‘O Cardeal Arns foi um dom que Deus concedeu à Igreja e à humanidade’

Afirmou o Cardeal Odilo Scherer, na missa em ação de graças pelo centenário do Dom Paulo Evaristo Arns

Cardeal Scherer reza diante do túmulo de Dom Paulo Evaristo Arns, na cripta da Catedral da Sé (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Com uma missa solene na Catedral da Sé, na manhã da terça-feira, 14, festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz, a Arquidiocese de São Paulo celebrou ação de graças pelos 100 anos do nascimento de seu 5º Arcebispo, o Cardeal Paulo Evaristo Arns (1921-2016).

A Eucaristia, que abriu o ano de comemorações o centenário de Dom Paulo, foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. Entre os diversos bispos concelebrantes estavam Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além d diversos padres, muitos deles ordenados por Dom Paulo.

Também participaram da celebração familiares e amigos do Cardeal Arns, autoridades civis e militares.

Acesse a página especial do centenário de Dom Paulo Evaristo Arns

Dom para a Igreja e para humanidade

“Comemoramos o centenário do Cardeal Paulo Evaristo Arns e estamos aqui para recordá-lo, como um dom que Deus concedeu à humanidade e, particularmente, à Igreja e à comunidade de São Paulo. Entre os muitos aspectos da pessoa e da ação de Dom Paulo, desejo lembrar que ele foi um homem de esperança e seu serviço à Igreja e à comunidade humana teve sempre a marca da esperança, ainda que a cruz fosse pesada para ele e para o povo”, afirmou Dom Odilo, na homilia.

O Cardeal Scherer recordou que o lema episcopal de seu predecessor – “De esperança em esperança” – foi inspirado na Palavra de Deus e serviu de orientação para sua vida e ação episcopal.

Brasão do Cardeal Arns, ao lado da relíquia do Santo Lenho da Cruz (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

“Com o passar dos anos, o lema de Dom Paulo mostrou-se cada vez mais inspirador e confortador para ele. Em 1970, com apenas quatro anos de episcopado, ele foi nomeado Arcebispo de São Paulo pelo Papa Paulo VI, que lhe conferiu o pastoreio de toda a metrópole paulistana. Na mesma época, São Paulo e o Brasil viveram anos difíceis, durante os quais Dom Paulo, com destemor e paciência, indicou caminhos de esperança e superação. Diante das situações aviltantes para a dignidade humana, ele empenhou-se na realização de pequenas e grandes esperanças das comunidades da periferia urbana e do povo empobrecido. Dom Paulo também se empenhou e encorajou muitos outros a se empenharem na normalização da vida democrática no Brasil”, lembrou o Arcebispo.

Dom Odilo sublinhou que as esperanças do Cardeal Arns para o povo e para a Igreja continuam a valer nos tempos atuais. “Ele queria uma Igreja, povo de Deus, onde todos tivessem seu lugar e participassem da missão do testemunho de Jesus Cristo e do Evangelho. Hoje o Papa Francisco nos chama a sermos uma Igreja ‘sinodal e participativa’. Dom Paulo queria uma Igreja ao lado dos pobres e dos que sofrem, testemunhando o amor misericordioso de Deus e a dignidade de cada pessoa, amada por Deus e pela qual Jesus morreu na cruz. O Papa Francisco nos chama a sermos uma ‘Igreja em saída missionária’, qual ‘hospital em campo de batalha’ ao lado dos feridos e caídos, e também comprometidos no cuidado da casa comum” e na fraternidade da grande família humana”, acrescentou.

Leia a íntegra da homilia de Cardeal Odilo Scherer 

Sacerdote, mestre e pastor

O início da missa, o Cônego Antônio Aparecido Pereira, membro da comissão arquidiocesana para o centenário, apresentou um histórico do Cardeal Arns, no qual destacou as diferentes dimensões de sua vida como sacerdote, mestre, pastor.

Cônego Aparecido também ressaltou o testemunho e a coragem com os quais Dom Paulo enfrentou os momentos difíceis do regime militar que marcou parte de seu arcebispado em São Paulo e afirmou que “viveu profundamente as três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade. Sua fé e o seu amor incrível a Deus e ao próximo fez dele o homem da esperança”.

“É preciso dizer o quanto Dom Paulo Evaristo Arns amou São Paulo Apóstolo, amou São Paulo, a Arquidiocese, São Paulo Estado, São Paulo Cidade. Enganam-se aqueles que enxergam em Dom Paulo apenas uma figura pública. Não! Não! Não! Ele foi um homem de Deus; um homem de oração; um homem animado por profunda mística; homem de Deus que diariamente tomava o Cristo presente na mesa do altar. E foi esta mística que fez dele o Sacerdote, o Mestre , o Pastor, o Cardeal da Esperança, dos Direitos Humanos, da Defesa dos Pobres”, completou o Cônego.

Leia a íntegra do Panegírico a Dom Paulo Evaristo Arns  

Exemplo

(foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que, quando pensa no Cardeal Arns vem à sua  mente as palavras: “pobres, justiça, compaixão, democracia, amor aos mais necessitados” e acrescentou que essas são as mesmas expressões que ele associa à própria Igreja e que devem servir de exemplo e inspiração para todos os paulistanos.

Em nome do episcopado brasileiro, Dom Walmor Oliveira de Azevedo afirmou que Dom Paulo é uma grande herança para a CNBB e para a Igreja no Brasil. “Ressalto a coragem a sua profecia, abrindo caminhos, defendendo direitos e anunciando o Evangelho… Ressalto também a sua capacidade de diálogo com a sociedade pluralista. Que essas duas referências da grande herança de Dom Paulo inspirem a nossa Igreja de modo muito especial”, afirmou o presidente da CNBB. 

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