A África e o mundo precisam de pessoas que se empenhem em viver segundo o Evangelho e em colocar as suas competências ao serviço do bem comum. Não traiais este nobre ideal! Foi a exortação de Leão XIV no Encontro com o mundo universitário – na Universidade Católica da África Central -, em Iaundê, esta sexta-feira, 17 de abril, no último compromisso do Santo Padre em seu terceiro dia em terras camaronesas

Leão XIV concluiu esta sexta-feira, 17 de abril, seu terceiro dia em terras camaronesas encontrando em Iaundê o mundo universitário, um dos eventos mais aguardados de sua visita ao país africano.
Após as saudações de boas-vindas do reitor da Universidade Católica da África Central e do testemunho de representantes do mundo docente e discente, o Pontífice proferiu seu discurso definindo, inicialmente, a instituição fundada em 1989 como um centro de excelência para investigação, a transmissão do conhecimento e a formação de tantos jovens. O Santo Padre afirmou que a instituição católica constitui um farol a serviço da Igreja e da África, na busca da verdade e na promoção da justiça e da solidariedade.
O Papa ressaltou que hoje, mais do que nunca, é necessário que as Universidades, e ainda mais aquelas católicas, se tornem verdadeiras comunidades de vida e investigação, que introduzam estudantes e docentes a uma fraternidade no saber. O que o Evangelho e a doutrina da Igreja estão atualmente chamados a promover, é uma autêntica cultura do encontro, antes – bem se poderia dizer – uma cultura do encontro entre todas as culturas autênticas e vitais, graças a um intercâmbio recíproco dos respetivos dons no espaço de luz desvendado pelo amor de Deus para todas as suas criaturas, acrescentou Leão XIV, frisando que a Universidade é, por excelência, um lugar de amizade, cooperação e, ao mesmo tempo, de interioridade e reflexão.

Erosão dos pontos de referência morais
Caríssimos, a África pode contribuir de maneira fundamental para alargar os horizontes demasiado estreitos de uma humanidade que tem dificuldade em ter esperança. No vosso magnífico continente, a investigação é particularmente desafiada a abrir-se a perspetivas interdisciplinares, internacionais e interculturais. Atualmente, temos uma necessidade urgente de pensar a fé dentro dos cenários culturais e dos desafios atuais, de modo a fazer emergir a sua beleza e credibilidade em diferentes contextos, especialmente naqueles mais marcados por injustiças, desigualdades, conflitos, degradação material e espiritual.
Nas sociedades contemporâneas – e, portanto, também em Camarões –, observa-se uma erosão dos pontos de referência morais que outrora orientavam a vida coletiva. Os cristãos, e muito especialmente os jovens católicos africanos, não devem ter medo das “coisas novas”.
A vossa Universidade pode formar pioneiros de um novo humanismo no contexto da revolução digital, da qual o continente africano conhece bem não só os aspetos sedutores, mas também o lado obscuro das devastações ambientais e sociais provocadas pela busca desenfreada de matérias-primas e terras raras. Não desvieis a vossa atenção: é um serviço à verdade e a toda a humanidade. Sem este esforço educativo, a adaptação passiva às lógicas dominantes será confundida com competência, e a perda de liberdade com progresso.

A África precisa ser libertada da chaga da corrupção
Outro tema desenvolvido pelo Santo Padre foi o da questão migratória, tão presente na realidade africana, e não somente. A esse propósito, Leão XIV afirmou que perante a compreensível tendência migratória, que pode levar a acreditar que noutro lugar se pode encontrar facilmente um futuro melhor, “convido-vos, em primeiro lugar – disse -, a responder com um ardente desejo de servir o vosso país e de colocar, em benefício dos vossos concidadãos, os conhecimentos que aqui estais a adquirir. Eis a razão de ser da vossa Universidade, fundada há trinta e cinco anos para formar pastores de almas e leigos empenhados na sociedade: são estes os testemunhos de sabedoria e de equidade que o continente africano precisa”. A esse ponto de seu discurso, dirigindo-se aos estudantes e, em seguida, aos professores, o Pontífice fez uma premente exortação:
“Queridos estudantes, aprendei a tornar-vos construtores do futuro dos vossos respetivos países e de um mundo mais justo e mais humano. Queridos professores, a vossa função é fundamental. Por isso, encorajo-vos a encarnar os valores que desejais transmitir, sobretudo a justiça e a equidade, a integridade, o sentido de serviço e de responsabilidade. A África e o mundo precisam de pessoas que se empenhem em viver segundo o Evangelho e em colocar as suas competências ao serviço do bem comum. Não traiais este nobre ideal! Para além de guias intelectuais, sede modelos cuja exatidão científica e honestidade pessoal eduquem a consciência dos vossos alunos. Com efeito, a África precisa de ser libertada da chaga da corrupção. E, para um jovem, essa consciência deve consolidar-se desde os anos de formação, graças ao rigor moral, ao desinteresse e à coerência de vida dos seus educadores e professores. Dia após dia, fundai os alicerces indispensáveis para a construção de uma coerente identidade moral e intelectual.”
Ao dardes testemunho da verdade, considerando especialmente as ilusões da ideologia e das modas, disse por fim Leão XIV, criai um ambiente em que a excelência acadêmica se une naturalmente à retidão humana.





