‘É possível ser família conforme a vontade de Deus’

Destacou Dom Odilo, na missa pelos 15 anos da Comunidade Famílias Novas do Imaculado Coração de Maria 

Membros da Comunidade Famílias Novas, após missa presidida pelo Cardeal Scherer, na Catedral da Sé (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Em meio a uma experiência de perdão e reconciliação vivida após uma crise conjugal, em 2006, o casal Benedicto Carlos (Benê) e Maria Leonor Gatollini (Nonô) decidiu renovar o compromisso assumido diante de Deus no sacramento do Matrimônio. Desse propósito, nasceu uma iniciativa voltada a ajudar outras famílias a viverem sua vocação no mundo, por meio da oração e da vivência do Evangelho, sendo autênticas “igrejas domésticas”. 

Aos poucos, outras famílias desejosas da mesma experiência se aproximaram e formaram uma grande família de famílias. Assim nasceu a Comunidade Famílias Novas do Imaculado Coração de Maria. 

Quinze anos depois, esse carisma suscitado por Deus no coração de Benê e Nonô já alcança mais de 2 mil pessoas, com cerca de 200 missionários que atuam em várias dioceses, com o propósito de ajudar a transformar a família numa igreja doméstica. 

Para celebrar a ação de graças pelos 15 anos da comunidade, houve uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, na Catedral da Sé, no sábado, 12, memória litúrgica do Imaculado Coração de Maria. 

“Queremos fortalecer em cada lar a adesão concreta aos propósitos que Deus coloca para a família, inspirados no Evangelho, no Magistério da Igreja e na Tradição. Olhando para as nossas próprias dificuldades, percebemos que as famílias precisam de determinadas orientações e nós resolvemos fazer esta ponte entre o que a Igreja ensina e as necessidades da família”, afirmou Nonô, que, com Benê, é mãe da Bárbara, do Lucas, do Mateus, do Tiago e da Gabriela. 

Igreja doméstica 

A missão da comunidade acontece em pequenos grupos, chamados domus (“casa”, em latim), em referência ao conceito de “igreja doméstica”. As famílias, então, abrem suas casas e convidam outras pessoas para participar. A partir daquela primeira reunião, essas famílias são convidadas a uma vivência eclesial mais intensa, por meio dos sacramentos, da vida de oração, da meditação da Sagrada Escritura, do estudo da doutrina da Igreja e da vida fraterna. Há núcleos de domus divididos por idades (bebês, crianças, jovens e adultos). 

Nonô e Benê, fundadores da Comunidade Famílias Novas (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Os momentos de oração, partilha e o “ágape”, como é chamada a convivência entre as famílias, fazem parte do roteiro dos encontros, com a ajuda de um subsídio preparado para cada momento, com temas específicos que tocam diretamente a vida e a convivência familiar. 

A missão da comunidade também acontece por meio de acampamentos para as famílias, missas, vigílias momentos de confraternização, retiros espirituais e formações para membros de todas as idades. Além disso, é realizado apostolado nas escolas e pelas mídias. 

Realizar a vontade de Deus 

Na homilia, o Arcebispo de São Paulo partiu da liturgia do dia para sublinhar que o coração de Nossa Senhora não foi corrompido pela mancha do pecado original, para se tornar morada digna de Jesus Cristo, o Filho de Deus. 

Dom Odilo acrescentou que a Virgem Maria é imaculada pela graça de Deus e pela sua adesão total à vontade divina. “Nossa Senhora em tudo procurou viver segundo a vontade de Deus, como expressou na anunciação, ao dizer: ‘Faça-se em mim’”, ressaltou. 

O Cardeal acrescentou que, ao olharem para o coração imaculado de Maria, as famílias são chamadas a viver segundo a vontade de Deus. “Alguns até duvidam que a vida em família e o Matrimônio sejam possíveis. Há tantas coisas que corrompem o casamento e as famílias. Há tanta desorientação. Muitas famílias não sabem o que fazer”, salientou. 

