Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Clementino, completa 80 anos

Missa solene será presidida por Dom Ângelo Mezzari, no domingo, 27, às 9h

Por Moacir Beggo (do setor de comunicação da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil)

Foto: Setor de comunicação da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Há oitenta anos, a Vila Clementino não tinha a fama que hoje a coloca no topo da lista entre as regiões mais buscadas para se morar. Ficava na periferia de São Paulo, em meio a mato e riachos, como o antigo córrego Itororó, que foi canalizado para receber a famosa avenida Rubem Berta (avenida 23 de maio), inaugurada em 25 de janeiro de 1969.

Nessa vila, distante do centro da capital, um grande empreendimento foi inaugurado em 1940: o Hospital São Paulo. Às suas atividades se juntou a assistência espiritual dos frades do Convento São Francisco, da região central da cidade. Eles vinham, como conta a história, diariamente de bonde ou de ônibus para atender aos doentes do novo hospital.

Essa assistência dos frades começou a mudar quando, por decisão de Dom José Gaspar da Fonseca e Silva, foi criada a Paróquia de São Francisco de Assis, tendo como limites a Rua Sena Madureira, Napoleão de Barros, Luís Góis, Indianópolis, França Pinto e Tangará. O terreno escolhido ficava na Rua Borges Lagoa. Um prédio particular da Família Cruz foi transformado em igreja provisória, inaugurada no dia 29 de junho de 1941, exatamente na Solenidade de São Pedro e São Paulo.

Esse momento histórico para os fiéis e frades da Paróquia São Francisco de Assis será celebrado na missa de ação de graças, no domingo, 27, às 9h,  presidida por Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Ipiranga.

Histórico

O primeiro pároco, Frei Afonso Junges, ficou apenas três meses e uma doença o obrigou a retornar para o Convento São Francisco. O auxiliar, Frei Honório Nacke, que também era capelão do Hospital São Paulo e professor de Ética Profissional, Psicologia e Religião da Escola de Enfermagem e da Escola Paulista de Medicina, assumiu no seu lugar.

Graças à doação de uma casa com três salas pelo sr. Abílio de Araújo Vieira, os frades puderam organizar as atividades paroquiais. A Residência Franciscana foi, então, oficialmente erigida no dia 24 de agosto de 1942, sendo Frei Honório Nacke o primeiro guardião. “Convento simples, sem móveis nem cozinha, início alegre e cheio de esperança”, como registrou o livro-tombo da Paróquia. O diretor da Escola Paulista de Medicina, Dr. Guimarães Filho, ofereceu nesse dia aos frades o almoço e o jantar. Em 1942, Frei Honório ganhou a companhia do seu confrade Frei Efrém Morosek para ajudar na assistência aos doentes do Hospital São Paulo e também na portaria do convento.

“A história de nossa Paróquia, como tudo que é incipiente, vai evoluindo aos poucos. Cremos que ao celebrar estes 80 anos, muito mais do que visitar um passado, precisamos, sim, olhar com gratidão para os confrades que nos antecederam ao longo de tantas décadas, mas olhar com um carinho e gratidão muito especiais a todos os paroquianos e paroquianas que ajudaram a construir a rica e bela história desta comunidade”, avalia o atual Pároco, Frei Valdecir Schwambach.

Ano jubilar

Segundo Frei Valdecir, este momento jubilar também será celebrado em outubro, junto com as festividades do Padroeiro. “Cremos e esperamos que até lá estaremos vivendo um momento mais tranquilo nesta pandemia que mudou o ritmo de vida das pessoas e das instituições. Achamos por bem não celebrar agora, mas fazer uma grande festa nas festividades de São Francisco de Assis”, adianta o Pároco.

O Frade lembra, contudo, que esse momento é oportuno para uma reflexão: “Julgamos ser bastante procedente a necessidade de nos perguntarmos, ao celebrar um aniversário de tamanho significado, qual a nossa vocação enquanto paróquia para os próximos anos?”

O Pároco recordou que a assembleia paroquial, realizada no final de 2019, cunhou uma expressão bastante apropriada e que, de certa forma, exprime muito bem ao que sempre se propôs à Paróquia São Francisco: ser uma paróquia com “vocação hospitalar”.

“Em 2014, o Papa Francisco lembrava que a Igreja deve ser como um ‘hospital de campanha’, pois há necessidade de se curar as feridas, muitas delas estão ocultas. Lembra o Pontífice que oferecer misericórdia é sinônimo de curar feridas”, refletiu Frei Valdecir.

O Pároco conta que a comunidade acolhe pessoas vindas de diversas partes da cidade de São Paulo, mas também, pela proximidade dos hospitais, está aberta a pessoas de diferentes lugares do Brasil. “Temos aí uma grande adequação àquilo que requer a cultura urbana, com seus desafios à evangelização: uma paróquia que não fique delimitada por questões geográficas e territoriais, pois sabemos que na grande cidade, a territorialidade nem sempre serve como parâmetro de referência para a participação. Cada vez mais participamos por adesão, uma espécie de identificação”, avalia o Pároco.

“Que a celebração dos 80 anos nos ajude a percorrermos um caminho de fé, de encontro e adesão à mensagem pregada pelo Cristo”, celebra o frade!

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