
A Arquidiocese de São Paulo comunica, com pesar, o falecimento do Cônego Helmo Cesar Faccioli, aos 77 anos, nesta segunda-feira, 31. Auxiliar do Cura da Catedral da Sé e membro do Cabido Metropolitano de São Paulo, o sacerdote estava internado no Hospital A.C.Camargo, na capital paulista, onde realizava tratamento contra um câncer.
Ao longo de cinco décadas de ministério presbiteral, completadas em fevereiro deste ano, Cônego Helmo construiu uma trajetória marcada pelo serviço pastoral, pela formação e, de maneira especial, pelo cuidado com a Liturgia, tornando-se uma referência nessa área na Arquidiocese de São Paulo.
Em breve serão divulgadas informações sobre o funeral, que ocorrerá na Catedral da Sé.
Cinco décadas a serviço da Igreja
Helmo Cesar Faccioli nasceu em Franca (SP), em 19 de novembro de 1948, filho de Hermenegildo e Alda Mariano Faccioli. Aos 16 anos, ingressou no seminário da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e foi ordenado presbítero em 22 de fevereiro de 1976.
Na Congregação, atuou como formador de seminaristas e exerceu por 18 anos a missão de Pároco da Paróquia Imaculado Coração de Maria, na Consolação, Região Episcopal Sé. Em 2013, foi incardinado na Arquidiocese de São Paulo.
Sua presença pastoral também se estendeu por mais de três décadas ao Colégio Santa Marcelina, em Perdizes, onde atuou como orientador religioso, e à Congregação das Irmãs de Santa Zita, em Higienópolis, da qual foi capelão.
Em fevereiro deste ano, a Catedral da Sé reuniu bispos, membros do Cabido Metropolitano, sacerdotes, religiosos e fiéis para celebrar os 50 anos de sua ordenação presbiteral. Na ocasião, o Cardeal Odilo Pedro Scherer recordou que eram “50 anos dedicados a Deus, à Igreja, ao serviço do Evangelho” e evocou a convivência com Cônego Helmo desde os tempos de formação teológica, em Curitiba (PR), quando já o admirava como um jovem “maduro, ponderado, calmo e objetivo”.
A serviço da Liturgia
Uma das marcas mais reconhecidas do ministério de Cônego Helmo foi o zelo pela Liturgia. Desde o arcebispado de Dom Cláudio Hummes, exerceu o serviço de cerimoniário da Arquidiocese de São Paulo, colaborando na preparação e condução de algumas das principais celebrações realizadas na Catedral da Sé.
Também foi assessor eclesiástico da Comissão Arquidiocesana de Liturgia. Na Catedral, onde atuava como Auxiliar do Cura desde 2017, seu cuidado com as celebrações tornou-se referência para sacerdotes, seminaristas e agentes de pastoral.
Em entrevista ao O SÃO PAULO, em 2024, por ocasião dos 70 anos da Catedral da Sé, explicou o sentido desse cuidado: “Nós nos esforçamos para primar uma liturgia bem celebrada. Isso não é só uma proposta, é um esforço que fazemos para que a liturgia seja celebrada digna, devida e divinamente”.
Ao longo dos anos, acompanhou de perto momentos significativos da história recente da Igreja em São Paulo, entre eles as celebrações do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em 2016; as exéquias do Cardeal Paulo Evaristo Arns, no mesmo ano; e ordenações episcopais realizadas na Catedral.
Para Cônego Helmo, a própria Catedral expressava uma dimensão teológica e pastoral que ultrapassava sua importância arquitetônica. Ele a definia como “um símbolo da fé do povo de São Paulo” e ressaltava sua condição de igreja-mãe da Arquidiocese e sinal da continuidade da vida da Igreja paulistana.
‘Servir ao Senhor com alegria’
Em agosto de 2023, Cônego Helmo foi nomeado pelo Cardeal Scherer para integrar o Cabido Metropolitano de São Paulo, sendo investido cônego em 3 de dezembro daquele ano.
Na ocasião, sintetizou o espírito com que procurava viver sua vocação: “‘Servir ao Senhor com alegria’ é o meu lema sacerdotal e na caminhada de cônego quero manter a alegria de ser padre, de servir ao Senhor, estando junto às pessoas”.
Esse mesmo lema esteve presente na celebração de seu jubileu sacerdotal, em fevereiro. Na missa, presidida por ele, Cônego Helmo vestiu a mesma túnica litúrgica confeccionada por sua mãe para sua ordenação, 50 anos antes.
Ao final, emocionado com a presença dos sacerdotes e fiéis, renovou publicamente o propósito assumido no início do ministério, inspirado no Salmo 99: “Quero servir ao Senhor com alegria todos os dias da vida”. E acrescentou: “Renovo o meu serviço”.
Poucos meses depois de celebrar meio século de sacerdócio, Cônego Helmo conclui uma trajetória marcada justamente por esse propósito: uma vida dedicada ao serviço de Deus, da Igreja e das pessoas, com particular zelo pela Liturgia e pela Catedral da Sé.





