
Cada um com seu carisma e próprio ministério, “todos somos chamados a ser construtores da comunhão de Cristo, uma comunhão que toma forma em uma Igreja sinodal, na qual todos cooperam na mesma missão”. Com essas palavras, o Papa Leão XIV abriu o consistório extraordinário – reunião com os cardeais em Roma –, que ocorreu nos dias 26 e 27 de junho.
Ele lembrou que não pretende liderar a Igreja sozinho: “Quero que estes encontros nos ajudem a aprender sempre mais a trabalhar juntos no serviço da Igreja”, declarou.

“A comunhão não é jamais um resultado adquirido de uma vez por todas: permanece uma conversão cotidiana, que toma forma na oração, e por meio de comportamentos concretos, relações de confiança e disponibilidade de escutar reciprocamente”, ensinou.
Desta vez, o consistório foi organizado com sessões plenárias, intervenções individuais, nas quais os cardeais puderam falar livremente, e momentos de trabalho em grupo, durante os quais responderam a algumas perguntas que ajudaram a pensar sobre o presente e o futuro do anúncio do Evangelho no mundo.

TEMÁTICAS
A primeira sessão teve como título “Em que mundo somos chamados a anunciar o Evangelho?” Nesse encontro, o Cardeal Grzegorz Ryś ofereceu uma meditação bíblica sobre a parábola do Bom Samaritano. “Em vez de falarmos de um conceito abstrato e sociológico de ‘mundo’, pensemos no homem e na mulher concretos, lembrando que ambos são cocriadores do mundo e responsáveis por ele, e que, em última análise, são o primeiro e fundamental caminho da Igreja”, afirmou.
A segunda sessão, sobre “A cultura do poder e a civilização do amor”, teve uma reflexão do Cardeal Víctor Manuel Fernández a partir do capítulo 5 da encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV. A reflexão se concentrou sobre o tema da guerra e da legítima defesa. Diante dos grandes conflitos armados atuais, abriu-se o debate para que se possa abordar o tema do ponto de vista doutrinal com linguagem e pensamento atualizados.

Na terceira sessão, o Cardeal Stephen Brislin falou sobre “Construir para o bem: os canteiros de obras do nosso tempo”, outra reflexão sobre a encíclica. “Magnifica humanitas confere à Igreja uma responsabilidade específica: estar presente nos cenários da história com uma forma própria, sinodal em seu método, enraizada nas virtudes teologais e voltada para o serviço à pessoa”, disse ele.
O Cardeal Mario Grech foi o palestrante da quarta sessão. Ele apresentou um roteiro para as assembleias sinodais de 2027 e 2028 e lembrou que se deve evitar que a sinodalidade seja apenas um conceito ou um método: “A participação sinodal na unidade e na universalidade da Igreja precisa, portanto, ser bem pensada e planejada em sua gradualidade e em sua implementação. O processo sinodal precisa agora de um projeto de implementação, uma experiência viva e participativa do vínculo entre o Espírito e a Igreja”.

A sinodalidade, concluiu o Santo Padre em sua última fala, “é um estilo espiritual”, pois “nasce do encontro, cresce na escuta e amadurece no discernimento”. Em sua visão, “quando nos escutamos com humildade e liberdade, dando espaço ao Espírito, nossas conversas não se limitam a uma troca de ideias, mas se tornam um espaço de conversão, no qual crescemos juntos na fidelidade ao Senhor.”
A ideia do Papa é que consistórios desse tipo sejam anuais, sempre em torno da Solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada em 29 de junho.




