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Na ExpoCatólica, O SÃO PAULO promove live sobre produção editorial católica na era da IA

Debater os desafios e oportunidades para a produção e comercialização de obras católicas diante do crescente impacto das redes sociais e da inteligência artificial (IA) no mercado editorial foi o assunto em destaque na live promovida pelo jornal O SÃO PAULO, na tarde da sexta-feira, 24, no estande da Arquidiocese de São Paulo na ExpoCatólica.

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Participantes da live promovida pela O SÃO PAULO na ExpoCatólica 2026 (fotos: Luciney Martins)

No encontro mediado pelo jornalista Daniel Gomes, redator-chefe do semanário arquidiocesano, representantes de editoras e autores trataram dos diferentes aspectos que envolvem a temática, entre os quais a preocupação com o resguardo dos direitos autorais, a necessidade de a Igreja marcar presença nas diferentes redes on-line, o papel dos editores em assegurar que os conteúdos produzidos com o suporte de ferramentas de IA sejam fidedignos e em conformidade com o magistério da Igreja.

Um dos aspectos centrais debatidos ao longo do programa foi como as produções católicas podem alcançar os públicos mais jovens, que têm demonstrado interesse crescente por livros impressos, mas nem sempre encontram obras em diferentes gêneros literários e com uma linguagem que seja parte do seu dia a dia.

A integra da live está disponível no YouTube da Arquidiocese de São Paulo. A seguir, veja algumas das ideias apresentadas pelos participantes do programa.

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Daniel Gomes, Mariana Mascarenhas e Irmã Gisely Pinheiro

Irmã Gisely Pinheiro, FSP

“Nós somos impulsionados. Nós não escolhemos utilizar a IA, ela veio e disse ´eu vou permanecer, quem quiser se adaptar se adapte, quem não quiser vai ficar para trás´. Sabedora desta realidade, a Igreja Católica vai nos direcionando para usarmos a IA da melhor maneira possível. Sempre nos preocupa muito a questão da identidade, pois é preciso ter muita certeza, muita clareza, ao utilizar uma ferramenta de inteligência artificial, ao colocarmos nossos dados neste ambiente e as obras dos nossos autores. Eu sou otimista, acredito que em algum momento teremos muito mais tranquilidade para esta utilização”.

(Diretora da Paulinas Curso, graduada em comunicação e marketing e pós-graduada em negócios digitais)

Mariana Mascarenhas

“A transição do impresso para o digital já vem acontecendo há algum tempo, e com a expansão das redes sociais e, mais recentemente, das ferramentas de inteligência artificial, fica a pergunta: quais leitores estão se formando? Temos de pensar nestes leitores que estão habituados com a instantaneidade: muitos não param mais para ler um livro: vão, acionam uma ferramenta de IA, dão um comando para que a obra seja resumida, ou seja, não gastam mais tempo para se aprofundar a respeito do livro. Entendo que isso é um perigo muito grande, pois nos levará a uma padronização de informações. Com o livro impresso, cada leitor que o lê terá uma visão diferente e o interpretará conforme a sua visão de mundo. Portanto, há o desafio de lidar com estes leitores cada vez mais habituados à instantaneidade”.

(Mestra em Ciências Humanas e especialista em Comunicação Empresarial e Marketing Digital, autora do livro De Gutenberg a Zuckerberg: A jornada das imagens e a transformação da comunicação – liberdade ou ilusão? – publicado pela editora Lumen et Virtus)

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Victor Tavares, Diego Ciarrocchi e Áliston Monte

Diego Ciarrocchi

“Acho que nós, como Igreja, ainda exploramos pouco o desdobramento de um livro físico em outras possibilidades, como, por exemplo, colocar alguns conteúdos do livro no Tiktok, no Reddit, no Substack, no Discord. Sim, você pode ir destrinchando o conteúdo e ampliando possibilidades. O livro vira matéria-prima para que se desdobre conteúdo que chegue aos canais em que os jovens estão. Temos de nos adaptar a essa nova linguagem. Não adianta sofrer, não adianta ficar remoendo: o que nos carregou pelos últimos 100 anos não nos levará aos próximos 100 anos. Temos de olhar o livro não só como um produto físico, mas pensar que outros produtos podem surgir a partir de um conteúdo que foi produzido e curado. O grande papel das editoras agora é também de curadoria responsável”.

(Doutorando em IA pela USP, mestre em gestão da inovação pela Universidade Federal do ABC; IA Product Manager na Amazon, professor no Insper, triatleta e autor do livro Emagreça Rezando, publicado pela Angelus Editora)

Áliston Monte

“No ano passado, nós [mercado editorial] conquistamos 3 milhões de novos leitores no Brasil, conforme dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Estas pessoas, em sua maioria, têm de 18 a 34 anos; e 56% delas declaram que foram impactadas por vídeos nas redes sociais. Este é um dado muito animador pra gente (…) Também há o fenômeno do Booktok, em que influenciadores criam trends no TikTok e um livro vira, da noite para o dia, um best seller. Essa nova geração segue muito estas tendências e isso ajudou muito neste aumento de novos leitores. Hoje, quando a gente vai analisar um texto também já olha para a presença digital do autor”.

(Gerente editorial e de marketing da editora Ave-Maria)

Victor Tavares

“Nessa era da inteligência artificial cresce ainda a importância do papel do editor. É ele que, a partir de sua experiência e conhecimento, tem o papel de saber o que vai publicar; se determinado conteúdo está condizente com a doutrina católica. Nós recebemos muitas coisas e precisamos ser criteriosos na avaliação e, por vezes, até dizer, de uma forma simpática, que determinado conteúdo não pode ser publicado. Normalmente o autor não aceita, mas se o que está escrito conflita com a fé não temos como publicar. Temos de analisar tudo com muito detalhe para não entrar em uma situação complicada”.

(Diretor-executivo da Distribuidora Loyola de Livro e Edições Fons Sapientiae)

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