
A Arquidiocese de São Paulo reuniu mais de 200 catequistas de todas as regiões episcopais para a primeira formação dos ministros da Catequese, realizada na manhã do sábado, 30 de maio, no Centro Pastoral SãoJosé, na Região Belém.
O Padre Paulo César Gil, Assistente Eclesiástico do Grupo de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese, afirmou ao O SÃO PAULO que a iniciativa é parte do projeto de formação permanente dos ministros da Catequese da Igreja em São Paulo.
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“É muito importante que o ministro da Catequese cultive uma vida de oração, espiritualidade e compromisso com a comunidade. Também é fundamental que participe, sempre que possível, das formações oferecidas pela Arquidiocese, pois elas contribuem para sua atualização e ajudam a manter viva a motivação para o exercício do ministério”, destacou Padre Paulo, informando, ainda, que mais um grupo de catequistas já concluiu a formação na Escola Bíblico-Catequética São José de Anchieta e, em breve, receberá o ministério da Catequese.

DIRETRIZES PARA A MISSÃO
Durante o encontro, Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa e Referencial arquidiocesano para a Animação Bíblico-Catequética, detalhou que o Diretório Arquidiocesano da Catequese, publicado em abril deste ano, reúne normas, orientações e diretrizes pastorais que visam a fortalecer, orientar e unificar a ação catequética na Arquidiocese. Também recordou que o documento apresenta orientações objetivas para que a iniciação à vida cristã ocorra em comunhão com a realidade paroquial em que os catequistas estão inseridos.
O Cardeal Odilo Pedro Scherer conduziu a primeira reflexão da manhã formativa. O Arcebispo Metropolitano afirmou que o Diretório Arquidiocesano da Catequese não inaugura um novo caminho, mas busca oferecer orientações e diretrizes para fortalecer uma missão que já vem sendo realizada nas comunidades.

“Este Diretório é fruto de um longo processo de construção. Estamos muito felizes com a sua publicação, porque oferece orientações claras para toda a ação catequética da Arquidiocese. Este documento serve justamente para indicar caminhos e mostrar como devemos caminhar. Ele apresenta os objetivos da Igreja para a Catequese em São Paulo e orienta o trabalho desenvolvido em nossas comunidades”, explicou o Arcebispo.
Dom Odilo frisou ainda que “o ministério da Catequese é um serviço”. Também comentou que o encontro do último sábado foi muito aguardado, como uma oportunidade de formação e de fortalecimento do compromisso dos catequistas de caminhar e exercer a própria missão em comunhão com a Igreja.

A CATEQUESE E A NOVA EVANGELIZAÇÃO
O Arcebispo também compartilhou algumas das reflexões debatidas durante a Assembleia do Dicastério para a Evangelização, realizada no fim de maio, em Roma, da qual ele participou (leia mais na página 16).
Segundo o Cardeal Scherer, a Igreja em todo o mundo tem sido impactada pelas mudanças no comportamento dos fiéis. Entre os fenômenos observados estão o aumento expressivo do número de adultos que têm procurado o sacramento do Batismo. Essa realidade, conforme sublinhou, exige que a Catequese esteja cada vez mais preparada para promover uma autêntica iniciação à vida cristã.
O Cardeal também destacou o papel dos ministros da Catequese em um momento no qual a Igreja tem refletido sobre diferentes realidades e demandas pastorais, e se atentado à necessidade de renovar métodos e fortalecer a ação evangelizadora. Dom Odilo apontou que a Catequese desempenha um papel fundamental na transmissão da fé e na formação dos cristãos, contribuindo para que a Igreja responda aos desafios do presente sem perder de vista sua missão evangelizadora.

A ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA
A manhã de formação teve ainda uma palestra sobre o serviço vocacional do catequista, conduzida pelo Padre Luís Fernando da Silva, Secretário-executivo do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O Secretário-executivo afirmou que a vocação do catequista não se dá exclusivamente por um desejo pessoal, mas por um chamado de Deus, guiado pela ação do Espírito Santo. Por isso, não pode se limitar a um entusiasmo isolado, mas deve se concretizar em comunhão com a Igreja.
Ainda segundo o Padre Luís Fernando, o catequista não deve estar preocupado apenas com a transmissão de conteúdos programáticos, mas, sobretudo, em proporcionar uma experiência de encontro com Jesus Cristo. “Ao final do processo, o catequizando deve estar apaixonado por Jesus e disposto a viver em comunidade”, afirmou.

Fazendo memória das palavras do Papa Leão XIV durante o Jubileu dos Catequistas de 2025, o Sacerdote enfatizou que o catequista é, antes de tudo, uma testemunha da fé, um ministro que ensina sobre a Igreja por meio da própria vida: “Além de mestre, é alguém que anuncia o Evangelho, atua na pastoral e prepara os fiéis para a recepção dos sacramentos”.
“O ministério do catequista é um serviço nascido da Páscoa. A Catequese começa com Cristo vivo e com o coração vivo. Por isso, não podemos reduzir o catequista a um simples instrutor. A missão catequética exige oração, estudo e participação ativa na comunidade. O catequista deve deixar-se transformar pela realidade que encontra”, concluiu Padre Luís Fernando.
Claudete Amélia, 69, catequista na Paróquia São Felipe Néri, na Região Belém, esteve entre as participantes da manhã formativa. Atualmente, ela evangeliza 35 crianças em uma turma de Catequese, e ressaltou que o ministério catequético é uma prioridade em sua vida. Catequista há 20 anos, Claudete assegurou que, acima de qualquer dificuldade, o mais importante é acolher os catequizandos e conduzi-los ao encontro com Jesus.




