Tradicional coleta realizada na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo reúne as ofertas dos fiéis para sustentar a missão da Igreja universal e a ação caritativa do Santo Padre.

No Brasil, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo será celebrada neste fim de semana, nas missas do sábado, 27, e do domingo, 28. Por ocasião desta celebração, todas as comunidades católicas do mundo realizarão a tradicional coleta do Óbolo de São Pedro, destinada a apoiar diretamente a missão do Santo Padre e suas iniciativas de caridade em favor dos mais necessitados.
Mais do que uma contribuição financeira, o Óbolo de São Pedro é um gesto concreto de comunhão dos fiéis com o Sucessor de Pedro. Por meio dessa coleta, os católicos colaboram para que o Papa possa exercer seu ministério a serviço da Igreja universal, promover a evangelização, apoiar as Igrejas locais em situação de necessidade e prestar auxílio às populações atingidas por guerras, desastres naturais, crises humanitárias e outras situações de emergência.
Origem bíblica
A prática de sustentar materialmente aqueles que receberam a missão de anunciar o Evangelho remonta às origens do Cristianismo. No fim do século VIII, os anglo-saxões passaram a enviar regularmente ao Bispo de Roma uma contribuição conhecida como Denarius Sancti Petri. Posteriormente, em 1871, o Papa Pio IX consolidou essa tradição por meio da encíclica Saepe venerabilis, tornando o Óbolo de São Pedro um sinal da comunhão dos católicos com o ministério do Papa.
As ofertas recolhidas nas celebrações são reunidas pelas dioceses e encaminhadas à Santa Sé, constituindo um fundo destinado exclusivamente ao sustento da missão apostólica do Pontífice e às suas obras de caridade. Além da coleta realizada nas paróquias, os fiéis também podem fazer sua oferta diretamente por meio do site oficial do Óbolo de São Pedro.

Transparência e solidariedade
O relatório anual do Fundo do Óbolo de São Pedro, divulgado pela Santa Sé, demonstra como essas contribuições são administradas e aplicadas. Em 2024, o Fundo recebeu 54,3 milhões de euros em doações, complementados por 3,7 milhões de euros provenientes de rendimentos financeiros, totalizando 58 milhões de euros em receitas. As dioceses responderam por 59% das doações recebidas, enquanto fundações contribuíram com 22%, doadores particulares com 16% e institutos religiosos com 3%. O Brasil figurou entre os dez países que mais colaboraram com o Fundo, com doações de 1,7 milhão de euros.
No mesmo período, foram destinados 61,2 milhões de euros ao apoio da missão apostólica do Santo Padre e 13,3 milhões de euros para 239 projetos de assistência realizados em 66 países. Esses recursos financiaram a construção de igrejas e centros missionários, programas sociais, bolsas de estudo para sacerdotes, seminaristas e religiosos, além de ações de apoio às Igrejas locais e de ajuda humanitária a populações afetadas por guerras, pobreza e calamidades naturais. Somadas às obras de caridade realizadas pelos organismos da Santa Sé, as iniciativas apoiadas pelo Óbolo representaram 50,6 milhões de euros destinados diretamente à caridade.
Ajuda concreta
A finalidade do Óbolo de São Pedro pode ser percebida em iniciativas recentes do Papa Leão XIV. Após os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, 24, o Santo Padre enviou, por meio da Esmolaria Apostólica, uma primeira ajuda emergencial de 100 mil euros para socorrer as populações afetadas. O auxílio foi destinado às dioceses atingidas pela tragédia, em coordenação com a Nunciatura Apostólica na Venezuela, para atender às necessidades mais urgentes das famílias vítimas do desastre.
A iniciativa é um exemplo de como o Papa pode agir prontamente diante de situações de sofrimento em diferentes partes do mundo, oferecendo assistência material e manifestando a proximidade da Igreja às populações atingidas por calamidades.

Caridade da Igreja
Ao incentivar a participação dos fiéis nesta coleta, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, recorda que o destino das contribuições é inteiramente voltado à missão e à caridade da Igreja.
“Essa coleta não vai para o bolso nem para a conta do Papa e, sim, para um fundo que faz referência ao Pontífice, para que este faça a caridade às situações de necessidade, de urgência, de catástrofe e sofrimentos do mundo inteiro. Não há terremoto, vulcão, desastre natural ou catástrofe em que o Papa não esteja ajudando em nome da Igreja Católica, para que a caridade, como testemunho veraz do Evangelho, chegue a todos”, explicou.
Assim, a coleta do Óbolo de São Pedro renova, a cada ano, o compromisso dos católicos com a missão universal da Igreja e manifesta a comunhão dos fiéis com o Sucessor de Pedro, tornando possível que sua ação pastoral e caritativa alcance comunidades e pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao redor do mundo.




