Você sabe o que são afetos?

Quando se fala de afeto hoje, muitas vezes se relaciona o termo a amor, carinho, acolhimento, aconchego. É verdade: amor, aceitação, carinho são afetos e manifestações afetivas. Afetos, porém, não se restringem a esse tipo de emoção ou sentimento. Os afetos são todos os sentimentos e emoções próprias do ser humano, ou seja: medo, raiva, angústia, tristeza, amor, alegria, desejo, prazer… Todo o imenso campo das emoções e sentimentos de uma pessoa é o campo afetivo. 

Quando se diz que os afetos dos pais são importantes na vida dos filhos e vice-versa, está-se dizendo que a relação saudável, aquela em que há um vínculo verdadeiro, necessariamente passa pelos afetos (emoções, sentimentos) e que eles são muito importantes para a saúde da relação. Aqueles pais que não são “afetados” pelos comportamentos e manifestações dos seus filhos, estão com dificuldade de se interessar pela relação, de envolver-se com os pequenos. 

Todo afeto, por ser sentimento ou emoção, desperta na pessoa um determinado impulso à ação. Por exemplo: quando um filho pequeno desobedece ao pai e o enfrenta, esse comportamento provoca no pai um afeto – talvez irritação – e, movido pela irritação, o pai se sente impelido a uma reação. 

Chegamos aqui a um ponto fundamental no processo educativo dos pequenos e que precisa ser muito bem compreendido pelos adultos que educam. Os afetos são irracionais – são frutos da dimensão sensível (instintiva) da pessoa e, por isso, normalmente são maus conselheiros. Se reagimos impulsionados por eles, temos uma enorme possibilidade de cometer erros educativos. Portanto, afetar-se pela criança, identificar esse afeto é fundamental no vínculo entre pais e filhos, porém, reagir movido pelo afeto é um perigo. 

O que fazer então? Amadurecer. Isso mesmo! 

As crianças, como é natural, agem movidas pelos afetos. Elas ainda não têm um funcionamento racional, que se inicia em torno dos 5, 6 anos, e, exatamente por isso, a única possibilidade que têm é de agir impulsivamente. Vão sendo estimuladas e ensinadas a iniciar o controle dos próprios impulsos na relação com os pais e com os demais adultos que fazem parte de seu cotidiano. Os pais, ao contrário, já atuam racionalmente e têm capacidade de identificar o melhor modo de agir para corrigir a criança, ou para lhe ensinar um determinado comportamento. Portanto, entender como funciona a criança, compreender os próprios afetos e moderá-los para agir da forma mais produtiva é papel do adulto, daquele que tem a missão de educar o pequeno, de ensinar a viver. 

O que acontece atualmente é que estamos com algumas gerações de jovens e adultos que não tiveram uma afetividade educada, não cresceram na virtude da temperança, que modera os afetos e que promove o crescimento da fortaleza, da paciência. Sendo assim, mesmo sem perceberem, muitos pais acabam agindo exatamente como seus filhos – movidos pelos impulsos afetivos. 

A pessoa humana é muito mais do que sua afetividade. Além dessa potência – mais básica e primitiva – nem por isso menos importante, temos a inteligência e a vontade; ou seja, temos a possibilidade de, por meio da inteligência, colocar objetivos educativos, escolher estratégias para chegar a eles e, pela vontade, nos determinarmos a lutar contra a preguiça, o conforto, a tendência em buscar os caminhos mais fáceis e agir com determinação em direção aos objetivos que a inteligência nos apontou. 

Os afetos dão o tempero, o sabor, o tom a nossas ações, ao nosso modo de ser, mas não podem nos comandar. Se nos comandarem, seremos escravos deles e não pessoas livres para buscar o que realmente identificamos como o melhor. 

Pense sobre isto: você se considera afetivamente bem educado? Crescer nesse aspecto vai impactar diretamente a educação de seus filhos. Vamos em frente!

Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o site www.simonefuzaro.com.br. Instagram: @sifuzaro.

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