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‘Sejamos promotores da paz e da concórdia’, a exemplo de Frei Galvão

Exortou Dom Odilo em missa no Mosteiro Da Luz, na memória litúrgica de Santo Antônio de Sant’ana Galvão

‘Sejamos promotores da paz e da concórdia’, a exemplo de Frei Galvão - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

No domingo, 25, os fiéis se reuni­ram no Mosteiro da Luz para celebrar a memória litúrgica de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, o primeiro Santo nascido em terras brasileiras.

Uma das missas foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer. Na ho­milia, o Arcebispo recordou que Frei Galvão, como franciscano, viveu e dei­xou como maior obra o testemunho de sua vida dedicada a Deus: “Frei Galvão destacou-se como santo pela sua cari­dade, pela capacidade de ouvir e aco­lher as pessoas e de estar com o povo humilde e sofrido. Teve grande amor aos pobres e doentes, sempre atento às necessidades dos irmãos”.

Ao refletir sobre o Evangelho do 30º Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 22,34-40), o Arcebispo destacou que Frei Galvão viveu o mandamen­to do Amor a Deus e ao próximo, “de forma profunda e extraordinária. Foi uma pessoa de Deus. As pessoas o procuravam para as Confissões; outros para orientação, conselho; outros para consolo, porque ouviam dele pa­lavras de sabedoria que orientavam e consolavam nos momentos de aflição”.

SANTO DA CONCÓRDIA

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Ao final da missa, o Cardeal desta­cou a importância de reconhecer San­to Antônio de Sant’Ana Galvão como um santo ligado à história e à vida re­ligiosa de São Paulo: “Frei Galvão nas­ceu em Guaratinguetá, interior de São Paulo, e passou grande parte da sua vida aqui na capital, onde deixou o seu testemunho, sua marca em nossa cidade, e aqui está o seu túmulo. Portan­to, nós o temos sempre perto de nós”.

Inspirado pelo exemplo de Frei Galvão, Dom Odilo exortou: “Sejamos promotores da paz e da concórdia, espe­cialmente diante das divisões e dos conflitos presentes em nossa sociedade. Es­peramos que o Brasil volte a ter concór­dia, que possamos conviver em paz, mesmo pensando de maneira diferente”.

FÉ E SOLIDARIEDADE

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A festividade em honra a Santo Antônio de Sant’Ana Galvão reuniu fiéis no Mosteiro da Luz em uma programação marcada pelo tríduo e pela celebração de missas ao longo do domingo e pela tradicional pro­cissão luminosa.

Frei Estêvão Ottenbreit, O.F.M., Capelão do Mosteiro, enfatizou que o “legado de Frei Galvão permanece presente na vida dos devotos, tanto pela devoção mariana quanto pelo testemunho de caridade e acolhimen­to aos mais necessitados”.

“Frei Galvão é lembrado como um homem que se colocava à disposição daqueles que enfrentavam dificulda­des, oferecendo auxílio a quem batia à sua porta. Primeiro santo nascido no Brasil, Frei Galvão continua a ins­pirar os fiéis a viver a fé por meio da solidariedade, da oração e do cuida­do com o próximo”, destacou o Frade. Celebrar Frei Galvão “é recordar a vida de nosso Santo e inspirar nossa vi­vência comunitária em seu exemplo de caridade e santidade”, prosseguiu.

GRATOS À INTERCESSÃO DE FREI GALVÃO

“Eu sou um milagre de Frei Galvão. Minha mãe tentava engravidar e não conseguia. Daí, pediu a Frei Galvão e eu estou aqui. Sou um milagre da vida por intercessão do nosso Santo brasi­leiro”, recordou, emocionada, Elvira Maria de Oliveira, 77.

“Durante dez anos, minha filha tentou engravidar, tendo feito todos os tratamentos que a medicina permitia, mas não conseguia. Então, por indica­ção de um amigo, viemos ao Mosteiro da Luz e pedimos a intercessão de Frei Galvão. Hoje meu neto tem 13 anos. Uma bênção de Frei Galvão”, disse Lourdes Bona.

“Meus pais e eu temos uma devoção muito grande a Frei Galvão. Nós já al­cançamos várias graças por sua inter­cessão, relacionadas principalmente à saúde, como curas, melhoras e recupe­rações. Eu o definiria como um irmão brasileiro no céu, que se lembra da gen­te junto de Deus”, afirmou Leonardo Caetano de Almeida, 42, professor.

Quem foi Frei Galvão?

Frei Galvão

Nascido em Guaratinguetá (SP), em 1739, filho de Antônio Galvão de França e Izabel Leite de Barros, Frei Galvão cres­ceu em um ambiente profundamente reli­gioso. Aos 13 anos, foi enviado para estu­dar no Seminário da Companhia de Jesus, dos Padres Jesuítas, em Belém de Cachoei­ra (BA). Aos 21 anos, ingressou no novicia­do da Ordem dos Frades Menores, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, fez a profissão solene dos votos religiosos, sendo ordena­do sacerdote em 11 de julho de 1762.

Frei Galvão foi enviado para o Con­vento de São Francisco, em São Paulo, para aperfeiçoar os estudos e praticar o apostolado, no qual começou a destacar­-se por suas virtudes e empenho pasto­ral, em um período em que a liberdade religiosa era muito ameaçada pelo Im­pério. O Frade chegou a ser membro da Academia Paulista de Letras.

Frei Galvão fundou um recolhimento em 2 de fevereiro de 1774, dedicando-o a Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência. Esse Recolhimento se tor­nou um mosteiro apenas em 1929, sen­do incorporado à Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas).

Frei Galvão era grande devoto de Nossa Senhora e propagador de sua Imaculada Conceição. Ele consagrou­-se à Mãe de Deus como o seu “filho e escravo perpétuo” em 9 de novembro de 1766. Ele difundiu essa convicção especialmente nas famosas pílulas con­feccionadas e distribuídas pelas monjas do Mosteiro da Luz.

O Frade passou a etapa final da vida no Recolhimento da Luz, depois de obter autorização de seus superiores, devido ao fato de não ter mais forças físicas para se deslocar diariamente do Convento Franciscano para atender às religiosas. Ele morava em um cômodo no fundo da igreja, atrás do sacrário, quando faleceu em 23 de dezembro de 1822. Foi cano­nizado em 11 de maio de 2007 pelo Papa Bento XVI em missa no Aeroporto Cam­po de Marte, em São Paulo, tornando-se o primeiro santo nascido no Brasil.

MISSA NO SANTUÁRIO FREI GALVÃO EM GUARATINGUETÁ (SP)

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Na sexta-feira, 23, o Car­deal Odilo Pedro Scherer presidiu a missa do 8º dia da novena em honra a Frei Galvão, no Santu­ário de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, em Guaratinguetá (SP). Na homilia, o Arcebispo de São Paulo destacou que o Santo viveu o caris­ma franciscano dando testemunho de dedicação a Deus e ao próximo, atendendo ao chamado do Senhor para recons­truir a Igreja e sendo exemplo de como aco­lher com caridade e pa­ciência, buscando, por meio da oração, a luz do Espírito Santo para dis­cernir a vontade de Deus. A festa deste ano teve como tema “Vai e recons­trói! Com Frei Galvão, edi­ficando vidas e moradas”. (Com informações do Santuário de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão)

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