Testemunho do Matrimônio 

Dirigindo-se aos membros da Comunidade Famílias Novas, Dom Odilo afirmou: “Vocês dão o exemplo de que é possível celebrar o casamento conforme a vontade de Deus, que se expressa em sua Palavra, no ensinamento da Igreja. Vocês testemunham que é possível se casar, viver o Matrimônio não sem dificuldades, mas não faltará a graça de Deus”. 

Referindo-se ao Evangelho do dia, que narra a cena da perda e do encontro do menino Jesus no templo de Jerusalém, o Arcebispo enfatizou que, assim como a sagrada família de Nazaré, as famílias cristãs devem levar seus filhos ao templo, à Igreja, para, desde cedo, conhecerem a casa do Senhor. 

O Cardeal meditou, ainda, que, assim como Maria e José, os pais têm a missão de zelar pela formação dos filhos. Nesse sentido, Dom Odilo encorajou os pais a batalhar pelo direito e o dever de educar os filhos segundo suas convicções religiosas e morais e evitando o risco de “terceirizar” sua formação.  

Em 15 anos, o apostolado da comunidade já alcançou mais de 2 mil pessoas (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Inseridos na Igreja 

O Purpurado recordou que o amor requer sacrifício e coragem e, por isso, exortou: “Não tenham medo de ofertar sacrifícios a Deus pelos seus filhos e pelas famílias”. 

Reforçando a vocação da família como “igreja doméstica”, o Arcebispo sublinhou que a família não é a Igreja completa, por isso, precisa sempre se abrir à “família maior que é a comunidade eclesial, que se reúne em torno de Cristo”, como testemunha a Comunidade Famílias Novas por meio de seu carisma.  

Por fim, Dom Odilo lembrou que a Igreja vive o Ano da Família Amoris laetitia, convocado pelo Papa Francisco para comemorar os cinco anos de sua exortação apostólica sobre o amor na família. “Continuem a se alimentar desse ensinamento do Papa e serão sempre as famílias novas”, concluiu. 

Carisma missionário 

A Famílias Novas é uma comunidade católica de aliança, isto é, seus membros não residem em uma casa comunitária, mas em suas próprias residências e compartilham o mesmo carisma e missão a partir da realidade onde vivem. 

Canonicamente, a comunidade é reconhecida como uma associação privada de fiéis, com aprovação recebida pela Diocese de Campo Limpo, o que permite a atuação  missionária em outras dioceses com a autorização de seus respectivos bispos. Atualmente, a comunidade está presente nas arquidioceses de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (DF), e nas dioceses paulistas de Santo Amaro, Santo André, Mogi das Cruzes, Osasco e Santos, além da Diocese de Anápolis (GO).

De forma virtual, a comunidade alcança vários estados do Brasil e alguns países, como Chile, Costa Rica, Estados Unidos, Peru, Portugal e Uruguai.  

“Eis que as igrejas domésticas se erguem em todo canto, para nossa alegria e o bem maior da Terra de Santa Cruz”, afirmou o fundador, ao agradecer o empenho e a dedicação dos casais e jovens missionários da comunidade. 

Para conhecer mais a Comunidade Famílias Novas do Imaculado Coração de Maria, acesse: www.familiasnovas.com.br.  

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Comentários

  1. Conheço a Comunidade Famílias Novas quase desde seu início, desde 2011 por intermédio do pai da Nonô, o saudoso desembargador José Barreto Fonseca, além de ter atuado como “formador” da comunidade entre os anos 2014-2019. Após todos esses anos, posso atestar a fidelidade de tantos jovens e casais em ser “Igreja doméstica”, em viver na sua plenitude o chamado universal a Santidade, ser sal da terra e luz do mundo nas famílias, na escola, entre os colegas de trabalho e em todos os ambientes honestos onde os cristãos somos chamados a dar testemunho de nossa fidelidade ao chamado do Cristo. E que assim seja!

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