Papa sobre atentado em Bagdá: que violência não enfraqueça esforços de paz

O autoproclamado Estado Islâmico assumiu a autoria do atentado em um mercado lotado em Bagdá e que deixou ao menos 35 vítimas fatais. O patriarca da Igreja Caldeia, cardeal Louis Raphael I Sako, falou ao Vatican News sobre mais esse atentado e os desafios enfrentados no país: “É preciso voltar à moralidade, à humanidade, aos valores humanos, de outra forma, para onde vai o país?”

Papa sobre atentado em Bagdá: que violência não enfraqueça esforços de paz
Reprodução

Tristeza pelo atentado ocorrido no Iraque no final da tarde de segunda-feira, oração pelas vítimas e para que a violência não impeça o caminho da reconciliação e da paz no país.

Esse é o teor da mensagem do Papa Francisco enviada ao núncio apóstólico no Iraque, Dom Mitja Leskovar.

“Sua Santidade o Papa Francisco – lê-se no texto assinado pelo cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin – ficou profundamente entristecido ao saber da notícia da perda de vidas na explosão no mercado al-Wuhailat em Bagdá e envia suas condolências aos familiares e amigos dos que morreram.”

“Confiando suas almas à misericórdia de Deus Todo-Poderoso – continua a mensagem – Sua Santidade renova suas fervorosas orações para que nenhum ato de violência enfraqueça os esforços daqueles que estão empenhados em promover a reconciliação e a paz no Iraque”.

O desânimo do patriarca caldeu diante de mais um episódio de violência

“Não há segurança ou estabilidade no Iraque, este ataque é apenas o exemplo mais recente disso. É um problema moral: a corrupção e a matança de inocentes são atos imorais”.

Na entrevista concedida ao colega Alessandro Di Bussolo após o atentado, fica perceptível o desânimo na voz do patriarca caldeu, cardeal Louis Raphael I Sako, que atualmente se encontra em Erbil, no Curdistão iraquiano, para o retiro espiritual do clero caldeu de 19 a 24 de julho. A tristeza é principalmente por este verdadeiro massacre contra inocentes perpetrado pelo autodenominado Estado Islâmico em Bagdá, com pelo menos 35 vítimas e mais de 60 feridos.

Eminência, o que está acontecendo em Bagdá? O chamado Estado Islâmico continua a semear morte?

Foi realmente uma tragédia na véspera da festa dos muçulmanos. É uma coisa trágica, mas não é a primeira vez. Há confusão, não há segurança, não há estabilidade no país. Penso que exista um problema moral, não é somente um problema político: a corrupção, matar outros para objetivos estranhos, é uma coisa imoral. É preciso voltar à moralidade, à humanidade, aos valores humanos, de outra forma, para onde vai o esse país? Eles também prenderam um homem que tentou entrar em um hospital com uma bomba. É um confronto entre xiitas e sunitas ou entre xiitas e xiitas, uma luta pelo poder e dinheiro, então não existe moralidade.

Quase 5 meses após a visita do Papa, que frutos o senhor percebe na vida dos cristãos e na vida civil no Iraque?

Para a população houve uma mudança de mentalidade, há um respeito pela diversidade. Não se fala mais de cristãos e muçulmanos, se fala dos iraquianos como irmãos e irmãs e este é o maior fruto, para nós, da visita do Santo Padre. Mudou um pouco a mentalidade. De resto, no plano político, precisamos de uma classe política que tenha senso de responsabilidade, a visão de um Estado civil para a cidadania, que crie serviçose não roubar.

Como Igreja Caldeia no Iraque, vocês estão reunidos em Erbil para o retiro espiritual anual. Está prevista alguma mensagem para o país?

Sim, claro, no final do encontro. Somos cerca de setenta bispos e sacerdotes, porque outros não puderam vir por causa da pandemia ou também porque pelo menos um sacerdote deve permanecer na paróquia para emergências. Somos dez bispos da Igreja Caldeia e estamos aqui para refletir sobre como ser fiéis à nossa consagração diante dos desafios que enfrentamos. Devemos ser pontes para os outros e não erguer barreiras. O Evangelho está aberto a todos e nós, consagrados, estamos a serviço de todos, não apenas dos cristãos. Também enviei uma mensagem para a festa do Eid al-Adha, a festa do sacrifício dos muçulmanos.

O que o senhor escreveu nesta mensagem?

Que é preciso voltar à fraternidade e depois à moralidade, para não perder os valores morais. Caso contrário, será como uma selva. A corrupção e esses ataques, matar gente inocente: isso não está certo. É preciso sacrificar os interesses pessoais e pensar no bem comum, no bem de todos, não apenas no bem individual um tanto egoísta. Em resumo, a mensagem é fazer todo o bem que pudermos pelos outros.

(Com informações de Vatican News)

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