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Leão XIV à Igreja de Nápoles: sede testemunhas de Cristo e semeadores de futuro

Não esqueçais: estais inseridos numa história de amor – a do Senhor pelo seu povo – que começou antes de vós e não termina convosco; estais nela como fios únicos e necessários; estais nela para que, mesmo nas tramas densas da escuridão, possais acender uma luz. Não tenhais medo, não desanimai e sede, para esta Igreja e para esta cidade, testemunhas de Cristo e semeadores do futuro! ” Foi a exortação do Papa ao clero e pessoas consagradas no encontro realizado na Catedral de Nápoles, sul da Itália

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Vatican Media

“Olá, Nápoles! Vim a Nápoles para encontrar esse calor que só Nápoles sabe oferecer! Obrigado por esta recepção! Obrigado! É uma bênção de Deus estarmos juntos; estou muito feliz por poder estar aqui esta tarde: um tempo muito breve, mas muito significativo. E esta primeira parada é justamente aqui na Catedral, a catedral de Nápoles, onde também quero prestar esta homenagem a São Genaro, tão importante para a vossa devoção, a vossa fé!”

Foram palavras espontâneas com as quais o Papa saudou todos os presentes na Catedral de Nápoles, antes do encontro propriamente dito com o Clero e os Consagrados, na tarde desta sexta-feira, 8 de maio, no âmbito de sua visita pastoral a Pompeia e a Nápoles, sul da Itália, no dia da Súplica a Nossa Senhora de Pompeia e aniversário do primeiro ano de seu Pontificado.

Neste encontro, Leão XIV dirigiu um discurso ao clero e às religiosas e religiosos, agradecendo, inicialmente ao cardeal de Nápoles, Domenico Battaglia, pela saudação que lhe foi dirigida em nome de toda a Igreja local, agradecendo pelo caloroso acolhimento.

Nesse espírito de amizade e fraternidade, o Pontífice quis compartilhar com os presentes uma breve reflexão, que “espero – disse ele – possa apoiá-los, encorajá-los no caminho e oferecer algumas sugestões úteis para a vida eclesial e pastoral”.

Há uma palavra que ressoa em meu coração ao ouvir o relato evangélico dos dois discípulos de Emaús: a palavra “cuidado”. Assim como aqueles dois discípulos, frisou o Papa, “também nós muitas vezes seguimos nosso caminho sem conseguir interpretar os sinais da história e, às vezes, desanimados e decepcionados por tantos problemas ou pelas esperanças pessoais e pastorais que parecem não se concretizar, temos o rosto triste e amargura no coração”.

Jesus, porém, se aproxima e caminha conosco, nos acompanha para nos abrir a uma nova luz: a sua atitude é a atitude de quem cuida, disse, acrescentando que o oposto do cuidado é a negligência. Gostaria, porém, que nos detivéssemos, sobretudo, na importância do cuidado interior, que é o cuidado do nosso coração, da nossa humanidade e das nossas relações, frisou o Santo Padre.

Nápoles é uma cidade de mil cores, onde a cultura e as tradições do passado se misturam com a modernidade e as inovações; é uma cidade onde uma religiosidade popular espontânea e efervescente se entrelaça com inúmeras fragilidades sociais e com as múltiplas faces da pobreza; é uma cidade antiga, mas em constante movimento, habitada por muita beleza e, ao mesmo tempo, marcada por tantos sofrimentos e até mesmo manchada de sangue pela violência, observou Leão XIV.

Nesse contexto, a ação pastoral é chamada a uma contínua encarnação da mensagem evangélica, para que a fé cristã professada e celebrada não se limite a algum evento emotivo, mas penetre profundamente no tecido da vida e da sociedade.

A carga humana e pastoral é certamente pesada, corre o risco de nos sobrecarregar, desgastar e esgotar nossas energias, e às vezes pode ser ainda mais agravada por uma certa solidão e pelo sentimento de isolamento pastoral, acrescentou.

“É por isso que precisamos de cuidado. Em primeiro lugar, o cuidado com a vida interior e espiritual, alimentando constantemente nossa relação pessoal com o Senhor na oração e cultivando a capacidade de ouvir o que se agita dentro de nós, para fazer o discernimento e nos deixarmos iluminar pelo Espírito. Isso requer também a coragem de saber parar, de não ter medo de interrogar o Evangelho sobre as situações pessoais e pastorais que vivemos, para não reduzir o ministério a uma função a ser desempenhada.”

Antes de concluir, o Santo Padre lembrou o vínculo especial que os une ao seu padroeiro, São Genaro; mas a graça de Deus foi tão generosa convosco, ressaltou, “que suscitou tantas outras figuras de santos e santas ao longo de vossa história. Confio-vos a eles e à intercessão de Maria, Virgem Assumida e Mãe solícita.

Por fim, deixou uma forte exortação ao clero, aos consagrados e consagradas, religiosas e religiosos da Arquidiocese de Napoles:

“Não esqueçais: estais inseridos numa história de amor – a do Senhor pelo seu povo – que começou antes de vós e não termina convosco; estais nela como fios únicos e necessários; estais nela para que, mesmo nas tramas densas da escuridão, possais acender uma luz. Não tenhais medo, não desanimai e sede, para esta Igreja e para esta cidade, testemunhas de Cristo e semeadores do futuro!”

Fonte: Vatican News

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