Em São Paulo, Museu de Arte Sacra mantém rico acervo sobre a Igreja

O SÃO PAULO apresenta a última das reportagens da série sobre as obras jesuíticas espalhadas pela capital paulista e arredores

Percival Tirapeli (ESPECIAL PARA O SÃO PAULO)


Altar da antiga capela de Santo Amaro é uma das obras que podem vistas no Museu de Arte Sacra

No início do século XX, o então Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, encarregou o Comendador Francisco de Salles Collet e Silva, chefe do Arquivo da Cúria Metropolitana, de retirar as peças mais antigas das igrejas e capelas da capital e do interior. Este território correspondia à grande Arquidiocese de São Paulo, que abarcava capelas e igrejas de cidades como São Vicente, Santos, Embu das Artes, Santana de Parnaíba, Guararema, Itu e Mogi das Cruzes, entre outras.

As importantes imagens do século de ouro da arte barrista de São Paulo, no início do século XVII, foram encaminhadas para o Museu da Cúria Metropolitana, entre elas obras-primas dos freis beneditinos Agostinho da Piedade e Agostinho de Jesus, bem como obras da antiga Sé e das capelas jesuíticas, incluindo aquelas do antigo Colégio. Em 1970, o Museu de Arte Sacra, por meio de um convênio entre a Cúria e o Governo do Estado e as religiosas do Convento da Luz, ali se instalou.

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Obras

De capelas oriundas das imediações e litoral, deve-se notar os dois santos das oficinas dos jesuítas, em barro cozido, provenientes da capela da Fazenda Geral da Companhia de Jesus situada em Cubatão. Do século XVI, os santos Francisco Xavier e Inácio de Loyola ilustram o ensino nas oficinas dos colégios de São Vicente, Santos e São Paulo.

A primeira imagem de São Paulo, venerada na antiga capela do Colégio, também ali se encontra em uma peanha, com postura rígida, com a túnica azul de forma cilíndrica e planejamento canelado, animado pelo manto vermelho que cai dos ombros, repuxado pela mão esquerda que segura um livro e o braço direito (faltante) que poderia erguer a espada.

Proveniente da redução de Guarulhos, o sacrário com talha vazada (imagem ao lado) é exemplar precioso, e da Capela de São Miguel, o porta-toalhas com cabeças indígenas a segurar pelas línguas vermelhas o suporte roliço em madeira, além de vasos sagrados que se encontram na Sala do Tesouro. O Divino Espírito Santo é um fragmento do altar de Araçariguama, a arder em fulgores solares a remeter ao símbolo da Companhia de Jesus.

O polêmico São Jorge, vulto inteiro que saía nas procissões montado em um cavalo, é escultura articulada com grandes grebas escuras, caixote flexível sobre as coxas e acima os braçais, cotoveleiras e antebraçais com punções a imitar metal. A escultura portuguesa, requintada, pertencia ao Colégio dos Jesuítas, e, quando da expulsão dos padres (1759), o santo foi anexado ao acervo da antiga Sé. Da igreja do Colégio, há ainda parte de altares da sacristia da igreja demolida em 1896.

Dispostos na Sala do Capítulo, estão dois altares provenientes da antiga capela de Santo Amaro, inaugurada em 1686, reconhecidos por Mário de Andrade e, posteriormente, recolhidos ao museu, sendo restaurados em 2004. São talhas barrocas esculpidas com grande quantidade de flores e pássaros simbólicos como peli- cano e fênix. Chama a atenção o colorido vibrante, o uso intenso do ouro aplicado sobre os entalhes e esparsas áreas com prata.

Com uma belíssima exposição comemorativa dos 50 anos da fundação do Museu de Arte Sacra, que tem como símbolo dois anjos provenientes das antigas missões jesuíticas do Rio Grande do Sul, há uma réplica fotográfica de um dos mais antigos altares do Brasil. Este altar da antiga Fazenda de Voturuna (Santana de Parnaíba) pertencia ao bandeirante Guilherme Pompeu de Almeida, para seu filho homônimo, padre jesuíta. Estão expostas as duas cariátides – mulheres em forma de suporte para o altar – consideradas das obras mais preciosas da arte colonial brasileira, nas palavras de Lúcio Costa, o idealizador de Brasília.

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