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Obedecer ao Papa?

A festa de São Pedro e São Paulo nos ajuda a lembrar que nossa fé, que a Igreja conserva, testemunha e transmite, é “apostólica”, isto é, vem dos Apóstolos e se mantém fiel ao ensinamento dos Apóstolos. Eles foram as testemunhas oculares qualificadas de Jesus e de tudo o que Ele fez e ensinou enquanto estava no mundo. Eles também foram enviados por Jesus a todos os povos e ao mundo inteiro como seus mensageiros e testemunhas. 

Ao longo da história bimilenar da Igreja, até ao dia de hoje, os Apóstolos e seus legítimos sucessores, os bispos, mantiveram-se unidos na comunhão entre si e com o Sucessor do Apóstolo Pedro, e, na fidelidade a essa missão, confirmam os irmãos na fé apostólica. Por isso, na comemoração litúrgica solene do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, rezamos muito especialmente pelo Papa Leão XIV, legítimo Sucessor de Pedro. Este é o Dia do Papa e “a Igreja toda reza por Pedro” (cf. At 12,5), que hoje tem o nome e o jeito de Leão XIV.

Além da oração e do nosso sincero respeito e carinho pelo Papa, a comunidade dos fiéis também é chamada a participar generosamente do Óbolo de São Pedro, como expressão de fé e de apoio concreto à missão do Papa. Em todas as missas celebradas no mundo inteiro, nessa festa, é feita a coleta do Óbolo de São Pedro e o que se recolhe é enviado à Santa Sé, ficando à disposição do Papa para as muitas e grandes necessidades ligadas ao exercício de sua missão universal. Muitas iniciativas de evangelização e caridade são promovidas pelo Papa, sobretudo em situações de grandes sofrimentos, necessidades e catástrofes.

Mas hoje também é oportuno recordar nosso dever de respeito e a obediência ao Papa. É lamentável que existam contestações, desrespeito e desobediência aberta à pessoa do Papa e ao que ele representa na Igreja Católica. Tais atitudes favorecem a formação de grupos cismáticos, que quebram a comunhão com a Igreja e promovem o escândalo da divisão na unidade da Igreja, podendo levar a dolorosos cismas. O respeito ao Papa é devido sempre. Em relação aos seus ensinamentos, há dois níveis de obediência, referindo-se ao Magistério ordinário e ao Magistério extraordinário.

Quando o Papa, como Bispo e Pastor supremo da Igreja, nas suas pregações e documentos, propõe um ensinamento com a finalidade de levar a uma compreensão melhor da Revelação sobre aspectos da fé e da moral (Magistério ordinário), esse ensinamento deve ser recebido pelos fiéis “com religioso obséquio de espírito”, ou seja, com religioso respeito e consideração. Assim acontece quando o Papa divulga uma encíclica, uma carta apostólica ou faz a sua pregação dominical. Suas palavras e ensinamentos, nesses casos, não devem ser vistas como simples opinião, mas como ensinamentos seguros do Sucessor do Apóstolo Pedro, a quem Jesus confiou a missão de confirmar os irmãos na fé e de os manter unidos na reta interpretação do Evangelho e do ensinamento da Igreja.

Mas quando o Papa, fazendo uso do seu Magistério supremo “na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar os irmãos na fé ou nos costumes” (infalibilidade pontifícia), proclamar solenemente alguma verdade de fé, ele deve ser obedecido sempre (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 891-892). De fato, o Papa usa muito raramente desse “carisma da infalibilidade”; geralmente, quando ele se manifesta, ele exerce o seu Magistério ordinário, afirmando e explicando aquilo que já é o patrimônio da fé da Igreja. O Papa também é o supremo legislador da Igreja e tem o encargo de zelar pelas normas canônicas, organizacionais e litúrgicas da Igreja. Portanto, uma vez que ele aprovou e promulgou o Código de Direito Canônico e as Normas da Liturgia Católica, essas leis e normas devem ser obedecidas por todos os católicos.

A missão do Papa de zelar pela unidade e a comunhão na Igreja não deve ser entendida apenas misticamente, mas também de maneira muito concreta. A comunhão na Igreja seria ferida rápida e gravemente se cada um, leigo, sacerdote, diácono, religioso ou bispo, ou cada grupo, decidisse agir por sua conta, sem obedecer ao Papa e às normas que regem a vida concreta da Igreja. Por sua vez, embora o Papa decida em função da autoridade que lhe é própria, é bem verdade que ele não decide sem ouvir a Igreja, por meio de seus representantes, e sem antes fazer um discernimento adequado sobre as decisões que deve tomar. O Papa não está acima da Igreja, mas é parte dela e seu primeiro servidor. 

Na comemoração do Dia do Papa, celebrando a solenidade do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, oremos muito especialmente pelo nosso Sumo Pontífice, Leão XIV. Que o Senhor Deus lhe conceda saúde e sabedoria, fortalecendo-o em sua importante missão!

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