Presidência da CNBB faz avaliação final sobre a 58a Assembleia Geral

Episcopado brasileiro esteve reunido de modo virtual entre os dias 12 e 16

Print da plenária virtual da 58 Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (fotos: CNBB)

Em coletiva de imprensa virtual na tarde desta sexta-feira, 16, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou uma avaliação final sobre a realização da 58a Assembleia Geral, que ocorreu desde a segunda-feira, 16.

Antes, no fim da manhã, o episcopado brasileiro já havia emitido uma mensagem ao povo brasileiro.

Dom Walmor: ‘um encontro de pastores e servidores do Povo de Deus’

Para o Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira Azevedo, a 58ª Assembleia Geral da CNBB foi “um encontro de pastores e servidores do Povo de Deus. Fizemos um caminho em quatro dias e meio com muita qualidade”

De acordo com o Prelado, a Assembleia Geral permitiu que a CNBB olhasse para si própria, a fim de rever caminhos e encontrar novas respostas, diante do permanente caminho de evangelização e compromisso de proclamar a Palavra de Deus.

Foi, também uma experiência para que a CNBB lançasse um olhar para o mundo. “Com esse olhar, damos conta de que estamos num mundo sofrido e de feridas expostas e que nós como Igreja, no coração do mundo pelo mandato de Jesus Ressuscitado, precisamos nos debruçar diante dessas feridas e cuidar delas, em cada pessoa do tecido da sociedade brasileira”, afirmou.

Para Dom Walmor, a palavra da Igreja precisa ser clara e fortalecer o compromisso missionário, evangelizador e ajudar o mundo a abrir-se ao amor de Deus. “Uma Assembleia Geral não é apenas do ponto de vista estatutário o momento mais importante da vida da CNBB, que reúne todos os primeiros servidores da Igreja no Brasil, é também um momento alto de experiência espiritual. Somos nós como Igreja em um mundo sofrido, colocando um pilar de esperança para reacender nele um farol e assim apontar caminhos novos para o nosso mundo”, afirmou.

O Arcebispo de Belo Horizonte ressaltou que a Assembleia Geral foi à luz da Palavra de Deus, do compromisso com a vida, um pilar de esperança para fazer luzir um grande farol iluminando o caminho da nossa vida.

“Nós, como Igreja Católica no Brasil, estamos a serviço da vida, dos pobres, dos sofredores, e da construção de uma sociedade mais justa e solidária. É preciso agora abandonar as polarizações que empurram em direção ao caos e que não levam a absolutamente nada. O novo que nós precisamos em todas as dimensões vem do amor. O Evangelho é a semeadura do amor. Por isso, convocamos a todos para muito diálogo, em todas as instâncias, para que o diálogo ajude a abrir mentes, a alargar corações e a trazer novas luzes para um novo tempo. A Igreja é perita nesta experiência humana do diálogo, porque o Evangelho é diálogo”, concluiu.

Dom Jaime: ‘como pastores, temos uma missão especial de cuidar da esperança’

Já o Arcebispo de Porto Alegre (RS) e 1o Vice-Presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, disse que a Assembleia Geral deste ano confirmou ser viável o uso das plataformas digitais para a realização de encontros dessa magnitude.

Segundo o Bispo, havia muitas expectativas e incertezas antes da Assembleia. “Primeiro, pelo fato de não termos podido celebrar como programado a assembleia no ano passado, pois ela foi adiada devido a situação da pandemia. A segunda situação é pela utilização da tecnologia, algo inédito. Surgiram questões de como seria acompanhar a participação de praticamente quatrocentas pessoas através da internet. Terceiro, como realizar os encaminhamentos característicos de uma assembleia como a nossa, seguindo os estatutos da conferência”, enumerou.

O Bispo lembrou, ainda, que a forma utilizada para definir e cumprir a pauta foi mais do que satisfatória, mesmo tendo alguns aspectos da assembleia geral que, pelo estatuto da conferência, recomendavam a presença física. “Fizemos o que foi possível realizar, o que o momento nos permitia. Infelizmente, já sabemos e reconhecemos que o vírus que está entre nós, propagando enfermidade, ceifando muitas vidas, restringe certamente opções e possibilidades”.

