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‘O que ligares na terra será ligado nos céus’

21º Domingo do Tempo Comum 23 DE AGOSTO DE 2020

O Filho de Deus veio ao mundo para restabelecer a ligação entre terra e Céu. A natureza divina uniu-se admiravelmente à natureza humana no momento em que Ele se encarnou no ventre da Virgem Maria. Deuse, então, a união a que chamamos “hipostática”: humanidade e divindade foram unidas sem confusão e distintas sem separação na única Pessoa de Cristo. Ele é perfeito Deus e perfeito homem. Crendo Nele, cremos em Deus; adorando-O, adoramos a Deus; unidos a Ele, unimo-nos a Deus; conhecendo-O, conhecemos o próprio Deus.

Esse “casamento” entre divindade e humanidade, que se dá em Cristo, transborda para a vida dos cristãos. O chamado “estado de graça santificante” consiste numa participação nessa união entre Céu e terra que ocorre na Pessoa de Jesus. Quem é batizado e está livre de pecado mortal, se liga a Deus por meio Dele, o Mediador entre o Céu e a terra! Na missa, enquanto põe uma gota d’água no cálice, o sacerdote recorda esta realidade: “Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

O Senhor morreu na Cruz para propagar a todo o mundo essa nova “ligação”. Suspenso entre o céu e a terra, com os braços abertos em atitude de Sacerdote eterno, Ele se colocou como “ponte” – Pontífice – entre os homens e Deus. Por isso, instituiu o sacerdócio e a Eucaristia na Última Ceia. A missa é o intercâmbio de dons no qual oferecemos pão, vinho, nossos trabalhos, alegrias, dores, orações; e Cristo, por sua vez, oferece-se a Si mesmo e apresenta nossas oferendas ao Pai. Ela perpetua o Sacrifício e a Presença do Senhor, qual verdadeira “escada de Jacó” que eleva a terra ao Céu e traz o Céu à terra.

A Igreja existe para ligar os homens a Deus! Isso se dá pela pregação do Evangelho; a transmissão da doutrina da fé; o perdão dos pecados no Batismo e na Confissão; as orações por vivos e mortos; as indulgências… Os apóstolos e, de modo especial, São Pedro – que tem primazia entre os Doze – foram enviados para levar a todos a comunhão que eles já possuíam com o Mestre. A Pedro, o Senhor disse: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus” (Mt 16,19).

Como consequência misteriosa da união entre Céu e terra realizada em Cristo, a comunhão com o Altíssimo agora passa também pela comunhão com Pedro, os Apóstolos e seus legítimos sucessores. Sem a comunhão com sujeitos visíveis de carne e osso, não subiríamos às alturas do Deus invisível. O “poder das chaves”, dado a Pedro e aos sucessores, lhes permite perdoar ou reter; ligar ou desligar; acolher ou excomungar; confirmar ou anatematizar. Não se trata de um “pedágio” para o Céu, tampouco de um exercício arbitrário de autoridade. É um encargo pesadíssimo que tem como fim exercer a justiça e a misericórdia de Deus já na terra, com verdade, com temor, e em vista da eternidade.

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