O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus, no domingo, 26, na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, onde está para um período de descanso no verão do Hemisfério Norte.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que “no centro do ensinamento de Jesus está o mistério do Reino de Deus, que o Evangelho” deste domingo “compara a uma pérola e a um tesouro”.
De acordo com Leão XIV, “as parábolas dão a entender a surpresa de quem encontra algo que nem sequer podia esperar, a tal ponto que vender ou deixar tudo já não aparece como uma renúncia, mas sim como um ganho”. Segundo o Papa, “os evangelistas, desde as primeiras páginas, descrevem como irresistível o chamado de Jesus a segui-lo: livre, certamente, mas urgente e capaz de suscitar uma resposta imediata e movida pelo desejo”.
“Este é um primeiro e importante aspecto do modo como Deus está próximo e se deixa encontrar: o encontro com o seu Reino é uma reviravolta que não restringe, mas alarga a vida. Se algo tem agora de mudar, é para trazer mais possibilidades, não menos.”
IGREJA, COMUNHÃO DE PESSOAS DIFERENTES
O Papa citou “um segundo aspecto ao qual Jesus parece dar muita importância: quem encontra o tesouro escondido no campo é provavelmente um agricultor; a pérola, por sua vez, é reconhecida como sendo de grande valor por um negociante, talvez um viajante”.
“Seguem-se outras duas parábolas, nas quais os protagonistas são pescadores e um escriba entendido em coisas antigas e novas. Existem outras, ainda, em que o Reino se deixa vislumbrar em uma mulher que amassa a farinha, em outra que arruma a casa, em um rei que prepara a guerra, em um homem que projeta construir uma torre, em administradores que gerem pagamentos ou investimentos, em pastores e agricultores. O Reino de Deus, em suma, revela a sua beleza inestimável de diversas formas, mas chama todos – homens e mulheres, jovens e idosos, pobres e ricos – a uma profunda renovação. Todos podem compreendê-lo e são atraídos por ele”, disse o Papa Leão,
“Também hoje a Igreja é uma comunhão de pessoas diferentes quanto à sua origem, à cultura, às competências e ao nível de responsabilidade, mas todas chamadas a reconhecerem-se como ‘um’ em Jesus Cristo: é Ele o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos. Com efeito, desde o princípio, Jesus chamou e reuniu em torno de si pessoas que, de outro modo, nunca se teriam relacionado. Precisamente assim demonstrou que Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado”, prosseguiu.

APRENDER A PERCEBER O QUE REALMENTE IMPORTA
De acordo com o Pontífice, “só nos resta pedir um dom, o mesmo que o jovem rei Salomão invocou. É o dom de distinguir a pérola de grande valor, de saber reconhecer o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo”.
“Enquanto a indústria do consumo nos altera o paladar, suscitando sempre novas necessidades para depois nos vender respostas que não saciam e, por vezes, envenenam o coração, temos de aprender a perceber o que realmente importa, o tesouro da relação com Deus, que nos abre à alegria e ajuda a viver da melhor maneira as relações entre nós.”
Leão XIV concluiu, pedindo a Maria, Sede da Sabedoria, para que “oriente para Jesus o nosso desejo de vida, a fim de que se realize em plenitude”.
POR UMA SOLUÇÃO DE PAZ NA TERRA SANTA
Após a oração mariana do Angelus, o Papa renovou o seu apelo pela paz no Oriente Médio. Ele manifestou preocupação com a situação no Oriente Médio, recordando o Líbano, onde Elias Hoayek, patriarca de Antioquia dos Maronitas de 1899 a 1931, e fundador da Congregação das Irmãs Maronitas da Sagrada Família, foi beatificado no sábado, 25.
“Ele guiou a Igreja Maronita por mais de trinta anos com grande dedicação e sensibilidade pastoral. Homem de diálogo e esperança, ele foi um brilhante ponto de referência eclesial, social e político, a ponto de ser chamado de “Pai do Grande Líbano”. Que a oração e a intercessão do novo Beato acompanhem sempre os fiéis maronitas em todo o mundo e obtenham o dom da paz para todo o povo do Líbano, tão querido para mim”, comentou.
A seguir, o Papa disse que acompanha “com preocupação a persistência e a escalada da violência na Terra Santa, da qual muitos civis também foram vítimas recentemente, na Cisjordânia e em Gaza”.
“Faço um apelo sincero para o retorno à negociação de uma solução política justa, baseada na igualdade de dignidade e direitos de cada pessoa humana, e para a rejeição de novas ações militares e decisões unilaterais, particularmente aquelas que violam o respeito e o status quo dos lugares sagrados de todas as religiões”, afirmou.

Leão XIV renovou o seu “apelo relativo à situação em todo o Oriente Médio, onde a intensificação das operações militares causou violência e destruição, pondo em grave perigo a vida de numerosos civis e agravando a escassez de água potável e de eletricidade”.
“Do fundo do coração, exorto todas as partes envolvidas a suspenderem os ataques e a reabrirem urgentemente os espaços para o diálogo e a diplomacia, a fim de alcançar o mais rápido possível a paz tão desejada para toda a região.”
O Papa pediu para “continuar rezando por todos os povos do mundo que sofrem por causa da guerra”.
“Que o Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis, para que a reconciliação e a paz sejam em breve alcançadas”, disse ele.
“À luz dos incêndios devastadores que afetaram recentemente várias partes da França e da Espanha”, o Santo Padre manifestou sua “solidariedade” e convidou “a todos a rezarem pelas pessoas afetadas e pelo trabalho dos socorristas”.
VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS
A seguir, o Papa recordou que neste domingo celebra-se o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, cujo tema são as palavras do Profeta Isaías: “Mas eu nunca me esquecerei de ti”.
“Agradeçamos juntos ao Senhor pelo dom que os idosos representam para a Igreja e para a sociedade, e comprometamo-nos a respeitar e valorizar o seu papel precioso e a garantir sempre que recebam a devida atenção e cuidado.”
Fonte: Vatican News




