Catequese: caminho que leva ao encontro com Cristo

Cardeal Scherer participa de live com catequistas da Arquidiocese de São Paulo (reprodução da internet)

No último domingo do mês de agosto, a Igreja recorda a vocação dos catequistas. Para comemorar a data, a Comissão de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese de São Paulo realizou uma série de encontros virtuais, que foi concluída com uma live, no sábado, 28 de agosto, com a participação do Cardeal Odilo Pedro Scherer e catequistas das paróquias e comunidades.

O Arcebispo de São Paulo ressaltou a missão indispensável dos catequistas para a evangelização e a transmissão da fé. Em seguida, refletiu sobre o ministério do catequista, que, embora tenha sido instituído oficialmente pelo Papa Francisco em maio, por meio da carta apostólica Antiquum ministerium, trata-se de um dos serviços mais antigos da Igreja.

Na Bíblia 

Dom Odilo recordou algumas referências bíblicas desse ministério, indicando o caráter catequético da pregação de Jesus e lembrando que, já no Antigo Testamento, havia os estudiosos das Sagradas Escrituras que se dedicavam a ensinar o povo sobre a Lei de Deus.

O Evangelho segundo São João, por exemplo, mostra o Apóstolo São Filipe como um modelo de catequista, quando, ao encontrar Natanael, lhe diz: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e, também, os profetas, Jesus de Nazaré, o filho de José”. Natanael, por sua vez, manifesta incredulidade, questionando se poderia vir algo bom de Nazaré. Filipe, então, responde: “Vem e vê”.

“Filipe contagia seu amigo com seu testemunho. Ele faz uma evangelização. Em um primeiro momento, não é bem-sucedido… Mas dá o segundo passo de um catequista, levando Natanael ao encontro com Jesus”, afirmou o Cardeal, completando que, ao ser interpelado pelo próprio Cristo, Natanael professa: “Tu és o Filho de Deus”.

Dom Odilo salientou que, assim como Filipe, o catequista é aquele que teve um verdadeiro encontro com o Senhor e, por isso, está tomado pelo “ardor da fé”. “Catequese: caminho pedagógico que leva ao encontro com Deus por meio de Jesus”, sintetizou.

Encontro de catequese paroquial (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO/Arquivo)

Na Igreja

O Cardeal Scherer afirmou, ainda, que a Catequese não é obra apenas de uma pessoa isolada, mas a comunidade de fé. “O sujeito da Catequese é a Igreja. É a partir do tesouro e do patrimônio da fé, do testemunho cristão, que se evangeliza”, enfatizou.

O Arcebispo reforçou que a Catequese é um serviço “pedagógico”, que educa as pessoas na fé, e, também “mistagógico”, isto é, que introduz o cristão na vivência dos sagrados mistérios. “A Catequese não é igual à aula de Ensino Religioso, de História ou de Ciências. É um ministério que educa e introduz no mistério da fé”, frisou. 

Outro aspecto sublinhado por Dom Odilo é que, ao longo da história da Igreja, em vários momentos de crise da fé, foi dado um novo impulso para a Catequese, confirmando a importância dessa missão para o sustento da vida cristã.

Ministério

Referindo-se ao ministério de catequista, Dom Odilo explicou que a Santa Sé publicará em breve um rito próprio para sua instituição, assim como as conferências episcopais elaborarão um itinerário formativo, com os critérios normativos para o exercício desse ministério.

O Arcebispo manifestou sua admiração pelos catequistas que generosamente dedicam seu tempo para esse ministério, em meio ao  cansaço da vida cotidiana,  desempenhando-o com muito amor.

Fazer ecoar a fé 

A palavra catequese vem do latim catechesis que, por sua vez, vem do grego catechesis e significa “fazer ecoar aos ouvidos”. Nesse sentido, no âmbito cristão, catequizar é fazer ecoar o Evangelho de Jesus Cristo na vida das pessoas.

Ao longo dos séculos, esse serviço se manifestou de várias formas, desde o processo catecumenal de iniciação cristã dos adultos para os sacramentos, passando pela instrução na doutrina da fé dos fiéis no período escolástico ou pela preparação de crianças, adolescentes e jovens para os sacramentos da Eucaristia e da Confirmação (Crisma).

Nas últimas décadas, especialmente após o Concílio Vaticano II, retomou-se a dimensão da chamada Catequese de inspiração catecumenal, como processo de iniciação à vida cristã permanente.

Elevada ao grau de ministério, a catequese é um dos serviços mais antigos da Igreja (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO/Arquivo)

‘Inteligência do mistério’

Na exortação apostólica Catechesi tradendae (1979), São João Paulo II afirma que a Catequese ajuda a “desenvolver a inteligência do mistério de Cristo à luz da Palavra… aprende cada vez melhor a pensar como Ele, a julgar como Ele, a agir em conformidade com os seus mandamentos e a esperar como Ele nos exorta a esperar”.

O Papa Wojtyla acrescenta que a Catequese ajuda no amadurecimento do cristão que, “após ter aceitado, pela fé, a pessoa de Jesus Cristo como único Senhor e após lhe ter dado uma adesão global, por uma sincera conversão do coração, se esforça por melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo, ao qual se entregou: conhecer o seu ‘mistério’, o Reino de Deus que Ele anunciou, as exigências e promessas contidas na sua mensagem evangélica e os caminhos que Ele traçou para todos aqueles que o querem seguir”.

Nesse sentido, não apenas os encontros de preparação para os sacramentos são considerados catequéticos, mas outros momentos de formação da vida eclesial, como escolas da fé, cursos bíblicos, palestras, tertúlias, meditações ou pregações. Outros exemplos são encontros realizados por padres com seus fiéis para aprofundar temas da doutrina cristã, como os que os papas fazem nas audiências das quartas-feiras, no Vaticano, que inclusive, são chamados catequeses.

Para toda a vida

Aos 42 anos, Padre João Paulo Rizek enfatiza a Catequese como algo que, de fato, ecoa na sua vida cristã e no seu ministério sacerdotal.

O mais novo de três irmãos, ele, quando ainda não era alfabetizado, participava de uma pré-Catequese na Paróquia Santa Generosa, na zona Sul. Depois, iniciou a preparação para a primeira Comunhão. Em seguida, participou da Cruzada Eucarística por dez anos.

“Foi uma Catequese que rendeu muitos frutos positivos. Durante a Faculdade de Teologia, muitas vezes me recordava de coisas que a catequista havia me ensinado e que me ajudaram muito, inclusive, a passar nos exames mais difíceis. Porque, quando a Catequese é bem explicada, entende-se toda a estrutura da Teologia”, disse o Sacerdote, recordando com carinho seus catequistas.

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