‘Marmitas do Bem – Orar&Ação’: iniciativa misericordiosa às pessoas em situação de rua

Proposta é combater a fome e dar assistência às pessoas em vulnerabilidade social da região da Luz e do Bom Retiro

Tatiana Barone

Criado em 2017, o projeto “Marmitas do Bem – Orar&Ação” é uma iniciativa liderada por Tatiana Barone, 41, tenente da Marinha do Brasil e cirurgiã-dentista. Sensibilizada com o drama da fome das pessoas em situação de rua, ela decidiu produzir em casa as marmitas e entregá-las, pessoalmente, com a ajuda dos filhos, Leonardo, 16, e Julia Ramires Barone, 13, e amigos voluntários.

Tatiana e os voluntários faziam a distribuição de marmitas e kits alimentares na região da Sé, com o apoio da Pároquia São Francisco de Assis, localizada no Largo de São Francisco, próximo à Faculdade de Direito da USP, onde entregavam 1,2 mil marmitas.

Por causa do crescente número de pessoas em situação de rua na região da Luz e do Bom Retiro, o Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, e o Mosteiro da Luz abriram suas portas para apoiar o projeto.

A distribuição das marmitas acontece no estacionamento das instituiçãos, localizado na Rua Jorge Miranda, 43, bem próximo à Avenida Tiradentes, às quintas-feiras, a partir das 18h30.

SACIAR A FOME

Todo o alimento é preparado por uma equipe de voluntários que colaboram com a tenente, figura bastante conhecida pelas pessoas que habitam as ruas do centro da capital.

“Eles conhecem o meu carro e, quando chego, é emocionante ver seus sorrisos. Espontaneamente se organizam em filas, e a gratidão, expressa no olhar, reafirma que a ação é uma forma de levar, além de comida, esperança”, destacou Tatiana.

A inspiração para o nome da ação é uma junção de oração e ação. “Na fé está a base da nossa atuação, como cristãos e filhos de Deus”, recordou a idealizadora.

O intuito da tenente é distribuir 600 marmitas, semanalmente, no pátio do MAS. “Estamos migrando do Largo São Francisco para o novo espaço. Não importa o local. A vulnerabilidade e a fome, infelizmente, nestes tempos sombrios, continuam a crescer e, lamentavelmente, é uma dura realidade que enfrentamos. Sinto como missão divina contribuir com o pouco que posso”, afirmou à reportagem.

Ela conta que, além dos ingredientes básicos, as marmitas são produzidas com pitadas de amor, generosidade, fé, doação, coragem, que brotam no coração dos voluntários e são escritas nas tampas das embalagens.

“Cada marmita leva um pouco da nossa essência e anseio de saciar a fome. Sinto que essa é uma missão que Deus plantou em meu coração e quero poder contribuir com quem precisa”, disse Tatiana, frisando que, com a marmita, é entregue um kit de lanches, refrigerante e uma sobremesa.

UNIDOS PELA SOLIDARIEDADE

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a partir de dados de 2019, mais de 24 mil pessoas estão em situação de rua na cidade, mas este número aumentou com o avanço da pandemia e os impactos econômicos por ela causados.

Padre José Arnaldo Juliano dos Santos, 70, Capelão do Mosteiro da Luz e Pároco da Paróquia São Cristóvão, ressaltou a realidade de pobreza e extrema vulnerabilidade na região.

O Pároco sublinhou que o entorno é permeado por realidades distintas: grande número de imigrantes bolivianos, paraguaios e peruanos, sendo que a grande maioria vive em condições abaixo da linha da dignidade; um bairro de muitas ocupações; pessoas em situação de rua; jovens e adolescentes nas ruas e inebriados com a drogadição e famílias numerosas em condição subumana.

“É uma região muito carente e que necessitada de ações pontuais como a ‘Marmitas do Bem’. A distribuição das marmitas é fundamental frente ao crescente número de vulneráveis”, disse, alertando para a necessidade de gestos concretos de caridade para alimentar quem está com fome.

Padre José Arnaldo destacou a urgência de políticas públicas capazes de reverter essa situação. “A Igreja precisa ser voz ativa na luta por políticas públicas em vista de oferecer condições necessárias e básicas para a dignidade humana”, concluiu.

UNIÃO DE ESFORÇOS

José Carlos Marçal, diretor executivo do MAS, assegurou que a parceria entre o Museu, o Mosteiro e o ‘Marmitas do Bem’ é uma ação que gera esperança, aquece a solidariedade, conforta e reaviva o sentido da vida.

“A fome está gritante nas ruas da capital e no País. Basta ver o número de pessoas nas filas em busca de um prato de comida, elemento básico de sobrevivência”, disse, ressaltando a importância da atuação do projeto social.

O MAS abraça a causa do projeto, oferecendo a infraestrutura (espaço, banheiros, segurança) e o suporte para o desempenho da ação com tranquilidade e sem violência ou qualquer intercorrência.

“Juntos somos mais fortes e, muito além de estender a mão, com um prato de comida, é um ato concreto de resgate da dignidade”, afirmou Marçal, destacando, ainda, que a parceria veio em um momento de pandemia, em que milhares de brasileiros perderam seu emprego e entes queridos que davam o suporte financeiro.

“Só quem está na linha de frente, atuando em prol do próximo, sabe a urgência de unir esforços para amenizar o sofrimento dos mais afetados pela desigualdade social”, pontuou.

SABOR E AMOR

João contou, entre uma garfada e outra, que a marmita é saborosa e nutritiva. “Na única refeição do dia, sinto que a comida é apetitosa e foi feita com amor”, afirmou. Ele que conhece Tatiana desde quando ela atuava na Praça da Sé.

Paulo passava em frente ao MAS, viu a ação e, com o sorriso no rosto, agradeceu o alimento do dia. “Deus coloca anjos em nossa vida para nos ajudar. Como é bom receber a comida”, disse, guardando o kit de lanches para o café da manhã, do dia seguinte.

CONHEÇA E PARTICIPE!

Para os que desejam contribuir com a causa, o MAS receberá doação de alimentos não perecíveis durante todo o seu período de funcionamento ao público, portanto, de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.

O projeto “Marmitas do Bem – Orar&Ação” enfatiza os pedidos de itens como molho de tomate, macarrão, arroz, óleo, feijão, bolacha, leite, açúcar e também itens de higiene pessoal.

Outra forma de colaborar é produzir as marmitas e às quintas-feiras, às 18h30, participar ou entregar aos voluntários no pátio do Museu, na Avenida Tiradentes, 676, Luz.

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