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CNBB em assembleia

No dia 15 de abril, abre-se a 62ª Assembleia Geral anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “instituição permanente que congrega os bispos da Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil, na qual exercem conjuntamente algumas funções pastorais em favor dos fiéis” presentes em todo o País (Estatuto, Art. 1º), conforme disposições do Direito Canônico (cf. cân. 381§2).

Cada bispo diocesano tem a responsabilidade pessoal e direta sobre a sua diocese; mas essa missão é exercida não de maneira isolada, mas na comunhão colegial e na corresponsabilidade com os demais bispos e com o Papa, Pastor universal da Igreja. A Conferência Episcopal é expressão da “solicitude por todas as Igrejas” que cada bispo deve ter, conforme recomendação que eles recebem na ordenação episcopal. Reunidos na Assembleia Geral da Conferência, e seguindo o Estatuto e o Regimento próprios, os bispos rezam e celebram juntos, confraternizam e partilham as “alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, pois essas são também as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes, GS 1).

Na Assembleia Geral, que acontece uma vez a cada ano, junto do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e se prolonga por nove dias, os bispos refletem sobre as questões gerais da vida social e sua relação com a missão da Igreja e sobre as questões religiosas e pastorais que dizem respeito, especificamente, ao seu pastoreio nas dioceses e em todo o Brasil. A Conferência Episcopal também tem competências legislativas e disciplinares, conforme prescrições específicas do Direito da Igreja. Como acontece geralmente nas assembleias de qualquer instituição, também na Assembleia Geral da CNBB são apresentados diversos relatórios e prestações de conta da Presidência e das diversas Comissões Episcopais Pastorais e Organismos encarregados de acompanhar e animar as iniciativas de evangelização e pastoral da Conferência.

As Assembleias Gerais costumam ter uma pauta extensa, composta de temas previamente aprovados pelo Conselho Permanente da Conferência, podendo ainda receber acréscimos no início dos trabalhos, mediante a aprovação da pauta pelo plenário reunido. Entre os temas em pauta neste ano, além dos relatórios e comunicações dos órgãos e organismos da Conferência, também constam a atualização do Documento da CNBB sobre a Evangelização da Juventude, a aprovação da revisão do Lecionário Dominical e de alguns formulários de Missas de Nossa Senhora nos diversos tempos litúrgicos. Também haverá mensagens dirigidas ao Papa, ao Prefeito do Dicastério para os Bispos e ao povo brasileiro. Todos os dias, as celebrações da Eucaristia pelos bispos, na basílica de Aparecida, podem ser acompanhadas pelo povo, uma vez que serão transmitidas pela televisão e por outros meios de comunicação.

O tema central da Assembleia será o das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos. Em média, a cada quatro anos, a Conferência elabora e propõe um conjunto de diretrizes pastorais para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil, levando em conta as diversas circunstâncias e necessidades do momento e as indicações do Magistério do Papa e dos mesmos Bispos. Essas Diretrizes orientam, antes de tudo, as iniciativas evangelizadoras e pastorais da própria Conferência e dos órgãos e organismos que a integram, como o Secretariado Geral, o Conselho Episcopal Pastoral, as Comissões Episcopais Pastorais, as Comissões Especiais e Grupos de Trabalho, bem como os 19 Regionais da CNBB e seus organismos. Mas as Diretrizes também orientam a ação evangelizadora das 281 dioceses e prelazias de todo o Brasil, que se inspiram nelas na elaboração de suas diretrizes e planos pastorais diocesanos. Dessa forma, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil são um instrumento de comunhão e unidade pastoral, expressão do esforço comum de toda a Igreja no Brasil no cumprimento de sua missão.

As Diretrizes Gerais, que serão discutidas e aprovadas, levarão em conta a necessidade urgente de priorizar a evangelização nas comunidades da Igreja no Brasil, fazendo frente aos desafios da realidade religiosa revelados no último censo do IBGE. E, muito especialmente, será levado em conta o Documento final da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a “Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” (2024), bem como as indicações do pontificado, ainda breve, do Papa Leão XIV.

A 62ª Assembleia Geral da CNBB iniciará os trabalhos com um dia de retiro e oração, invocando a assistência do Espírito Santo para os trabalhos a realizar. A grande reunião do episcopado brasileiro faz pensar sempre na missão que Jesus entregou aos Apóstolos e a seus sucessores: Anunciar o Evangelho a todos, pastorear o “rebanho do Senhor”, servindo-o na caridade, e santificar o povo de Deus, proporcionando-lhe os dons da graça de Deus.

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