
Com mais de 700 anos de história, a Universidade Sapienza de Roma recebeu pela primeira vez a visita de um pontífice: na quinta-feira, 14, Leão XIV por lá esteve para proferir uma aula magna, na qual destacou o papel do mundo acadêmico na construção da paz e na dignidade humana.
Na ocasião, a instituição e a Diocese de Roma assinaram um acordo para a abertura de um “corredor humanitário universitário” com a Faixa de Gaza. O Pontífice voltou a criticar, veementemente, a lógica de guerra que tem pautado as potências mundiais.
“Que mundo estamos deixando? Infelizmente, um mundo mutilado pelas guerras e pelas palavras de guerra. Trata-se de uma poluição da razão que, a partir do plano geopolítico, invade todas as relações sociais. Assim, a simplificação que cria inimigos deve ser corrigida, especialmente na universidade, com o cuidado pela complexidade e o sábio exercício da memória. Em particular, o drama do século XX não deve ser esquecido. O grito dos meus predecessores, ‘nunca mais a guerra!’, tão em sintonia com o repúdio da guerra ratificado na Constituição italiana, exorta-nos a uma aliança espiritual com o sentido de justiça que habita o coração dos jovens, com a sua vocação a não se fechar entre ideologias e confins nacionais”, enfatizou.

O Santo Padre lembrou que não se pode chamar de “defesa” um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, que empobrece os investimentos em educação e saúde, que desmente a confiança na diplomacia e que enriquece elites que nada se importam com o bem comum. Ele exortou à vigilância sobre o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial nos âmbitos militar e civil, “para que não desresponsabilize as escolhas humanas e não agrave a tragicidade dos conflitos. O que ocorre na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinos, no Líbano e no Irã descreve a evolução desumana da relação entre guerra e novas tecnologias, em uma espiral de aniquilação. O estudo, a investigação e os investimentos devem seguir no rumo oposto: sejam um ‘sim’ radical à vida, sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que invocam paz e justiça!”.

Ainda na aula magna, Leão XIV fez votos de que os jovens não cedam à resignação, mas que transformem a inquietação em profecia; e aos professores, exortou que valorizem as possibilidades dos jovens e os ensinem por meio do testemunho dos próprios valores de vida.
Ao se despedir de toda a comunidade acadêmica, Leão XIV fez um grande chamado: “Vamos trabalhar, estudar e fazer tudo o que for possível – desde as relações entre amigos, nossas palavras e nossa maneira de pensar – para construir a paz no mundo. Tenham sempre esperança na possibilidade de construir um mundo novo!”