Respondendo a perguntas de jornalistas, Dom Jaime destacou que o tema central da Assembleia – “Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias” – deve chegar às comunidades e gerar frutos: “a palavra de Deus é como base, como luz, como orientação, é necessária, salutar, para que a igreja continue desenvolvendo. Eu creio que se nós quisermos renovar nossas comunidades, nossas iniciativas todas, nós precisamos resgatar a importância, o lugar da palavra na vida de cada fiel e de nossas comunidades. Nesse sentido, eu creio que o tema central, depois que chegar às nossas comunidades através do documento de estudos, ajudará, sim, a desenvolver este trabalho”.

A necessidade de somarmos forças e não esmorecer diante dos desafios, retratada na Mensagem ao Povo Brasileiro que a assembleia aprovou também foi lembrada por Dom Jaime: “isso tem a ver com a necessidade de continuar promovendo a obra do cuidado. O respeito para com a vida humana, o respeito para com a dor alheia, com o luto de tantas famílias que, infelizmente, alguns setores da nossa sociedade e algumas expressões dos poderes constituídos não reconhecem. Falta aqui solidariedade maior, porque a dor dói. E a saudade é coisa bonita, mas também deixa marcas e dor. Não podemos descuidar da vida humana nos seus diversos aspectos e, sobretudo, nestas horas de dor e de morte”.

Dom Jaime ainda ressaltou que a pandemia e seus desdobramentos na vida do povo foi um tema que permeou alguns momentos da assembleia e teve como destaque o momento em que alguns membros do episcopado puderam relatar as experiências vividas nesses tempos de pandemia. “São situações de dor, necessidades de toda a ordem, situações que exigiram e exigem empenho para responder aos desafios que o vírus impôs e continua nos impondo. Nesse contexto do fenômeno da pandemia, merece destaque o quanto a fé e a ciência juntas podem realizar. Um destaque todo particular vai para a solidariedade em meio a tanta dor e tanta morte. Diante desses fatos todos, nós, como igreja, como pastores, não podemos nos calar. É o evangelho que o exige. É Jesus que nos disse – “eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância. Portanto, quando a vida é machucada, a vida é ferida, nós não podemos permanecer indiferentes”.

Nesse momento de pandemia, segundo dom Jaime, todos somos chamados a agir, em um movimento de corresponsabilidade social. “É um desafio e uma necessidade urgente. É tempo de cuidar da vida, de promover a vida, a esperança, não pode esmorecer. Apesar das situações que nos preocupam, eu creio que nós, como igreja, como bispos, como pastores, temos uma missão especial de cuidar da esperança”.

Dom Mário: ‘A Palavra de Deus foi o centro do conteúdo’

Para o Bispo de Roraima e 2o Vice-presidente da CNBB, Dom Mário Antônio da Silva, a maneira como a Assembleia foi desenvolvida, os assuntos que foram abordados a partir do tema central e o trabalho construído ao longo de toda a semana darão muitos frutos. “Eu considero como uma nova semeadura. Que as sementes nobres lançadas continuem encontrando terrenos férteis, mas não só para o episcopado, mas para a vida da Igreja, do Brasil e do mundo”, afirmou.

Dom Mário também pontuou o fato de a Assembleia ter sido 100% on-line, sinalizando para a necessidade de “sermos responsáveis e evitar aglomerações”.

“A Palavra de Deus foi o centro do conteúdo, que gera em nós compromisso para avançarmos como discípulos de Jesus. Essa Assembleia Geral renovou o compromisso da nossa Igreja, compromisso no amar e no servir da nossa Conferência Episcopal. A partir das matérias e do que já foi divulgado, com responsabilidade e verdade, vocês [jornalistas] são protagonistas. Tudo isso no espírito de serviço e de harmonia, com esperança de ir avante”, elogiou.

Fonte: CNBB

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