Ao celebrar duas décadas, Paróquia São Miguel Arcanjo reafirma o compromisso de testemunhar a fé, a esperança e caridade cristã

Não havia asfalto, nem água encanada, apenas mato, poeira e, quando chovia, muita lama. Mas existia a vontade de um povo de ter um lugar para viver a fé. Foi dessa semente que nasceu, há 20 anos, a Paróquia São Miguel Arcanjo, no Jardim da Conquista, no extremo Leste de São Paulo.
A história da Paróquia une-se à do bairro. Ao longo da década de 1990, famílias de diferentes partes do Brasil – especialmente da Região Nordeste – foram ocupando aquele território em meio às lutas por moradia e vida digna. “Quando as primeiras famílias chegaram, ainda não havia infraestrutura. Não tínhamos nada”, recordou Margarida Maria de Oliveira, 60, ministra extraordinária da Sagrada Comunhão e integrante da Pastoral da Saúde.

Ela acompanhou de perto cada etapa da construção da comunidade. As primeiras missas eram celebradas no terreno em que hoje se situa a igreja matriz, na Travessa Pé de Manacá, 57: “Foi tudo feito com a ajuda dos moradores, por meio de mutirões, rifas, bingos, quermesses e doações. Primeiro construímos a igreja e, depois de muitos anos, conseguimos regularizar toda a documentação e quitar o terreno”.
A ereção canônica da Paróquia ocorreu em 27 de junho de 2006, feita pelo Cardeal Cláudio Hummes, à época Arcebispo Metropolitano. Desde então, a Paróquia, pertencente ao Decanato Sant’Ana e São Joaquim da Região Belém, cresceu e conta com sete comunidades: Sagrado Coração de Jesus, Natividade de Maria, Santa Rita de Cássia, Imaculada Conceição, Santa Edwiges, Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo, distribuídas pelos bairros Jardim da Conquista, Alto Paulistano e Jardim Nova Conquista.
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CELEBRAR EM COMUNIDADE
Para celebrar os 20 anos, a comunidade escolheu a quadra da Emef Professor Carlos Correa Mascaro. “Os fiéis fizeram questão de lembrar que as primeiras missas no bairro aconteciam em praças públicas e nas ruas, em meio às limitações da época”, explicou o Padre Elinaldo Assunção, MSC, Vigário Paroquial. “Ao propor a missa na quadra da escola, quisemos dar atenção a estes dois aspectos: recordar as raízes históricas da comunidade e, ao mesmo tempo, a necessidade prática de acomodar os fiéis que vieram representando todas as comunidades e a matriz. Somos membros de um mesmo corpo eclesial, em comunhão e caminhando juntos”, complementou.
A missa, no domingo, 21, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, teve a participação de representantes de todas as comunidades paroquiais, e como concelebrantes o próprio Padre Elinaldo, além dos Padres Ailton Rodrigues Damasceno, MSC, Pároco; Luis Carlos Araújo Moraes, MSC, Superior Provincial dos Missionários do Sagrado Coração; Rodrigo Domingues, MSC; e Vidal Valentín Cantero Zapattini, CSS, Pároco da Paróquia São Gaspar Bertoni e Decano, com a assistência do Diácono Marcel Alves Martins.

TESTEMUNHAS DE JESUS
“Estou muito feliz em ver que vocês, em 20 anos, deram muitos passos, estão firmes com as comunidades organizadas. Aqui povo é que não falta, e vocês são comunidades presentes, comunidades missionárias no meio desta imensidão aqui dos bairros des-ta área de São Paulo”, afirmou Dom Odilo durante a missa.
O Arcebispo ressaltou que, embora a Paróquia seja relativamente jovem, a Igreja já está profundamente enraizada na realidade local, por meio da atuação dos sacerdotes, das lideranças, das famílias e das diversas comunidades: “A Igreja está presente, isso significa que as testemunhas de Jesus aqui estão também. O Evangelho está vivo, está resplandecendo aqui para ajudar esse po-vo a viver conforme o Reino de Deus”.
Dom Odilo rogou a Deus para que continue a abençoar, orientar, iluminar e fortalecer os passos da comunidade paroquial: “Que vocês possam continuar a cumprir a missão que lhes é própria. Vocês são Igreja Católica aqui neste bairro. Que Deus os ajude e que o Arcanjo São Miguel, padroeiro, seja companheiro, defensor em todas as lutas e combates, e lhes dê coragem e confiança”.

MISSÃO EVANGELIZADORA
A responsabilidade pastoral pela Paróquia está a cargo dos Missionários do Sagrado Coração (MSC), cujo carisma é atuar justamente em regiões periféricas, marcadas por grandes desafios sociais.
Padre Ailton afirmou que a Paróquia conta com cerca de 20 pastorais e movimentos ativos e dinâmicos: “Temos pastorais como Catequese, Liturgia, Dízimo, Familiar, grupos de oração e uma participação bastante significativa da juventude, especialmente nas celebrações e na liturgia”.
O Pároco sublinhou que a Pastoral Social tem visitado famílias em situação de vulnerabilidade ou sem moradia, bem como pessoas em situação de rua. “Também distribuímos, em média, de 50 a 60 cestas básicas por mês, além de realizar encaminhamentos a serviços públicos de emprego e assistência”, detalhou. Margarida Maria recordou as visitas feitas pela Pastoral da Saúde aos doentes, “levando acolhida, oração e a Sagrada Comunhão, além de organizar, com os sacerdotes, a administração do sacramento da Unção dos Enfermos. Também são encaminhadas necessidades materiais identificadas durante as visitas, como cadeiras de rodas, cadeiras de banho, camas hospitalares e outros equipamentos”.

João Vitor Nascimento, 27, coordenador da Liturgia, descreveu a Paróquia como uma comunidade viva: “Tanto a matriz quanto as comunidades têm celebração eucarística todos os fins de semana. Os jovens são bem engajados nas pastorais e as famílias participam ativamente”.
Julia Novaes Brito, 21, coordenadora da Pastoral da Comunicação, contou à reportagem que na adolescência, passou por diferentes denominações pentecostais, mas durante a pandemia de COVID-19 retornou à fé católica: “Aqui é meu lugar, minha paróquia, minha comunidade onde sirvo. Agradeço a Deus por fazer parte desta história”. Ela é uma das 25 agentes da Pascom que se dedicam às transmissões on-line, à divulgação das ações pastorais e à missão de comunicar Jesus e o Evangelho a partir da Paróquia.
Padre Ailton espera que a Paróquia continue crescendo no sentido da fé: “As pessoas desejam a reforma da igreja, e isso também é importante, mas a primeira reforma é espiritual. Que todos cresçam na adesão a Cristo, na vivência da Palavra de Deus e que possamos alcançar muitas outras famílias que ainda precisam ser evangelizadas”, comenta. “Quando falamos de paróquia, não estamos falando de um prédio, mas do povo que vive da fé e segue o próprio Deus”, enfatizou.




