‘Vamos todos nos comprometer a apoiar, defender e proteger a família, o nosso tesouro!’

‘Vamos todos nos comprometer a apoiar, defender e proteger a família, o nosso tesouro!’, Jornal O São Paulo
Reprodução de Vatican Media

Na oração mariana do Angelus do domingo, 26, festa da Sagrada Família, o Papa Francisco convidou os fiéis a rezarem juntos diariamente para pedir a Deus o dom da paz, escuta e compreensão recíproca para superar conflitos e dificuldades, converter-se do eu ao tu, nunca ir dormir sem ter feito as pazes.

O pontífice partiu do contexto familiar de Jesus, Maria e José para sublinhar um primeiro aspecto concreto para nossa família: “a família é a história da qual viemos”.

“Cada um de nós tem sua própria história, ninguém nasceu magicamente, com uma varinha mágica, cada um de nós tem uma história e a família é a história de onde viemos”, disse o Santo Padre.

Francisco explicou que Jesus “é filho de uma história familiar”, viajou para Jerusalém com seus pais para a Páscoa e seu sumiço provocou grande preocupação em Maria e José.

“É belo ver Jesus inserido no laço dos afetos familiares, que nasce e cresce no abraço e na preocupação dos pais. Isso também é importante para nós: viemos de uma história entrelaçada por laços de amor e a pessoa que somos hoje não nasce tanto dos bens materiais que desfrutamos, mas do amor que recebemos, do amor no seio da família. Talvez não tenhamos nascido em uma família excepcional e sem problemas, mas é a nossa história - cada um deve pensar: é a minha história -, são as nossas raízes: se as cortarmos, a vida torna-se árida. E devemos pensar nisso, na própria história!”, manifestou o Papa

Aprendizado diário

O Papa destacou, então, um segundo aspecto concreto para nossas famílias: “aprende-se a ser família a cada dia”. E volta seu olhar novamente à realidade da Sagrada Família onde nem tudo é perfeito, “existem problemas inesperados, angústias, sofrimentos”.

“Não existe uma Sagrada Família dos santinhos. Maria e José perdem Jesus e angustiados o procuram, para encontrá-lo três dias mais tarde. E quando, sentado entre os mestres do Templo, ele responde que deve cuidar das coisas de seu Pai, eles não entendem. Eles têm necessidade de tempo para aprender a conhecer seu filho. O mesmo vale para nós: a cada dia, em família, é preciso aprender a ouvir e a compreender-se, a caminhar juntos, a enfrentar os conflitos e as dificuldades. É o desafio diário, que é superado com a atitude correta, com as pequenas atenções, com gestos simples, cuidando os detalhes das nossas relações. E isso também nos ajuda muito a conversar em família, conversar à mesa, o diálogo entre pais e filhos, o diálogo entre os irmãos, nos ajuda a viver essa raiz familiar que vem dos avós, o diálogo com os avós”, disse.

Antes o ‘tu’, depois o ‘eu’

“E como então se faz isto?”, perguntou Francisco. “Convidando a olhar para Maria que no Evangelho de hoje diz a Jesus: ‘Teu pai e eu estávamos a tua procura’, respondeu.

“Teu pai e eu, não diz eu e teu pai: antes do eu existe o tu (...). Na Sagrada Família, antes o tu e depois o eu. Para preservar a harmonia na família, é preciso combater a ditadura do eu.  Quando o eu se infla. É perigoso quando, em vez de nos ouvirmos, jogamos os erros na cara; quando, em vez de termos gestos de cuidado para com os outros, nos fixamos em nossas necessidades; quando, em vez de dialogar, nos isolamos com o celular - é triste ver no almoço uma família, cada um com o seu celular, sem se falar, cada um fala com o celular -; quando nos acusamos mutuamente, sempre repetindo as mesmas frases, encenando uma comédia já vista onde cada um quer ter razão e no final impera um silêncio frio”, refletiu o Santo Padre.

‘Vamos todos nos comprometer a apoiar, defender e proteger a família, o nosso tesouro!’, Jornal O São Paulo
Reprodução de Vatican Media

Sempre fazer as pazes

Francisco deu um conselho já dado em outras oportunidades quer aos casais, como à vida em família: nunca ir dormir sem antes ter feito as pazes, caso contrário, no dia seguinte haverá uma “guerra fria”, e esta é perigosa porque dará início a uma história de repreensões, de ressentimentos.

“Quantas vezes, infelizmente, entre as paredes de casa, dos silêncios muito longos e de egoísmos não tratados, nascem e crescem conflitos! Às vezes, chega-se até mesmo a violências físicas e morais. Isso dilacera a harmonia e mata a família. Convertamo-nos do eu ao tu. O que deve ser mais importante na família é o tu. E a cada dia, por favor, rezem um pouco juntos, se puderem façam um esforço, para pedir a Deus o dom da paz em família. E vamos todos nos comprometer - pais, filhos, Igreja, sociedade civil - a apoiar, defender e proteger a família, que é o nosso tesouro!”, exortou.

“Que a Virgem Maria, esposa de José e mãe de Jesus proteja as nossas famílias”, concluiu o Papa.

Fonte: Vatican News

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