Em simpósio que reuniu diferentes gerações de formadores e seminaristas, foram destacadas a trajetória da instituição e os desafios atuais do processo formativo

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO
Como parte das comemorações dos 170 anos do Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição, foi realizado, na sexta-feira, 28 de agosto, um simpósio no Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga. O encontro reuniu o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, bispos auxiliares, sacerdotes, formadores, professores, colaboradores e seminaristas das quatro comunidades formativas da Arquidiocese — Propedêutico, Filosofia, Teologia e Seminário Missionário Redemptoris Mater.
Na abertura do simpósio, Dom Odilo ressaltou a importância de conhecer a trajetória do Seminário como parte da história da própria Igreja em São Paulo. Dirigindo-se especialmente aos futuros sacerdotes, afirmou: “É bom recordar, conhecer e tornar própria essa história. Vocês são parte desta história agora também”.

O Cardeal destacou, sobretudo, que a formação do clero está entre as responsabilidades fundamentais de uma Igreja particular. “Uma das primeiras missões do bispo, constituindo uma diocese, é pensar seriamente na formação do clero”, afirmou, relacionando esse cuidado à necessidade de preparar sacerdotes para o serviço pastoral ao povo de Deus. “Se o bispo, a diocese, não pensa na formação do clero, não tem futuro”, sublinhou.
Ao olhar para os desafios do presente, Dom Odilo enfatizou duas prioridades. A primeira é o trabalho vocacional. “Não bastam as paredes, é preciso ter gente no Seminário”, observou, defendendo uma integração cada vez maior entre a Pastoral Vocacional, as comunidades e o processo formativo. A segunda é a preparação dos próprios formadores, recordando o investimento realizado pela Arquidiocese, ao longo de diferentes episcopados, para a qualificação de sacerdotes para esse serviço.

HISTÓRIA
A trajetória do Seminário começou em 1853, quando Dom Antônio Joaquim de Melo, então Bispo de São Paulo, lançou a pedra fundamental da primeira sede, no bairro da Luz. A instituição foi inaugurada em 9 de novembro de 1856, confiada inicialmente aos Capuchinhos e colocada sob a proteção da Imaculada Conceição.
Em 1905, a formação foi dividida em diferentes seções. O Seminário Menor passou a funcionar em Pirapora do Bom Jesus (SP), onde permaneceu até 1948. No ano seguinte, foi transferido para São Roque (SP), no Seminário Metropolitano do Imaculado Coração de Maria. Posteriormente, essa etapa também teve experiências na Penha e em Santo Amaro.

O Seminário Maior permaneceu voltado aos estudos de Filosofia e Teologia. Depois que o prédio da Luz foi atingido durante a Revolução de 1924, Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro Arcebispo Metropolitano, decidiu transferi-lo. Entre 1927 e 1934, enquanto era construída a nova sede, os seminaristas permaneceram na Freguesia do Ó.
Em 19 de março de 1934, foi inaugurado o novo complexo no Ipiranga, que manteve o título da Imaculada Conceição. Como Seminário Central, passou a receber candidatos ao sacerdócio de São Paulo e de outras dioceses.

MUDANÇAS
A formação continuou a passar por novas configurações. Entre 1952 e 1959, o Seminário Menor funcionou em Aparecida (SP), onde, de 1959 a 1964, também funcionou o Seminário de Filosofia. Em 1955, a antiga casa da Freguesia do Ó foi retomada como Seminário Santo Cura d’Ars, inicialmente destinado às vocações adultas e, depois, também aos estudantes de Filosofia.
Em 1976, no arcebispado do Cardeal Paulo Evaristo Arns, foram criadas pequenas casas de formação nas regiões episcopais. Esse modelo permaneceu até 1994, quando a formação voltou a ser organizada por etapas.
Hoje, o Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição é formado por quatro comunidades: o Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, na Vila Nova Cachoeirinha; o Seminário de Filosofia Santo Cura d’Ars, na Freguesia do Ó; o Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga; e o Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater São Paulo Apóstolo, para a formação de padres diocesanos para a missão.

MEMÓRIA E DESAFIOS DA FORMAÇÃO
O resgate dessa trajetória esteve no centro da programação do simpósio. O Padre José Ulisses Leva, Doutor em História Eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana e Professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC-SP, apresentou uma exposição dedicada ao contexto histórico do surgimento do Seminário.
Outro momento foi a mesa-redonda que reuniu sacerdotes de diferentes gerações ligados à formação presbiteral. Entre eles, o Cônego Celso Pedro da Silva, biblista e professor que dedicou décadas ao ensino das Sagradas Escrituras e à formação de gerações de sacerdotes; e Dom Cícero Alves de França, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial para a Pastoral Vocacional e os Seminários, que, antes do episcopado, atuou durante 12 anos como Reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor e como docente da Faculdade de Teologia da PUC-SP.
O simpósio foi concluído com a celebração da missa em ação de graças. As comemorações terão seu momento solene em 9 de novembro, data que marca os 170 anos da fundação do Seminário, com uma missa na Paróquia Imaculada Conceição, cuja igreja foi originalmente a capela do antigo Seminário Central do Ipiranga.




