Como é a escolha de uma cidade-sede para a Jornada Mundial da Juventude?

Em suas quase quatro décadas de existência, os encontros internacionais da juventude católica com o papa aconteceram em quatro continentes diferentes, em cidades cuidadosamente escolhidas pelo Vaticano

Delegação sul-coreana na JMJ Lisboa 2023, após o anúncio da próxima Jornada (foto: Vatican Media)

No domingo, 6, Lisboa, em Portugal, viveu a conclusão da XXXVII Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que reuniu uma multidão de 1,5 milhão de peregrinos, de todas as partes do mundo.

Na missa de encerramento, o Papa Francisco anunciou a cidade-sede da próxima edição do evento: Seul, na Coreia do Sul, em 2027. Diante do anúncio, uma pergunta se torna recorrente: quais critérios são levados em conta para essa escolha?

Desde que o primeiro “protótipo” da JMJ foi realizado em 1984 em Roma, o encontro internacional normalmente acontece a cada dois ou três anos em uma cidade anfitriã escolhida pelo papa e pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Já aconteceram em quatro continentes, demonstrando o desejo de ancorar o evento na globalização: Buenos Aires, na Argentina, em 1987; Manila, nas Filipinas, em 1995; e Sydney, na Austrália, em 2008.

O historiador francês Charles Mercier, professor de História Contemporânea na Universidade de Bordeaux e autor de L’Eglise, les jeunes et mondalisation: une histoire des JMJ (A Igreja, os jovens e a mundialização: uma história das JMJs, em tradução livre, ed. francesa Bayard 2020) e que escreve bastante sobre a JMJ, diz que o processo de escolha do país-sede evoluiu ao longo do tempo. Inicialmente, era São João Paulo II quem fazia a escolha, como foi o caso das JMJs de 1989, em Santiago de Compostela, na Espanha, e de 1991 em Czestochowa, na Polônia. No entanto, a edição polonesa foi muito complexa de organizar devido à falta de recursos logísticos na diocese anfitriã.

Mercier destaca que é por isso que desde a JMJ 1993, realizada em Denver, nos Estados Unidos, o processo se tornou mais complexo, em especial porque o Vaticano considera importante envolver o conjunto das dioceses do país anfitrião na preparação de um evento que alcançou dimensões consideráveis.

Para julgar sua elegibilidade, o Vaticano examina uma série de critérios, começando com o potencial da diocese anfitriã. Como organizadora oficial da JMJ, deve ter capacidade financeira e logística em termos de infraestrutura e hospedagem, transporte e segurança, para sediar tal evento. Isso explica porque, apesar do desejo de criar uma rotação entre os continentes, os países africanos ainda não conseguiram sediar uma JMJ.

Além disso, o país anfitrião deve ser livre e democrático. Essa é uma condição política implícita para garantir o bom andamento do evento e garantir a livre circulação dos jovens peregrinos.

As conferências episcopais, depois de terem assegurado a colaboração das autoridades públicas, manifestam o seu interesse ao Vaticano, que se preocupa em estabelecer certa alternância entre as diversas regiões do mundo. Quando vários projetos precisam ser avaliados, é feito um processo semelhante ao da escolha das sedes dos Jogos Olímpicos: especialistas vão até o local para avaliar as candidaturas antes da decisão.

A escolha final, então, fica a critério do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, em consonância com a opinião do Papa.

Fontes: Instituto Humanitas Unisinos e La Croix International

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