No domingo, 13, da janela do Palácio Apostólico, o Papa Leão XIV comentou, no Angelus, o Evangelho proposto pela liturgia deste XXIV Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 18,21-35), no qual Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar um irmão que o ofende. Para Leão XIV, o trecho apresenta um valor fundamental da vida cristã, ensinado e testemunhado por Cristo até a cruz, quando rezou ao Pai por seus perseguidores.

O Papa explicou que a pergunta de Pedro revela um coração generoso, pois o número sete, na Bíblia, simboliza a plenitude. Jesus, porém, convida os discípulos a ir ainda mais longe: “A resposta de Jesus, porém, vai além: ‘Não te digo até sete vezes – afirma Ele –, mas até setenta vezes sete’ (v. 22), ou seja, além de qualquer limite, sem medida.”
Para esclarecer esse ensinamento, Cristo conta a parábola do servo que recebeu de seu senhor o perdão de uma dívida tão grande que era praticamente impossível de pagar, mas não demonstrou a mesma misericórdia para com um companheiro. Por isso, acabou repreendido e severamente castigado.
TUDO É DOM DE DEUS
Leão XIV recordou que tudo o que existe é dom gratuito do amor de Deus e que ninguém pode considerar perfeita a própria resposta a tanta bondade. Essa consciência, acrescentou, deve orientar também as relações humanas:
“Por isso, a gratuidade – que é a fonte da nossa própria vida – é também a melhor regra para a nossa convivência. Experimentamo-lo todos os dias. O perdão é indispensável e, se faltar, não se pode viver em paz: mais cedo ou mais tarde, no coração e entre as pessoas, surgem conflitos, acusações, rancores e vinganças que destroem as relações, dividem as famílias e desencadeiam guerras.”
A CARIDADE QUE ESQUECE E CURA
“Só o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo ali onde a pobreza material e moral do homem, por um momento, tornou o horizonte sombrio e o caminho incerto”, sublinhou o Santo Padre, comparando o perdão a um vento favorável, capaz de afastar até as nuvens mais densas e permitir que o sol volte a brilhar.
Como exemplo, citou a experiência de São Pedro, que negou e abandonou Jesus durante a Paixão, mas, ao reencontrá-lo ressuscitado às margens do lago, ouviu apenas uma pergunta: “Simão, tu me amas?”, acompanhada do convite: “Segue-me!”. Era como se tudo recomeçasse, observou o Papa, quase como no dia do primeiro encontro. A confirmação da missão do primeiro dos Apóstolos foi, assim, marcada por uma caridade “que esquece e cura”.
Por fim, Leão XIV pediu a intercessão da Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, para que ajude os cristãos a perdoar sempre, mesmo quando é difícil dar o primeiro passo, e a difundir “a luz serena e curativa do amor que vence o ódio e desarma todo o rancor”.

25 ANOS DOS ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO
“Há dois dias, recordou-se o vigésimo quinto aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos da América. Renovo as minhas orações por aqueles que perderam a vida e por aqueles que continuam a carregar as feridas daquele dia trágico. Em uma altura em que os conflitos e a violência afligem tantos dos nossos irmãos e irmãs, convido todos a rezarem para que o Senhor conceda ao mundo o dom da sua paz”, disse o Papa após a oração mariana.
“A recordação do trágico acontecimento de há vinte e cinco anos leva-nos a renovar o nosso empenho pela paz, sobretudo através da oração, que confiamos à intercessão da Virgem Maria”, prosseguiu.
SAUDAÇÃO AOS PEREGRINOS DO BRASIL
Leão XIV saudou com afeto os romanos e peregrinos presentes, dando especial destaque aos grupos provenientes do Brasil. Ele acolheu os fiéis de São Paulo e a “Família de Belluno” com a Escola Fainors de Erechim, no Rio Grande do Sul.
O Pontífice dirigiu ainda uma saudação aos membros da Associação Religiosa Jesús Nazareno Cautivo residentes em Roma, ao grupo do Oratório Salesiano de Chieri, aos fiéis de Dolianova, na Sardenha, aos peregrinos que chegaram de Assis pela Via de São Francisco e aos motociclistas reunidos em defesa da paz e da vida. “A todos vocês, desejo um bom domingo”, concluiu.
Fonte: Vatican Media




