O recomeço de vida no Brasil com o apoio da Caritas Arquidiocesana

O SÃO PAULO apresenta a história de duas famílias venezuelanas amparadas pela CASP; em meio à pandemia, serviços foram adaptados para manter atendimentos a refugiados e solicitantes de refúgio

Venezuelanos, Haygar Maria e Oscar Calojero Romero chegaram ao Brasil com os filhos em 2018 (foto: Arquivo pessoal)

Em todo o mundo, historicamente, a Cáritas atua na perspectiva da ação social e da solidariedade em favor da vida. Promove a defesa dos direitos humanos e do desenvolvimento solidário de políticas públicas, atuando com os pobres e excluídos, restaurando e devolvendo-lhes a dignidade.

O significado da palavra Caritas é “caridade”, prática da dimensão social do Evangelho que exige a valorização da pessoa humana, como criatura de Deus, por meio de gestos de fraternidade e igualdade, fundamentados no testemunho e no comprometimento com os mais pobres.

Em São Paulo, desde o início da atual pandemia e a vigência das regras de isolamento social, a Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) precisou readaptar sua linha de atendimentos, do modo presencial para o modelo remoto, sem deixar de atuar frente às necessidades da população, especialmente dos migrantes e solicitantes de refúgio.

A modalidade virtual possibilitou a continuidade de praticamente todos os serviços oferecidos pela instituição, nas áreas de acolhida, assistência, integração, proteção e saúde mental.

“A equipe Acolhida faz o primeiro atendimento, recebe os contatos por e-mail ou mensagem de celular e encaminha aos setores responsáveis. Dinâmica semelhante ao modelo presencial, com o diferencial de que todos estão atuando em casa, mas a eficiência dos trabalhos permanece”, destacou Nilton de Carvalho, 38, jornalista da CASP.

“Por causa das restrições, as pessoas não saíam de casa e precisavam de ajuda. Muitas ficaram desempregadas e sem renda. Os canais on-line repercutiram e aproximaram as pessoas. Não tem preço a sensação de ter feito o bem a alguém. Diminuir um pouco o impacto da realidade de sofrimento de tantos seres humanos é gratificante”, ressaltou Lígia de Camargo Molina, 37, advogada da Caritas no setor Proteção.

“Com a alteração, a equipe passou a usar celulares para realizar os atendimentos. O contato pessoal, o olho no olho, gera empatia e proximidade com a pessoa e sua necessidade. O contato virtual não é a mesma coisa, mas é o caminho viável e possível neste momento”, afirmou Karina Satomi Matsumoto, 31, orientadora social da Caritas.

Segundo os profissionais da instituição, a pandemia evidenciou ainda mais a situação de vulnerabilidade social e aumentou a busca por serviços de documentação, encaminhamento para vagas de emprego, ajuda assistencial e auxílio relacionado à saúde mental.

“Nós fazemos um trabalho humanitário, atendemos pessoas em situação de refúgio que saíram de seus países de origem de maneira forçada e tentam recomeçar suas vidas aqui, em novo contexto, em nova cultura, e agora em meio a uma pandemia”, disse Carvalho.

RECOMEÇO

Quando chegou ao Brasil, há quase dois anos, José Adolfo Rodriguez, 33, encontrou apoio na CASP. Veio da Venezuela, país que há anos vive uma situação de instabilidade política e econômica.

“Deixei tudo para trás em busca de melhores condições de vida. Lá faltavam comida, trabalho, e estávamos rodeados por insegurança e medo”, recordou Rodriguez, que entrou no Brasil por Pacaraima (RR), após vários dias de viagem por terra. De lá, foi para Boa Vista, também em Roraima, depois para Manaus (AM) e, atualmente, mora em São Paulo.

Entrega de cestas básicas é uma das ações intensificadas pela CASP ao longo desta pandemia (foto: CASP)

“A Caritas me ajudou a providenciar os documentos necessários para o recomeço. Aqui me senti acolhido. Não é fácil deixar tudo e recomeçar, mas foi necessário. Consegui emprego em um restaurante na região central da capital e um lugar para morar”, destacou Rodriguez.

Com a chegada da pandemia, ele ficou desempregado. “Foi difícil. Precisei de ajuda assistencial e a Caritas, mais uma vez, amparou-me com a doação de cestas básicas, que me ajudam a superar este momento”, disse Rodriguez, que, também, agradeceu o cuidado e a atenção que recebeu dos funcionários e voluntários da Caritas.

Com o suporte do atendimento remoto, ele renovou o Registro Nacional Migratório (RNM), na Polícia Federal. “Fui muito bem atendido, como sempre, com amor, respeito e verdade”, afirmou.

OPORTUNIDADES

Haygar Maria García de Calojero chegou ao Brasil, em 2018, em busca de novas oportunidades com o esposo, Oscar Eduardo Calojero Romero, e os filhos, Santiago e Moisés. “Via meus filhos passando necessidades e decidi partir. Na Venezuela, ganhava o equivalente a R$ 40 por mês como professora universitária”, disse Haygar, que é graduada em Administração e pós-graduada em Recursos Humanos.

Depois de várias tentativas, encontrou ajuda nos projetos sociais da CASP. “Fiz o cadastro na entidade em busca de emprego para garantir o sustento da minha família. Hoje, graças à Caritas, que nos estendeu a mão no momento em que mais precisávamos, estamos, eu e meu esposo, trabalhando, sustentando e garantindo o futuro dos nossos filhos”, afirmou Haygar.

“Além de toda a ajuda que foi disponibilizada à minha família, a Caritas é a segunda casa para nós, venezuelanos, onde somos acolhidos e amparados independentemente das necessidades”, afirmou.

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