Pastoral do Povo de Rua de Teresina (PI) cria fábrica de chinelos

Arquivo pessoal

A Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Teresina (PI) criou uma fábrica de chinelos, com o objetivo de qualificar profissionalmente as pessoas que auxilia, bem como levantar fundos para a manutenção das atividades pastorais.

Em Teresina, a Pastoral tem três casas de apoio e acolhimento a pessoas em situação de rua. Distribuição de cestas básicas, roupas, cobertores, prestação de serviços nas áreas de saúde estão entre as atividades desempenhadas, mas o diferencial é a busca pela qualificação profissional dos atendidos.

“Oferecemos café, almoço e jantar nos nossos centros. Isso alivia a necessidade pontual da fome, mas olhar cada um e oferecer a eles a oportunidade de aprender um ofício é o que abre portas para retomar sua vida”, disse, ao O SÃO PAULO, o Padre João Paulo Carvalho e Silva, Coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Teresina. Ele ressaltou que a fábrica de chinelos busca proporcionar uma fonte de renda para que as pessoas possam deixar de viver nas ruas e se manter financeiramente.

Desde fevereiro, a fábrica de chinelos funciona diariamente, com maquinário que foi adquirido pela própria pastoral. A capacidade de produção é de mil pares de chinelos por semana.

“A pessoa aprende a produzir e a vender o produto. Vemos ali a possibilidade de crescimento e ascensão pessoal. Nosso principal objetivo é inseri-los no mercado de trabalho, para que não dependam apenas de doações”, disse o Sacerdote, recordando que a Pastoral oferece, ainda, cursos de corte e costura, agropecuária, alfabetização, entre outros.

Os chinelos confeccionados são vendidos na casa de acolhimento ao preço de R$ 12 (para grandes quantidades) e R$ 15 a unidade.

“Todos os que vivem na rua querem um emprego para alugar uma quitinete, retornar a suas famílias e ter uma vida independente. Eles querem voltar a se sentir cidadãos, assim como os outros que estão fora das ruas e dos abrigos”, disse Padre João Paulo.

Francisco Adriano Oliveira Souza, 29, é um dos acolhidos pela Pastoral do Povo de Rua e atua na produção dos chinelos.

“Após a morte de minha mãe, conheci o mundo das drogas e fui viver nas ruas. Perdi o emprego, me afastei da minha família. Perdido e sem sentido, procurei ajuda e encontrei o Padre João Paulo, que me acolheu no abrigo. Ele me deu casa, oportunidade e aprendi a produzir os chinelos, uma possibilidade de reinserção social”, afirmou o jovem.

A Pastoral recebeu, recentemente, uma doação de 20 hectares de terras na cidade de José de Freitas (PI), a 50 quilômetros da capital do estado. “Nesse terreno, o intuito é criar uma estrutura que possa gerar emprego e renda às pessoas em situação de rua. A agropecuária é um sonho que estamos ainda viabilizando em parceria com as autoridades locais”, pontuou o Sacerdote.

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