
Pela primeira vez durante o seu pontificado, o Papa Leão XIV visitou a Biblioteca Apostólica Vaticana (BAV) na segunda-feira, 14. A data marcou seu aniversário natalício de 71 anos: os presentes cantaram parabéns e cortaram um bolo.
“Gostaria apenas de dizer que Deus, em Sua Providência — e, às vezes, com um certo senso de humor —, sempre nos faz lembrar de que Ele está conosco. Muitos de vocês talvez não saibam que minha mãe era bibliotecária, e hoje estou aqui, neste aniversário”, declarou, antes de ler o discurso preparado para a ocasião.
A Biblioteca está no território da Cidade Estado do Vaticano e foi fundada em meados do século XV pelo Papa Nicolau V. Atualmente, guarda mais de 150 mil manuscritos de diferentes períodos históricos, além de 1,6 milhão de livros impressos, milha-res de gravuras, objetos metálicos e documentos.

“Quando pensamos em uma biblioteca, imaginamos um ambiente sereno e tranquilo. De fato, os livros são silenciosos e exigem silêncio”, refletiu o Papa. “Se, por um lado, um livro traz paz, por outro, desperta inquietação, alimenta o desejo e a coragem de pesquisar”, observou.
Leão XIV definiu a sua biblioteca como “um coração”, dizendo: “A essência da Biblioteca Apostólica depende também do único e inestimável tesouro que ela guarda. Se, por um lado, é nosso dever facilitar seu estudo, inclusive por meio da digitalização e do compartilhamento oferecidos pelo ambiente digital, por outro, é necessário manter e incentivar o antigo costume de deslocar-se fisicamente até a Biblioteca.”

NOVOS ESPAÇOS
No mesmo dia, o Pontífice publicou um decreto para a construção de novos espaços na Biblioteca. A necessidade de abrir mais espaço para os livros já tinha sido identificada anos antes, no pontificado de Francisco. Então, havia-se decidido usar edifícios perto da Basílica de São João de Latrão, porém distantes, no centro de Roma.
Também na segunda-feira, foi inaugurada uma mostra do artista contemporâneo “JR”. A instalação “Diluvium” colocou uma onda gigante na fachada da Biblioteca. Nas palavras de Dom Cesare Pagazzi, Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana, responsável pela BAV e pelos arquivos do Vaticano, a referida exposição sobre a água ajuda a refletir sobre este “elemento indispensável para a vida”, mas que, no contexto do descontrole climático, pode se tornar um elemento destrutivo.
Segundo o artista, conforme citado no Vatican News, “há também uma ligação com o que vemos na inteligência artificial, pois essa inteligência, sobre a qual não temos controle total, está absorvendo todos esses livros, todo esse conhecimento”.



