgação/Aliança de Misericórdia)

A Aliança de Misericórdia reúne homens e mulheres de diferentes estados de vida, como sacerdotes, leigos consagrados pelo celibato, além de leigos solteiros e casados. Esses membros participam da associação em variados núcleos. O primeiro deles é a comunidade de vida, na qual os consagrados compartilham da experiência da vida comum em uma mesma casa, dedicados integralmente à missão.

Além disso, há os leigos que assumem o carisma do movimento a partir da sua realidade local, como é o caso das famílias e jovens profissionais, participando da vida das paróquias e outras atividades eclesiais. 

Organização 

Irmã Maria Paola faleceu em 2009, vítima de câncer. Em 2015, os padres  fundadores decidiram fazer uma transição da autoridade da comunidade ainda em vida para a atual presidência, que além do Padre Rodrigo Custódio conta com o Padre Evandro Henrique Torlai e a Irmã Mary de Calcutá.

Atualmente, a Aliança de Misericórdia tem 10 mil membros espalhados por 40 cidades do Brasil e em sete países.

O casal Ana Beatriz (Bia) e Fernando Hauptmann conheceram a Aliança de Misericórdia em 1999, quando ainda era um sonho no coração dos fundadores. “Nós participávamos das reuniões do primeiro grupo, de cerca de dez pessoas. Ainda não compreendíamos bem o que estava acontecendo, mas já nos sentíamos atraídos para essa obra”, relatou Bia, que hoje é responsável pela gestão dos projetos da Associação e seu desenvolvimento institucional.

“Nós fomos como que gerados por esse carisma, fizemos uma forte experiência o amor de Deus em nossas vidas e o desejo de propagar essa experiência para mais pessoas”, enfatizou a missionária, acrescentando que o que mais atrai na associação é a missão de ser “ponte” e “elo” entre as pessoas.

“A Aliança deseja unir os pobres e os ricos, o centro e a periferia, pois a misericórdia de Deus alcança a todos”, completou Hauptmann.

(Foto: Divulgação/Aliança de Misericórdia)

Missão

Em São Paulo, as principais frentes de missão da associação é o trabalho pastoral realizado na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, templo histórico da cidade que permanece aberto 24 horas com celebrações, atendimentos de fiéis e adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento.

No centro da capital paulista também acontece o trabalho missionário com as pessoas em situação de rua, com destaque para a região conhecida como Cracolândia. O movimento possui, ainda, a Casa Restaura-me, no bairro do Brás, onde são atendidas diariamente cerca de 450 pessoas em situação de rua.

A casa-mãe da Associação está localizada no sítio Botuquara, no extremo Noroeste da cidade, onde acontece a formação dos jovens missionários e há um centro de evangelização para a realização de retiros e encontros. Nesse bairro, o movimento promove serviços de solidariedade para as famílias mais necessitadas.

Padre Rodrigo afirmou ao O SÃO PAULO que o reconhecimento definitivo da Aliança de Misericórdia é um grande presente se Deus e da Arquidiocese de São Paulo. “Nestes 21 anos de existência, nosso carisma foi testado e provado. Esse reconhecimento definitivo é como um selo da Igreja que confirma sua autenticidade para continuar a realizar a sua missão”, afirmou.

Padre Antonello e Padre João Henrique, na Comunidadedo Moinho, no centro de São Paulo (Foto: Divulgação/Aliança de Misericórdia)

 

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